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08.09.2019 - 05:36
Aproximação com a Organização Criminosa da era RC pode custar a cabeça de Comandante
São muitas e escabrosas as relações internas do esquema político do ex-governador Ricardo Coutinho, o homem que vomitava probidade e que se colocava acima de qualquer suspeita pelo teor do discurso republicano, com o qual chicoteava os adversários. As revelações do Gaeco tiveram para Ricardo o mesmo efeito das publicações da Vaza Jato em relação à reputação do ex-juiz Sérgio Moro hoje ministro e descendo a ladeira do descrédito na velocidade da luz.
Do todo insuspeito e probo Ricardo Coutinho, cuja reputação e patrimônio moral como homem público garantiu-lhe a hegemonia política no Estado, pouco restaria a se avaliar o resultado da manifestação de Monteiro, quando, nem o apelo ao sofrimento secular dos sertanejos, foi capaz de arregimentar gente para seu objetivo de detonar o desgastado presidente Jair Bolsonaro, alvo do repúdio dos nordestinos, pelo incontido ódio aos nascidos nessa região.
As revelações dos descalabros promovidos por auxiliares da mais estrita confiança do ex-governador, surpreendidos em selvagens ataques aos cofres públicos, reproduzindo o que celebrizou Chicago do velho Al Capone, jogou por terra toda credibilidade de Ricardo e seu discurso de moralidade soa agora aos ouvidos dos paraibanos, como demonstração de hipocrisia e de desfaçatez.
O que se vê e se sabe hoje como resultado das investigações e das delações premiadas é que estava incrustada no Governo dele uma organização criminosa azeitada desde os tempos da Prefeitura com o único objetivo de promover arrastões ao dinheiro público.
As delações revelaram as ações de pessoas que viviam a vociferar probidade e se diziam republicanas e cujo discurso tinha aquela faceta dos fariseus.
Esse grupo que foi exonerado tinha ramificações dentro do Governo e muita gente, que desfrutava da extrema confiança dele, permanece camuflada e estranhamente blindada mesmo com uma enxurrada de denúncias apontando para caminhos nebulosos, semelhantes aos percorridos pelos integrantes da Ocrim girassol.
Uma dessas figuras seria o comandante geral Euller Chaves cujo pescoço foi tirado da guilhotina pelo então procurador geral do estado Gilberto Carneiro cuja complacência e cumplicidade com o comandante podem ser medidas pelo despacho recomendando o arquivamento de um dossiê produzido pela Ouvidoria da Secretaria de Segurança Pública.
O dossiê, uma bomba de muitos megatons, seria explodia nos idos de 2013, quando a reputação desse pessoal era irretocável e a influência desmedida.
Mas, depois de formular o dossiê e de anunciar que revelaria seu teor em uma entrevista coletiva e de antecipar que havia encaminhado para o governador o conteúdo, denunciando irregularidades que apontava para o enriquecimento ilícito de oficiais da PM, supostamente entre eles, o coronel, a ouvidora Valdênia Lanfranchine foi subitamente exonerada pelo governador Ricardo Coutinho e a entrevista desmarcada de última hora.
O dossiê foi arquivado por recomendação do hoje suspeitíssimo e encrencadíssimo
No despacho, Gilberto desconsiderou todas as denúncias contidas no dossiê, qualificadas de improcedentes e inconsistentes pelo hoje réu nas diversas ações que correm contra ele na Justiça acusado de participação ativa nas ações que causaram prejuízos aos cofres públicos, como denuncia a Operação Calvário.
Essa cumplicidade não seria bem vista no cenário atual, e o teor do despacho, sumário, recusando e impedindo a apuração das denúncias, partindo de um homem cuja reputação foi estraçalhada pelas investigações da Operação Calvário, tornam o comandante geral extremamente suspeito, já que a lama do que foi apurado e afogou velhos e queridos companheiros, sobe as calçadas da Praça Pedro Américo, e borrifa as pontas do seu coturno.
O deputado Gilberto Silva já pediu a divulgação do conteúdo do dossiê sepultado de forma misteriosa, mesmo se sabendo que existe cópia dele nas gavetas do Ministério Público, cuja omissão compromete as demais operações em andamento porque passa a impressão de seletividade, já que para uns há investigações e para outros não.
De acordo com matérias divulgadas à época, as denúncias giravam em torno de enriquecimento ilícito de oficiais da PM, como também de promoções irregulares no comando do coronel Euller.
Apartamentos suntuosos teriam sido adquiridos em condomínios de luxo, em bairros elegantes da capital como o Altiplano e o Bessa, e as unidades custariam algo em torno de 1.500.000,00, incompatíveis com os vencimentos dos acusados.
Oficiais da polícia militar cobram do governador João Azevedo a divulgação do conteúdo do dossiê até para preservar a reputação do comandante caso ele não tenha nenhum relação com as denúncias apesar do seu silêncio tumular sobre o assunto agora cada vez mais nebuloso haja vista que a determinação pelo arquivamento partiu de um réu cuja credibilidade foi reduzida a zero pelo resultado das investigações da Operação Calvário.
A pergunta que circula nos corredores dos quartéis da PM seria sobre as razões para o arquivamento de denúncias, cujo teor jamais chegou ao conhecimento publico.
A indagação é: O que poderia conter o dossiê de tão bombástico para ser arquivado sem nenhum tipo de apuração levando-se em conta que ele foi formulado pela Ouvidoria da Secretaria da Segurança Pública, um órgão que merece credibilidade e respeito.
Agora, nos dias atuais, quando se sabe da periculosidade do autor do arquivamento, qualquer suspeita ganha veracidade e seria do interesse do coronel divulgar seu teor para que dúvidas não pairem sobre ele e sua reputação não fosse tão questionada.
É notória a aproximação do coronel Euller com os acusados na Operação Calvário e assim que foi determinada a prisão da secretária Livânia Farias, o coronel lhe fez uma visita de “cortesia”, nas dependências do quartel que, de tão estranha e absurda foi proibida pelo desembargador Ricardo Vidal, já que a mesma passou a impressão de coação e ameaça à presa.
Apesar de suas intrincadas relações com o grupo criminoso e da evidente cumplicidade do ex-procurador, cujos atos tornaram-se suspeitíssimos, depois das revelações da Operação Calvário, o coronel continua desfrutando de credibilidade e agindo como se não pairasse sobre ele nenhuma suspeita e não existissem dossiês elaborados pelo próprio Governo contra ele.
Ainda dentro dos muros dos quarteis, outra pergunta não quer calar e precisa de resposta: os oficiais querem saber quando o canal das promoções será desobstruído e os tentáculos do comandante amputados para que a corporação possa respirar.
Segundo esses descontentes, a exoneração do comandante Euller abriria cinco vagas para coronel, o que já seria um alento para a tão ansiada renovação da corporação. (com jampanews)