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29.07.2019 - 16:49
João e Ricardo comeram a pamonha juntos, mas não vão comer o peru
O jornalista e radialista Heleno Lima, um dos mais conceituados com atuação na região do Cariri paraibano, profetizou em seu blog que João Azevedo e Ricardo Coutinho não comerão juntos o peru do Natal.
Heleno revela que uma união de forças entre o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino, o presidente do Avante, deputado Genival Matias, e o governador Joao Azevedo armaram uma linha de defesa para conter as investidas das forças socialista alisadas ao ex-governador para tomarem de assalto o Governo emparedando João sob a alegação de trair o "projeto". Leia o artigo na íntegra de Heleno Lima:
Após a acachapante vitória no primeiro turno das eleições do ano passado, quando obteve 1.119.758 sufrágios, o equivalente a 58,18% dos eleitores que compareceram as urnas naquele pleito, João Azevêdo e o ex-governador, Ricardo Coutinho (2011 - 2018), seu principal cabo eleitoral, deixaram de falar a mesma língua quando o assunto é política.
Ricardo, mesmo antes de deixar a principal cadeira do Palácio da Redenção, já começou a sentir aquele ditado: "rei posto, rei morto!", e sofreu o primeiro revés, ao perceber o deputado Estadual, Adriano Galdino (PSB), mexer os pauzinhos para tomar de conta da mesa diretora da Assembleia Legislativa pelos próximos quatro anos.
Enfezado como sempre, o Mago percebeu as movimentações e decidiu gritar, afirmando em alto e bom som que não aceitaria o pocinhense como presidente nos dois biênios.
Chamou João e a tropa radical dos girassóis ao pé da conversa, expôs o seu ponto de vista e foi à imprensa criticar a postura de Adriano, que articulou com os deputados e não lhe envolveu nas negociações.
Ricardo impôs uma condição: aceitava Adriano no primeiro biênio, mas com uma condição de que fosse cataputado à presidência da Casa de Epitácio Pessoa, o companheiro, Hervázio Bezerra (PSB), em eleição a ser realizada em seguida a primeira.
Matreiro, Adriano fez de conta que aceitou a proposta, elogiou o ex-governador e deu início a preparação da jogada de mestre que desmoralizaria Ricardo.
Contou, para tanto, com a ajuda primordial do sorrateiro deputado Estadual, Genival Matias, presidente do Avante.
Genival, uma raposa dos bastidores da política, cuja legenda que comanda havia eleito quatro deputados, sendo a segunda maior da Assembleia, articulou tudo e, no dia 1º de fevereiro, veio a machadada final, quando Adriano se elegeu e se reelegeu a contragosto de Ricardo.
A partir daí, começaram os girassóis radicais a instar o novo governador a chutar o balde e romper relações com Adriano.
Porem Adriano e Genival, foram até João e garantiram a governabilidade, convencendo o Gordinho e deixar "tudo como dantes no quartel de Abrantes".
A partir daí, Ricardo ficou amuado com o seu pupilo e achava que continuaria mandando e desmandando no Governo ao seu bel prazer.
Ficou amuado e não fez nenhum esforço para disfarçar a insatisfação. Ao contrário, escancarou, ao ir assistir a final da Copa do Nordeste, entre Botafogo e Fortaleza, no Almeidão, separado de João, apesar de ambos serem torcedores apaixonados do Belo.
João tem dito a aliados que não pretende brigar com o ex-governador, mas todos sabem que Ricardo é bom de briga e já está ensaiando movimentos para retomar o controle da situação.
Nos bastidores, aliados do atual governador vêem com preocupação a costura de uma possível chapa para disputar a Prefeitura de João Pessoa, em 2020, com Ricardo na cabeça e o deputado Federal, Gervásio Maia (PSB) na vice.
A estratégia, partindo desse pressuposto, seria a seguinte: Ricardo, em se elegendo prefeito, deixaria o cargo em 2022 para concorrer ao Governo do Estado, enquanto Gervásio assumiria o Paço Municipal.
Por outro lado, com a futura chegada de Adriano ao Avante, anunciada por Genival, outros deputados, o 70 poderá servir de trincheira para que o governador possa disputar a reeleição contra seu ex-chefe.
De tudo isso, uma coisa já está quase certa: Ricardo e João, comeram juntos a pamonha de são João, mas o peru de natal, ambos comerão separados.
Ainda mais com as declarações do ex-governador nesta sexta-feira (26), ao reclamar que não tem dúvidas de que há pessoas tentando separá-lo do governador e ameaçou: "se eu sentir que o projeto do PSB está ameaçado, terei a obrigação de me pronunciar".
Fonte: Heleno Lima