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26.03.2014 - 08:24
Um ano sem Engenhão: prejuízo, promessas e mais obras
Em 26 de março de 2013, o prefeito Eduardo Paes anunciava a interdição do Engenhão, inaugurado menos de seis anos antes, por problemas estruturais em sua cobertura. Um ano depois, as obras do estádio estão em andamento, conduzidas pelo consórcio que o construiu, formado por OAS e Odebrecht. A Prefeitura, que monitora, garante o cumprimento do cronograma original, que prevê a reabertura do estádio em novembro deste ano.
O estrago, no entanto, foi feito. Além do Botafogo, que estima ter perdido cerca de R$ 45 milhões desde a interdição - vale lembrar que, em março do ano passado, o Maracanã ainda passava por obras, e o Engenhão era o principal estádio do Rio de Janeiro -, comerciantes locais perderam de 50 a 60% do faturamento, e ainda viram a violência aumentar na região de Engenho de Dentro. O ESPN.com.br elaborou uma linha do tempo com tudo envolvendo a interdição e as obras de reparo do Engenhão. Relembre abaixo:
Junho de 2007 - Inauguração
Após três anos e meio de obras e quase R$ 380 milhões gastos - mais que o quádruplo dos R$ 60 milhões previstos no orçamento original -, o Engenhão é inaugurado no dia 30, com um clássico entre Fluminense e Botafogo. Quem levou a melhor foi o Alvinegro, que venceu por 2 a 1, de virada, com dois gols de Dodô. Alex Dias abrira o placar. Em julho, o estádio foi palco das competições de futebol e atletismo nos Jogos Pan-Americanos, que motivaram sua construção.
Agosto de 2007 - É do Botafogo
O Botafogo supera o Fluminense novamente, desta vez fora de campo, e vence a licitação para administrar o Engenhão pelos 20 anos seguintes.
Março de 2013 - Interdição
O prefeito Eduardo Paes anuncia a interdição do Engenhão por motivos de segurança. Segundo laudo da empresa alemã SBP (Schlaich Bergermann und Partner), o estádio apresentava problemas estruturais na cobertura, que poderia ruir com ventos superiores a 63 km/h.
Maio de 2013 - Laudo contestado
Após pedido da ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) - da qual faz parte o engenheiro Flavio D'Alembert, da empresa Alpha, que elaborou o projeto original da cobertura -, a canadense RWDI (Rowan Williams Davies & Irwin Inc.) e a inglesa BRE (Building Research Establishment Ltd.) divulgam estudos contestando o laudo da SBP. Segundo novas informações, apenas ventos superiores a 115 km/h poderiam oferecer riscos, e a necessidade de interdição era questionável.
Maio de 2013 - Concessão suspensa
Com o Engenhão ainda fechado, a Prefeitura anuncia a suspensão da concessão ao Botafogo, e assume os custos de manutenção do estádio.
Julho de 2013 - Conclusão em novembro/2014 e processo iminente
Quatro meses após a interdição, Prefeitura e Consórcio Engenhão (OAS e Odebrecht) preparam o início das obras e divulgam um cronograma, que prevê conclusão em novembro de 2014. Além disso, a Empresa Municipal de Urbanização (RioUrbe) garante que as obras de expansão necessárias para a Olimpíada-2016 não requerirão nova interdição. O consórcio anuncia que arcará com os custos do reparo da cobertura, mas, a exemplo da Prefeitura, pedirá indenização à Alpha, que projetou a cobertura originalmente.
Vale lembrar que OAS e Odebrecht foram as empresas responsáveis por finalizar as obras de construção do Engenhão, após outro consórcio, formado por Delta, Racional e Recoma, declarar que não teria condições de concluí-las a tempo dos Jogos Pan-Americanos, já em 2007.
Janeiro de 2014 - Novo prazo?
OAS divulga laudo de construção prevendo a conclusão das obras apenas em janeiro de 2015. Questionado, o prefeito Eduardo Paes reitera a reabertura ainda em 2014.
Março de 2014 - Confirmação e complicações
Procurada pela ESPN, a assessoria de imprensa da RioUrbe reitera a reabertura do Engenhão ainda em 2014, e garante que as obras estão dentro do cronograma previsto. Também procurado pela reportagem, o Botafogo limita-se a um pronunciamento rápido, no qual garante acompanhar a obra e espera sua conclusão dentro do prazo apresentado. Comerciantes locais revelam complicações financeiras e de segurança desde o fechamento do estádio, com perda de até 60% do faturamento. O número não inclui ambulantes, que vendiam produtos apenas em dias de jogos e tiveram perda de quase 100%.
*Colaboraram Gabriela Moreira e Thales Machado.