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  • 25.05.2017 - 05:50

    Operação desmonta organização criminosa especializada em roubar e clonar veículos

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     Na manhã desta quarta-feira (24) mais dez homens foram presos suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada em roubar e clonar veículos para vender depois nos estados da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. De acordo com o delegado Nélio Carneiro, titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos, “80% dos carros que eram roubados eram em Natal e Recife porque vendiam carro aqui também então é fácil um carro ser reconhecido por um detalhe e eles não queriam correr esse risco”.

    A ação de hoje faz parte da terceira fase da Operação Clone e contou com o apoio de policiais civis do Grupo de Operações Especiais (GOE) e da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (Roubos e Furtos). “É a maior apreensão de veículos em uma única operação do Brasil. 69 veículos foram apreendidos e foram clonados e adulterados por essa organização criminosa”, afirmou o delegado Nélio Carneiro.

    O valor total arrecadado pela quadrilha com as fraudes ainda não foi totalmente levantado. Mas Nélio Carneiro adianta que “são somas absurdas que eles obtiveram de maneira ilícita. Ultrapassa os milhões pela quantidade de veículos”. Eram comercializados desde veículos populares a importados e o preço para regularizar era tabelado, sendo que a quadrilha pagava R$ 2 mil em cada um deles.

    O delegado ainda explicou o modo de atuação da quadrilha. Quando os veículos roubados chegavam em João Pessoa eram deixados em algum estacionamento, como o do Hospital Santa Isabel, por exemplo, por aproximadamente dois dias para ter certeza de que não eram rastreados. “Depois de dois dias eles pegavam o carro, adulteravam, clonavam e vendiam o veículo. Nós acreditamos que eles já estivessem fazendo isso há seis ou oito meses pela quantidade”, explicou.

    Foram cumpridos 10 mandados de prisão temporária, quatro conduções coercitivas e um mandado de busca e apreensão. Dois suspeitos investigados nesta fase já haviam sido presos anteriormente em flagrante e estão recolhidos no Presídio do Róger, em João Pessoa.

    Dentre os presos estão dois policiais militares, dois despachantes e um empresário que foi preso ontem em Sertânia, em Pernambuco. Logo em seguida devem ser iniciadas as investigações para deflagrar a quarta fase da Operação Clone. “Com a perspectiva de uma nova etapa, nós podemos chegar a 80 ou 90 carros que essa organização criminosa manipulou”, adiantou Nélio Carneiro.

    Mandados de Prisão temporária que foram cumpridos e participação dos suspeitos:

    João Batista Ferreira Junior atua como corretor de veículos em Sertânia, Pernambuco. Ele adquiriu pelo menos cinco veículos ilícitos para serem revendidos em Pernambuco.

    José Valter Barbosa dos Santos trabalha como despachante junto ao Detran de Santa Rita e negocia veículos. Ele foi citado como responsável em providenciar as segundas vias das documentações veiculares junto ao Detran.

    Josenildo da Silva Avelar  trabalhou como motorista e intermediador de compras e vendas de veículos para a organização criminosa na região de Mamanguape, Rio Tinto e Marcação. Foi reconhecido por testemunhas como vendedor de veículos clonados e já havia sido preso em flagrante com um carro clonado.

    José Fernandes Junior adquiriu quatro veículos da organização criminosa da Operação Clone I. Ele tinha o hábito de negociar veículos com o grupo.

    Nilson Fernandes da Silva é comerciante autônomo de compra e venda de automóveis na região do Vale do Mamanguape. Em áudios e conversas flagradas pela polícia no Whatsapp foi demonstrada forte e extensa atuação dele nas compras, vendas e trocas de veículos de origem ilícita.

    Rodrigo Rosseto Nogueira adquiriu dois veículos da organização criminosa sabendo de sua origem ilícita e responde a processo por estelionato na Paraíba e no Mato Grosso do Sul.

    Luciano Silva é policial militar e exerce paralelamente a função de corretor de imóveis. Em áudios e conversas flagradas pela polícia no Whatsapp ficou demonstrado seu entrosamento com o grupo criminoso e sua engajada atuação na comercialização de veículos ilícitos. Ele também foi flagrado em uma gravação em que ameaça de morte um dos integrantes do grupo devido à negociação de veículos.

    Severino do Ramo Tibúrcio da Silva é policial militar e apareceu nas investigações após adquirir um veículo no mês de janeiro. Ao tomar conhecimento de que o carro era um clone, ele devolveu ao vendedor ao invés de acionar a autoridade competente, de acordo com a investigação.

    Wiliam Soares de Araújo atua como despachante junto ao Detran. Ele seria um dos responsáveis pela retirada do Certificado de Registro e Licenciamento de veículos (CRLV). Várias denúncias identificaram ele como integrante da quadrilha suspeito de “esquentar” e vender os veículos provenientes de roubos e furtos.

    Fia tem uma vasta ficha policial e seria o responsável pelo roubo ou furto dos veículos que eram clonados.

    Fábio Venceslau da Silva atuava na organização criminosa com a função de remarcar o chassi e o motor dos veículos roubados ou frutados. Ele é conhecido no mundo do crime como exímio “clonador” de veículos e recentemente foi preso em flagrante realizando a remarcação de quatro motocicletas com restrição de roubo ou furto. O suspeito encontra-se recolhido no Presídio do Roger.

    Robson Ribeiro Souza foi apontado como auxiliar na elaboração das adulterações dos veículos com restrição de roubo ou furto. Ele já havia sido preso em flagrante com quatro motocicletas clonadas. O acusado também está recolhido no Presídio do Róger.