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13.10.2010 - 14:46
Mais da metade dos 33 mineiros já foi resgatada no Chile
Mecânico e pai de dois filhos, Alex Vega, 32, beija sua mulher após sair da mina
O eletricista Omar Reygadas, 56, foi resgatado pouco depois das 13h35 desta quarta-feira (13), após mais de dois meses preso na mina San José no Chile. Com esse resgate, mais da metade dos 33 trabalhadores confinados já está de volta à superfície.
Reygadas -- que tem seis filhos, 14 netos e três bisnetos -- já ficou preso em galerias subterrâneas três vezes durante seus trinta anos de trabalho como mineiro.
Antes dele subiu à superfície o motorista de caminhão Daniel Herrera, 27. Ele foi recebido pela mãe, que estava emocionada.
O 15º mineiro socorrido foi oeletricista Víctor Segovia, 48. Casado e pai de cinco filhos, ele registrou por escrito tudo o que acontecia dentro da mina onde estava soterrado a 700 metros de profundidade, junto com outros 32 trabalhadores, há 69 dias. Ele chegou a pedir que lápis e papéis fossem mandados para a mina.
Víctor Zamora, 33, mecânico casado com Jéssica Cortez, que descobriu que estava grávida durante o tempo em que ele ficou preso na mina, foi o décimo quarto. Ele ficou conhecido pelo senso de humor e, segundo os colegas, riu até mesmo quando sofreu por semanas com dor nos dentes molares.O décimo terceiro a ser resgatado foi Carlos Barrios, 27, separado, mineiro que possui um táxi para usar nos tempos livres e é pai de um menino de cinco anos.
Forrest Gump
Também já deixou a mina Edison Peña, 34, um apaixonado por esportes que praticava corrida diariamente no interior da mina e chegou a correr 10 quilômetros em um dia, apesar dos limites espaciais. Ele, que foi apelidado de "Forrest Gump, tem problemas de ouvido, de hipertensão e diabetes. Durante a clausura, pediu sapatilhas e short esportivo para poder correr melhor.
Nascido e criado no município de Renca, na região metropolitana de Santiago, Peña se mudou para o norte do Chile para estar perto de sua namorada, Angélica Álvarez, que foi quem conseguiu trabalho na mina San José para ele. "Tenho ansiedade e me dá vontade de correr", escreveu Peña à namorada durante o tempo preso. "Imagino que fazemos viagens para praias, campo, tudo, tudo. Quero estar livre, quero ver o Sol".
Angélica e o pais dele, Fernando, esperavam nervosos pelo minerador, que saiu da cápsula às 10h11. Enquanto era transferido para a primeira revisão médica, Peña repetia seguidamente: "Estamos vivos".
O décimo primeiro a sair foi Jorge Galleguillos Orellana, 56, que sofre de hipertensão e recebeu cuidados assim que saiu da cápsula Fénix. Ele, que tem 13 irmãos, já havia se machucado em outras duas minas.
Também já foi resgatado Alex Vega, 32. Ele é mecânico de máquinas pesadas e foi recepcionado pela mulher. Pai de dois filhos, trabalhava na mina para economizar dinheiro para comprar uma casa para família em Copiapó. Assim que deixou o túnel, ele fez o sinal da cruz, cumprimentou as pessoas que estão no acampamento e abraçou longamente a mulher.
Por volta das 8h, Mario Gómez, 63, foi o nono mineiro a ser retirado. Ele é o mais velho do grupo e começou a trabalhar em minas com 12 anos. Ao sair, ele caiu de joelhos e rezou, segurando a bandeira chilena. Gómez também foi abraçado por sua mulher, Lilianete Ramirez. Gomez tem silicose, uma doença pulmonar comum aos mineiros, e recebeu antibióticos e medicamentos para inflamação brônquica.
O oitavo mineiro retirado foi Claudio Yáñez, 34, que trabalha como operador de broca. Ele foi resgatado por volta das 7h. Ele tem duas filhas e foi recebido com um longo abraço da companheira, com quem prometeu se casar antes de deixar a mina.
O sétimo mineiro foi salvo por volta das 6h20. José Ojeda, 46, viúvo, trabalha como perfurador e sofre de diabetes.Ele foi o autor da famosa mensagem "Estamos bem no refúgio, os 33". Foi recebido pela filha, que tinha uma bandeira do Chile nas mãos.
O sexto mineiro trazido à superfície foi o operário Osmán Araya, 30, que saiu por volta das 5h35. Pais de três filhos, ele havia decidido largar o emprego por considerá-los muito perigoso. Ao deixar o local, abraçou a esposa Angélica.
O quinto a ser resgatado foi Jimmy Sánchez, 19, o mais novo do grupo. Aparentemente debilitado, ele saiu da mina por volta das 4h10 e foi recebido pelo pai. É pai de um bebê recém-nascido.
Evo acompanha trabalho
O boliviano Carlos Mamani, 23, foi o quarto a chegar na superfície. Ele havia começado a trabalhar na mina apenas cinco dias antes do acidente. O presidente boliviano, Evo Morales, que havia prometido estar presente no resgate dele, chegou na mina apenas durante a manhã de hoje.
Em entrevista coletiva, ao lado do presidente chileno Sebastián Piñera, Morales demonstrou sua "admiração e respeito" ao colega e disse que o trabalho para resgatar o boliviano "nunca será esquecido" por seu povo. Segundo ele, o resgate traz maior confiança entre a Bolívia e o Chile, e entre seus presidentes.
"Muito obrigada ao povo chileno pelo resgate do mineiro boliviano", falou. "Foi muito emocionante escutar dos mineiros: Cuidamos bem do nosso irmão Carlos Mamani".
Em seguida, Piñera afirmou que "a grande riqueza do nosso pais não é o cobre, são os mineiros", que, de acordo com ele, deram um exemplo ao mundo de fé e esperança.O presidente também anunciou que o resgate pode terminar ainda hoje.
O terceiro resgatado da mina foi o ex-militar Juan Illanes, 52. Casado, veterano do conflito fronteiriço entre Chile e Argentina em 1978, foi abraçado pela mulher.
Antes dele, o eletricista Mario Sepulveda, 40, foi retirado. Eufórico, Sepulveda subiu o túnel gritando dentro da cápsula de resgate e surpreendeu ao distribuir pedras da mina San José como presentes e lembranças para funcionários envolvidos no resgate. Casado, foi o apresentador da maioria dos vídeos do grupo. O mineiro também abraçou fortemente o presidente Sebastián Piñera.
O primeiro operário a sair da mina foi Florencio Ávalos, 31, segundo-líder do grupo. Capataz, casado, irmão de Renán, outro mineiro preso, recebido pela mulher Mónica e pelo filho Byron, que chorou ao ver o pai. Ele foi escolhido para sair primeiro por estar em melhor condição de saúde.
Centenas de pessoas se aglomeraram em volta do telão no acampamento "Esperanza" para comemorar a saída do mineiro. Balões, gritos de guerra e muita euforia celebraram o sucesso do primeiro resgate.
Saúde é considerada boa
A situação de saúde dos primeiros mineiros resgatados é considerada "bastante boa", afirmou o ministro da Saúde, Jaime Mañalich, em uma entrevista coletiva nas proximidades da jazida. "As coisas vão extraodinariamente bem até aqui, inclusive melhor do que o esperado", disse.
Segundo Mañalich, alguns mineiros apresentaram aumento da frequência cardíaca quando subiam pelo túnel de 622 metros de comprimento e 66 centímetros de diâmetro, mas todos se recuperaram de forma satisfatória após um repouso, sem a necessidade de medicamentos.
O ministro explicou que a partir deste momento, os mineiros seguirão um protocolo de hidratação e de suplementos vitamínicos. Os trabalhadores que já foram internados no hospital de Copiapó estão sendo avaliados por especialistas, como dermatologistas e oftalmologistas.
"Os mineiros têm uma situação psíquica tranquila", completou Mañalich, que também destacou o cansaço de todos.
Expectativa
Muito havia se especulado sobre a ordem de saída dos trabalhadores, confirmada apenas há poucas horas do início do resgate pelo presidente do Chile, que estava presente na mina no momento da saída do primeiro soterrado.
O resgate dos mineiros foi marcado pela comoção que gerou em todo o mundo -- a imprensa de todo o planeta baixou na mina nos últimos dias, além de empresas, como a Nasa, que enviaram técnicos para ajudar nos trabalhos.
A rapidez dos trabalhos também chamou a atenção. Inicialmente, o governo chileno havia previsto a conclusão dos trabalhos para o Natal, no final de dezembro. Mas os trabalhos para perfurar o solo e abrir caminho para a cápsula Fênix se adiantaram e, pouco mais de dois meses depois, os mineiros puderam finalmente reencontrar suas famílias.
Nos dois dias que a reportagem do UOL Notícias acompanhou o resgate dos mineiros, também chamou a atenção a organização da estrutura em torno da mina San José. O acampamento, que, em agosto, era apenas um amontoado de barracas, tornou-se uma minicidade, em que é possível encontrar desde pronto socorro a internet WiFi e banheiros com ducha.
Uol