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08.07.2016 - 05:46
Colégio de Líderes antecipa eleição para presidência da Câmara para terça
Em reunião tumultuada, o Colégio de Líderes decidiu antecipar para terça-feira (12) a eleição para presidente da Câmara dos Deputados. A data inicialmente marcada pelo presidente interino da Casa, Waldir Maranhão, era a próxima quinta-feira (14).
O Colégio de Líderes se reuniu extraordinariamente no fim da tarde desta quinta-feira (7) e decidiu, por maioria, marcar a eleição para as 13h59 da próxima terça. A inscrição de candidaturas poderá ser feita até o meio-dia da mesma data.Dois candidatos já se inscreveram: os deputados Fausto Pinato (PP-SP) e Carlos Henrique Gaguim (PTN-TO).Bloco partidárioA reunião de líderes desta quinta-feira foi presidida pelo deputado Jovair Arantes (PTB-GO), líder do maior bloco partidário da Câmara, composto por PP, PTB e PSC. Segundo ele, os líderes favoráveis à antecipação da eleição representam 280 deputados, mais da maioria absoluta da Casa."O Regimento da Casa permite que a maioria dos deputados – ou seja, 257 – possam definir o que vai ser feito. Então, nós pautamos [para terça-feira] porque há uma vacância de liderança neste momento, e o presidente [interino] não representa o conjunto dos líderes", disse.Adiamento na CCJOs líderes de PT, PCdoB e Psol não participaram da reunião. Já os líderes da Rede, do PSDB, do DEM e do PSB deixaram o encontro antes do término em protesto contra a antecipação da eleição para presidente da Câmara e contra o adiamento, de segunda para terça-feira, da reunião da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).Na reunião, a CCJ votará o relatório sobre o recurso em que o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) tenta anular a recomendação de cassação de seu mandato, feita pelo Conselho de Ética.O líder da Rede, deputado Alessandro Molon (RJ), criticou ainda a informação de que Cunha acrescentou documentos ao recurso na CCJ, o que pode provocar novos atrasos na análise do processo de cassação no Plenário da Câmara."Evidentemente que isso vai beneficiar e ajudar a salvar o mandato de Eduardo Cunha. É isso que está por trás [dessa decisão do Colégio de Líderes]. E nós não vamos participar dessa vergonha e desse atentado contra o Regimento Interno da Câmara para salvar o mandato de alguém que já não deveria entrar nesta Casa", disse Molon.O deputado Júlio Delgado (MG), vice-líder do PSB, já iniciou a coleta de assinaturas em torno de um requerimento para manter, na segunda-feira, a reunião da CCJ para analisar o relatório sobre o recurso de Cunha. A prioridade de Delgado e de outros deputados é que a decisão sobre o processo de cassação de Cunha aconteça em Plenário antes da eleição do novo presidente da Câmara."É um requerimento para a Comissão de Constituição e Justiça, com 22 parlamentares, para fazermos a votação em sessão extraordinária da CCJ no caso do deputado Eduardo Cunha, na segunda-feira, data anteriormente marcada", disse Delgado.Posição do governoO líder do governo, deputado Andre Moura (PSC-SE), rebateu insinuações de que a antecipação da eleição para presidente da Câmara e o adiamento da reunião da CCJ façam parte de uma manobra para beneficiar Eduardo Cunha. Moura também garantiu que o presidente interino da República, Michel Temer, não vai interferir no processo sucessório da Câmara."A decisão foi dos líderes. Enquanto líder do governo, nós fomos convidados, assim como o líder da Minoria, que não esteve presente. E essa decisão vai ser respeitada por conta do regimento. O que queremos é resolver o problema do novo presidente da Casa para que possamos ter estabilidade na Casa e votar as matérias de interesse do País. Não há, por parte do governo, nenhuma ingerência no processo interno da Câmara", disse Moura.Regras da eleiçãoA eleição para a presidência da Câmara será secreta e ocorrerá por meio de processo eletrônico. O novo presidente será eleito em primeiro turno se obtiver a maioria absoluta dos votos (metade mais um), em sessão que tenha quórum mínimo de 257 deputados. Caso contrário, será necessário um segundo turno.O candidato eleito substituirá Eduardo Cunha, que renunciou ao cargo de presidente nesta quinta-feira.Agência Câmara