Página inicial

Notícia > Educação

  • 30.04.2015 - 05:31

    Por que parar nunca deve ser uma opção?

    Aumentar fonte Aumentar fonte Diminuir fonte Diminuir fonte

     Daniel Sena

    Na última semana, enquanto conversava com uma aluna sobre seus estudos, ela me confidenciou algumas das suas atitudes que a afastavam do grande sonho de se tornar uma servidora pública. Estudando há aproximadamente cinco anos, ainda não conquistou a tão sonhada vaga no serviço público e isso está relacionado diretamente a um comportamento que ela tem demonstrado ao longo de sua caminhada: após cada prova, ela para de estudar e só retorna no próximo edital.

    Mesmo agindo desta forma, ela conseguiu ser aprovada em um concurso no seu Estado. Ficou um pouco fora das vagas, mas o suficiente para renovar sua esperança de tornar-se servidora. Contudo, por ter ficado fora das vagas, não havia um direito subjetivo de nomeação, mas ela acreditou que por estar apenas três posições após o último aprovado dentro das vagas poderia ser chamada ao longo do prazo do concurso. Passados dois anos, o concurso foi prorrogado por mais dois anos, tendo chegado ao fim do seu prazo em dezembro de 2014 sem que ela fosse nomeada.

    O que aconteceu com essa aluna é um problema recorrente na vida dos concurseiros. Muitos não conseguem entrar no serviço público simplesmente porque param de estudar antes da hora. 

    A grande questão é: qual a hora de parar de estudar? Só existe um momento em que se deve parar de estudar e este momento é quando você estiver no órgão em que deseja trabalhar pelo restante da sua vida profissional. Enquanto isso não acontecer, você deve continuar estudando.

    Quando você para de estudar, por qualquer motivo, o seu cérebro percebe que aquelas informações não são mais tão relevantes e as coloca lá no fundo. Imagine que seu cérebro seja um grande corredor cheio de gaveteiros com todas as informações que você tenha adquirido ao longo da vida. E ele é tão poderoso que guarda tudo mesmo! Mas algumas informações ficam guardadas mais no fundo do corredor. Agora imagine que tenha um homenzinho com um carrinho que é responsável por achar essas informações todas as vezes que você precise utilizá-las. Quando as informações são usadas com frequência, o homenzinho, que é muito esperto, as coloca nos primeiros gaveteiros para que não precise percorrer todo o corredor atrás do que você precisa. É mais ou menos assim que seu cérebro funciona. Por isso que quando repetimos um comportamento é mais fácil aprendermos.

    Se você já tem carteira de habilitação, lembre-se de quando aprendeu a dirigir. O primeiro dia eu tenho certeza que foi um fiasco. Você provavelmente confundia os pedais de embreagem e freio e não tinha o tempo certo para passar a marcha. Agora, depois que você repetiu várias vezes esse comportamento, provavelmente nem precise pensar mais em como se dirige. Isso é porque esse processo já é executado de forma inconsciente. Quanto mais vezes você repete o comportamento do mesmo jeito, mais fácil será para repeti-lo. Quanto mais você precisar usar a informação, mais perto o homenzinho a coloca para que você a utilize quando quiser.

    Agora, imagine que você não esteja utilizando as informações com frequência. O homenzinho as colocará lá no fundo do corredor para abrir lugar para outras informações que você precise utilizar de forma mais recorrente. É por isso que quando você para de estudar por um tempo, tem a impressão de que esqueceu tudo. Não é que você esqueceu. As informações continuam lá no seu cérebro, contudo, não são fáceis de serem resgatadas porque estão lá no fundo do corredor.

    O efeito de quem começa a estudar e para antes de ser nomeado é altamente destrutivo. Quem estuda e para fica como essa aluna, muito tempo sem obter o resultado esperado. Quem só estuda com o edital aberto passa pela mesma experiência.

    O efeito mais benéfico do estudo vem pela continuidade. Não parar de estudar é mais poderoso do que estudar muitas coisas de uma vez. Quem não para de estudar acumula informações que com o passar do tempo não exigem mais força do seu cérebro para serem resgatadas. Quem não para de estudar simplesmente atinge seu objetivo.

    Quando você estuda sem parar, o conhecimento vai se fixando automaticamente e seu cérebro passa a ter mais rapidez em utilizá-lo. Quando você para por qualquer motivo, terá que dispensar muita energia para resgatá-lo. Por isso as pessoas desistem de estudar para concurso. Elas começam e param, começam e param, e aí as informações nunca se fixarão como devem, gerando a sensação de que não estão aprendendo.

    Como fazer para ter as informações sempre a sua disposição? Simplesmente, nunca parede estudar! Quanto mais você estuda, quanto mais você faz exercícios, quanto mais você repete todo esse processo, mais as informações ficam gravadas, facilitando a sua utilização. Mesmo que você já tenha sido aprovado e esteja esperando sua nomeação, não pare de estudar. Nunca se sabe quando você será nomeado e com todo esse conhecimento acumulado é possível que você consiga ser aprovado em outros concursos enquanto aguarda ser chamado.

    Eu levo um ensinamento comigo que tem sido muito útil: abra o máximo de portas que puder, depois decida em qual deva entrar! Ou seja, enquanto você não alcançar sua aprovação, continue estudando. Só assim você abrirá a porta que mudará a sua vida para sempre.

     

    Daniel Sena é diretor do AlfaCon São Paulo, professor de direito constitucional e especialista em concursos públicos.Twitter:@ProfDanielSena. Facebook: /Profdanielsena.