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03.02.2026 - 09:48
Cármen Lúcia suspende pesquisa eleitoral que apontava vantagem de Flávio Bolsonaro
Flávio vence Lula em pesquisa suspensa pelo TSE
A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, determinou na última sexta-feira (30/1) a suspensão imediata da divulgação de uma pesquisa eleitoral não registrada que mostrava o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno presidencial.
O levantamento, publicado pela consultoria mexicana Áltica Research no dia 27/1, projetava 48% para Flávio e 46% para Lula, dentro da margem de erro de 2,83%. Porém, como não foi registrada previamente no sistema PesqEle do TSE, sua divulgação fere a legislação eleitoral brasileira.
A suspensão ocorreu após representação feita pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), durante o recesso forense. Ele denunciou que a pesquisa foi divulgada em redes sociais e plataformas digitais de grande alcance, sem cumprir a exigência legal de registro prévio no TSE — que prevê a identificação da metodologia, amostra, estatístico responsável e patrocinadores.
A ministra Cármen Lúcia acatou o pedido de forma liminar, proibindo a divulgação de qualquer conteúdo vinculado ao levantamento.
De acordo com a empresa, a pesquisa ouviu 1.200 brasileiros entre os dias 23 e 25 de janeiro e foi feita com base em painel web por river sampling, metodologia que consiste em recrutamento por fluxo digital, posteriormente ajustado para refletir o perfil demográfico da população.
A pesquisa fazia parte do projeto internacional “Painel Opiniões Públicas América Latina 2026”, segundo o site da empresa mexicana. Após a decisão do TSE, o conteúdo foi retirado das redes.
A suspensão reacende um debate sensível: é censura política ou cumprimento da lei eleitoral? A legislação brasileira exige o registro prévio de toda pesquisa eleitoral divulgada publicamente para evitar manipulação, fake news e projeções artificiais em períodos eleitorais.
Aliados do governo argumentam que a ação do TSE é necessária para preservar a lisura do processo eleitoral. Já críticos da decisão apontam que a medida impede a livre circulação de dados e favorece o controle de narrativas em um momento de tensão política.
Fonte e Foto: horabrasilia