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  • 22.01.2016 - 06:38

    Aprovada pelo Sisu fez 900 exercícios em 2 semanas

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    A estudante Sílvia Helena Ferraz Planard, de 18 anos, foi aprovada em 4º lugar de medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e revelou um dos "segredos" para ter conseguido a nota necessária. Depois de ter desempenho abaixo do esperado no Enem dos últimos dois anos, quando prestou como treineira, ela decidiu se preparar melhor e fez 900 exercícios nas duas semanas que antecederam o exame.

    Segundo a jovem de Piracicaba (SP), o bom desempenho no Enem aconteceu também porque ela entendeu as peculiaridades da prova e se preparou para ela. "Eu comprei um livro de 500 páginas com simulados do Enem e provas anteriores, e fazia 90 questões por dia, até na sala de aula. Nas duas semanas antes da prova devo ter feito uns 900 exercícios parecidos com o Enem", relatou.

    Com os 799,92 obtidos com a nota do Enem, Sílvia conseguiu a aprovação no campus de Macaé da UFRJ com 807,41. A estudante explicou que cada instituição define qual peso ela dará para cada matéria do Enem. "Em Macaé eles colocam peso três na redação, e eu tirei 960 na redação do Enem. No outro campus da federal do Rio de Janeiro, o corte foi 824,74. Talvez eu passasse só na segunda ou na terceira chamada", disse.

    Pensei que não passaria por ser apenas 15 vagas"
    Silvia Planard, aprovado em 4º

    Sílvia ainda afirmou que estava confiante quando chegou para fazer a prova porque, apesar de não saber as respostas, ela conhecia o "estilo" das questões. "O Enem é uma prova longa e chata. Eu tentava fazer os 90 exercícios, mas dava 22h eu ia dormir, pois não adianta nada ficar cansada a semana inteira antes do Enem. O Enem é uma prova que também testa o quanto você aguenta".

    Surpresa
    Quando soube que foi aprovada em 4º lugar na UFRJ, Silvia e mãe, que estava com ela no momento da consulta do resultado, ficou surpresa. Ela explicou que achou que não fosse passar por conta da instituição oferecer apenas 15 vagas. "Achei que não passaria. Minha mãe ficou super feliz por mim, começou a fazer festa, a gritar, ligou para o meu pai. Minha irmã também ficou feliz”, contou a jovem, que tem uma irmã gêmea.

    A federal do Rio de Janeiro foi o primeiro resultado divulgado da lista de opções de Silvia. A garota ainda aguarda as notas das segundas fases da Unesp, USP, além das provas e entrevistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e no Hospital Israelita Albert Einstein.

    "Se eu passar em mais de um, vou ter que pensar bem para escolher. Todas as faculdades são ótimas. O meu interesse pelo Einstein é porque é a primeira turma de medicina que o hospital está abrindo, então eu acredito que eles vão investir pesado no curso, para tentar se consolidar entre as melhores do Brasil”, explicou.

    Medicina
    Silvia disse ainda que sempre teve interesse pela área médica, mas só contou aos pais e amigos que pretendia prestar vestibular para o curso em agosto do ano passado, quando teve certeza do caminho que iria seguir.

    “Sempre achei a medicina interessante, porque ela evolui com uma rapidez impressionante se comparada a outras profissões. Os principais pesquisadores ainda fazem descobertas quase diariamente e revolucionam de uma maneira muito intensa a vida de muitos pacientes”, afirmou.

    Filha de economista e engenheiro agrônomo, a estudante revelou que os pais ficaram assustados com a decisão da estudante. "Perguntaram se era isso mesmo que eu queria, se eu tinha certeza. Ficaram surpresos. Mas, depois, quando entenderam que era isso mesmo, eles me apoiaram. Se você não tem ajuda dos pais nessas horas, você não consegue nada”, disse.

    Nota de corte
    O curso de medicina do campus Cidade Universitária da UFRJ teve a maior nota de corte da primeira edição do Sisu 2016. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a nota mínima para conseguir uma vaga na modalidade ampla concorrência foi de 824,74 pontos no Enemx. Se considerado apenas os que concorreram por meio da modalidade cotas, a nota de corte foi de 801,19 pontos.

    Em dezembro, o G1 já contou a história da jovem quando ela chegou a levar uma lanterna ao vestibular da Unesp, depois do local onde ela fazia a prova, o campus taquaral da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), passar por um "apagão" no primeiro dia. "Isso coloca em risco meu desempenho por algo que é externo às minhas obrigações", relatou à época. (Laila Braghero/G1)