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08.07.2021 - 07:04
Ministério da Defesa repudia ataques de Omar; conheça um pouco da folha corrida do presidente da CPI
Omar já foi acusado de pedofilia
O Ministério da Defesa emitiu uma nota, na noite dessa quarta-feira (7), após o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz, acusar as Forças Armadas de corrupção. A declaração durante depoimento de Roberto Dias, ex-diretor do Ministério da Saúde que foi sargento da Aeronáutica.
Eis a nota do Ministério da Defesa:
O Ministro de Estado da Defesa e os Comandantes da Marinha do Brasil, do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira repudiam veementemente as declarações do Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, Senador Omar Aziz, no dia 07 de julho de 2021, desrespeitando as Forças Armadas e generalizando esquemas de corrupção.
Essa narrativa, afastada dos fatos, atinge as Forças Armadas de forma vil e leviana, tratando-se de uma acusação grave, infundada e, sobretudo, irresponsável.
A Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira são instituições pertencentes ao povo brasileiro e que gozam de elevada credibilidade junto à nossa sociedade conquistada ao longo dos séculos.
Por fim, as Forças Armadas do Brasil, ciosas de se constituírem fator essencial da estabilidade do País, pautam-se pela fiel observância da Lei e, acima de tudo, pelo equilíbrio, ponderação e comprometidas, desde o início da pandemia Covid-19, em preservar e salvar vidas.
As Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às Instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro.
FICHA CORRIDA DE OMAR AZIZ
Conhecido no meio político — especialmente no Estado que governou — por suas ações suspeitas de corrupção, desvios e até pedofilia durante sua trajetória, Aziz foi alvo de uma operação do Ministério Público Federal, conhecida como “Maus Caminhos”, deflagrada em 2016, que desencadeou uma série de desdobramentos. Este foi o homem escolhido por seus pares para nos representar em uma CPI que busca investigar atos semelhantes aos praticados pelo político. É o “sujo falando do mal lavado”. E mais uma vez, a sujeira é jogada embaixo do tapete e o circo entra em cena para a alegria de muitos e a desatenção da maioria.
Omar Aziz, governador do Amazonas de 2010 a 2014, senador pelo Estado desde 2015, político experiente, com 21 anos de mandatos consecutivos desde 1990, afirma que atua de forma independente. Ao ser eleito presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito que vai investigar as ações do governo e o uso de verbas federais na pandemia da Covid-19, por 8 votos a 3, indicou Renan Calheiros (MDB-AL) para a relatoria da investigação. Durante a carreira política, ele tem chamado a atenção por suas notáveis mudanças ideológicas. Conhecido por trocar de partido inúmeras vezes, foi definido pelo idealizador do Partido Social Democrático (PSD) como sendo “nem de direita, nem de esquerda, nem de centro”.
Em sua gestão como governador do Amazonas, foi alvo de investigação por suspeita de irregularidade e desvios na área de saúde. Durante a operação “Maus Caminhos”, deflagrada em 2016, o objeto central da investigação foi o desvio de R$ 260 milhões de verbas públicas da saúde, com a realização de contratos milionários firmados com o governo amazonense. Na época em que foi governador, um relatório da Polícia Federal, o da “Operação Vertex”, em um desdobramento da “Maus Caminhos”, seu nome foi citado 256 vezes em 257 páginas. Um dos trechos do relatório fala da criação e manutenção de uma organização criminosa, construída em torno do Instituto Novos Caminhos, com participação ativa de Aziz. Cita também o recebimento de propinas por parte do atual senador, no valor de R$ 500 mil, sendo entregue de forma fracionada. Os autos, encaminhados ao Supremo Tribunal Federal para investigação do caso, terminaram em pizza, levando em conta o entendimento da Corte sobre o foro privilegiado, retornando o processo, em 2018, para o Amazonas, ainda sem decisão. Algo para ser levado em conta no palco das barbáries políticas que desenham o futuro de nosso país.
Não bastando todos esses fatos, soma-se a eles a prisão recente da esposa de Aziz, Nejmi Aziz, pela Polícia Federal, além dos três irmãos do senador, três policiais militares e mais uma pessoa não identificada. Todos eles com envolvimento na “Operação Vertex”, citada acima. Outra alvo das investigações possui mandado de prisão em aberto. Quanto à Nejmi, ela é vice-presidente estadual do PSD amazonense, tendo concorrido, nas últimas eleições, ao cargo de deputada estadual. Porém, não foi eleita. Outro dado que complementa o palco tragicômico da política nacional é o depoimento do advogado do senador Aziz, Simonetti Neto, que critica as acusações feitas a seu cliente, questionando a competência de investigar o caso do juiz que autorizou a operação e da própria Justiça Federal. Segundo ele, não existe a possibilidade de haver envolvimento de recursos federais nesse sentido. Para o advogado, “o relatório da PF é uma peça de ficção, uma obra literária”. Para completar esses feitos nada heroicos de Omar Aziz, em 2005 ele foi acusado de envolvimento em exploração sexual infantil, tendo sido absolvido por um voto. No período, houve uma movimentação da bancada e de alguns parlamentares para protegê-lo da acusação de pedofilia. Até quando devemos engolir essas manifestações descabidas e ofensivas, de braços cruzados, como ouvintes desgostosos? O Brasil adormece em meio a uma pandemia, esquecendo-se do quanto necessita de representantes que desfaçam esses nós da gestão política do país. (jovempan)