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Colunas de Lourdinha Luna


  • 10/04/2017

    As águas no Curimataú


     Quando em 2007 teve inicio a execução do PLANO DE TRANSPOSIÇÃO DE ÁGUAS DO SÃO FRANCISCO, para a Paraíba, com a indicação de que as águas só chegariam até Campina Grande, desesperei. Procurei o Engº Civil-Militar Cel João Ferreira do GE e o deputado Francisco Quintãns os responsáveis maiores pelo traçado da Paraiba. para saber por que o Projeto deixara de fora do beneficio a região mais seca do Estado, o CURIMATAU. Eles me disseram - PARA NÃO ENCARECER O PROJETO. Eu, então, lhes comuniquei, que na seca de 1932 o cofre público estava vazio, em face da revolução de São Paulo, naquele ano. Só havia um caminho para não deixar morrer de fome e sede o Nordestino, senão tomar empréstimo na Inglaterra em libra esterlina (ouro) para implantar o sistema de açudagem.

    Vinte anos depois o Consul da Inglaterra no Brasil avisava que o debito fora saldado pelo mesmo Presidente - GETÚLIO VARGAS QUE O HAVIA SOLICITADO.Já se vê que o dinheiro público bem aplicado rende dividendos humanos.

    Os açudes estão por todo Nordeste e nenhum arrombou, de tão sólidos e bem-feitos. A noticia de que a CAGEPA NÃO SERÁ PRIVATIZADA e fará a transposição de águas para o Curimataú, peço a Deus que me permita aplaudir esse maravilhoso feito.


  • 29/03/2017

    A ingratidão


     O individuo que não é grato é molesto, desagradável, portanto abominável para a convivência. Esta semana dediquei-me a ler comentários em jornais, Faces e outras formas de inserção

    do pensamento, em relação ao feito de maior projeção que os nordestinos receberam até então. A Paraíba, em sua trajetória desde 1585 quando do inicio de sua construção como cidade, até os dias atuais fora agraciada com dois grandes feitos.

    A criação da UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA, em 1951 e dia 10 de março de 2017, a TRANSPOSIÇÃO DE ÁGUAS DO SÃO FRANCISCO, possivelmente até Campina Grande. A parte mais seca do Estado - o CURIMATAU foi desconsiderado, para não encarecer o projeto. Lembrei-me e não posso ocultar o que se passou em 1932, para que todo o Nordeste não morresse de fome e sede. O cofre federal estava em ruínas... O Presidente Washington Luiz só teve olhos para alimentar a "guerra" fratricida de Princesa. Mas, a única saída para aliviar o sofrimentos com os 3 anos de seca (começou em 1930) era tomar por empréstimo a Inglaterra em libra (ouro) uma quantia para tocar os grandes açudes que ainda abastecem a região sedenta de água.

    Vinte anos depois a divida estava paga, pelo mesmo Presidente (Getúlio Vargas) que se responsabilizou pelo débito. A alegria do Ministro que intermediou a transação - JOSÉ AMÉRICO - ainda lhe encheu os olhos de lágrimas, ao receber do Embaixador da Inglaterra no Brasil o documento que quitava a transação.

    Não sejamos ingratos a transposição é fruto da vontade do Presidente Lula, Dilma e Temer . E também dos que no percurso dos trabalhos acompanharam sua trajetória e nas últimas horas dos que não deixaram o empreendimento estacar...


  • 16/03/2017

    As águas chegaram


     Na chegada das águas do São Francisco à Paraíba, há quem se arvore em patrono do feito. No entanto, cabe ao deputado de Sumé, Francisco de Assis Quintans e ao engenheiro civil-militar João Ferreira Filho, que aportou no gabinete do legislador, no PL, na década de 90, para servir à transposição, ainda embrionária. Lutaram, além da conta, para que o Nordeste sofrido contasse com o excesso hídrico do rio da Integração Nacional, que tem sua decantação no mar...


    Quando da ausência do cel. João Ferreira, no cooper do Cabo Branco, ele estava em São Paulo, a convencer Empresários para encampar a causa que livraria sua cidade da superlotação, quando a seca castigasse a região nordestina. O coronel visitou Estados mais avessos ao plano - Bahia, Sergipe e RGN.

    O trabalho intenso, na construção do entendimento para a obra gigantesca, deu resultados satisfatórios.

    Enfim, a promessa da transferência hídrica, oficializou-se em 2006, quando no 2º turno da eleição para a presidência da República. Em João Pessoa, em comício no Parque Solon de Lucena, em presença do candidato a governador da PB, José Maranhão, o Presidente Lula anunciou que iniciaria o projeto em 2007, com entrega em outubro de 2012. A partir do aviso nomes da Paraíba juntaram-se ao deputado Marcone Gadelha para o indispensável apoio parlamentar à sua execução. Na reta final outros se achegaram e visitaram os trabalhos, que emperraram na fase final e cobraram sua conclusão, ante a ameaça de faltar água, que é vida, no território paraibano.

    Estendeu-se a data da inauguração, que deixará de fora a parte mais árida, o Curimatau, para não encarecer o projeto. Apesar dos percalços seu advento à Paraíba está marcado. A despeito da pugna e demora, as secas futuras terão opositor e com antecipação podemos cantar vitória, Hoje façamos justiça ao ex-Presidente Lula e aos primeiros adeptos da campanha na Paraíba: Assis Quintans, João Ferreira e Marcone Gadelha, em respeito à história que não deve ser maculada.


  • 22/02/2017

    Indignação


    Na semana passada a sociedade brasileira se indignou com a farsa montada pelo Ministério da Educação para deixar os inativos, de fora da esmola de R$100,00, concedida aos professores da ativa, do Ensino Fundamental.O desestimulo com a categoria se não concorre para fechar os Cursos Pedagógicos, desestimulam os jovens a procurá-lo.

    A maioria dos aposentados têm proventos de R$1.900 reais. Daqui a alguns anos quem vai "desarnar" crianças se não haverá pessoas capacitadas para a função professoral.

    O Congresso Nacional deveria cuidar de conceder aos que abraçam a carreira, perigosa, nos dias atuais, meios financeiros para chegar a aposentadoria sem carecer mendigar.

    Em contra partida os jornais brasileiros, de hoje, informam sobre os milhões que a Previdência Social paga a congressistas para que tenham mansões, carros importados, iates com salas de banquete, para receber altas autoridades.

    A mordomia se processa por via do sacrifício da maior parcela dos que contribuem para uma aposentadoria que o Temer quer empurrar na população aos 65 anos de idade. Dou como exemplo entre os muitos citados o deputado Humberto Souto (Arena e PFL) após 20 anos de contribuição (mínima) aposentou-se .com R$27,800,00. Entrou no TCU (sem concurso) e rejubilou-se com 60 anos de idade e R$37,200,00 (além do teto constitucional), perfazendo R$R$65.000,00 mensais. A esses elementos pouco importa que 12 milhões de desempregados passem fome, sede de água, alimentos e de Justiça.


  • 06/02/2017

    Aumento salarial dos professores


     O dia de hoje (28.01.17) amanheceu mais alegre. Até uma chuva, que baixou a temperatura, deu o ar de sua graça, para se irmanar à satisfação de uma classe que arrisca a vida para cumprir sua missão.

    RICARDO COUTINHO que, como CHEFE DO ESTADO, paga ao funcionalismo dentro do mês trabalhado, determinação que trás segurança e regozijo ao funcionalismo.

    Seguindo as diretrizes da lei federal (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO) nº 11.738 de 16 de julho 2008, que estabelece como 1º de janeiro o reajuste do PISO NACIONAL DOS PROFESSORES, concedeu- deu-lhes um aumento de 7,64%. ÀQUELES QUE ESTIVESSEM EM SALA DE AULA.

    Sei que não é muito mas é salutar incorporar mais, mesmo que seja pouco. É lamentável que tenha ficado de fora do benefício, os APOSENTADOS, desde que a majoração não é sobre o padrão mas na BOLSA DESEMPENHO, item que não consta da situação dos INATIVOS.

    Porém, carentes, numa fase da vida em que os REMÉDIOS são os donos dos ínfimos salários do grupo professoral. Aliás é o 1º ano que se adota o estilo perverso de fruição do direito adquirido, por aqueles que se deram a uma profissão a qual deveria ser pago o RISCO DE VIDA, TÃO PERIGOSO É ENSINAR NOS DIAS DE HOJE.

    Meu mestre Valdemar Luna, o mais alto Executivo do Banco do Brasil, quando se apresentada dizia: "Sou professor". No seu entender a função mais dignificante que alguém pode vivenciar. Nesse conceito se incluía José Américo ao afirmar que em seu CURRÍCULO VITAE faltava-lhe a designação - PROFESSOR. JP.28.01.2017. - Assim pensavam os homens que tinham a ombridade como lema. .JP 28.01.2017


  • 13/01/2017

    Praga pega


     Enquanto aguardava (hoje) que a neblina passasse, em resguardo de apanhar uma constipação, pois uma cigana me disse que o chuvisco é mais “perigoso” do que uma chuva pesada. O defluxo pode virar gripe que algumas vezes chega a coisa pior. Na espera ouvi de um grupo um comentário sobre praga, uma imprecação maldosa contra uma pessoa.

    Há uma adágio antigo que diz: “praga de urubu não pega em cavalo”. Numa tradução livre significa que se o praguejador deseja o pior para alguém e se sua intenção for maliciosa nada o humano tem a temer.

    Um dos questionados afirmou que sim - praga pega. E contou um caso em que um sujeito, usando da situação privilegiada que dispunha, cortou benefícios de carentes. Os atingidos com o golpe se juntaram e imploraram (não disseram a quem) que ele fosse mal sucedido no empreendimento que era seu sonho. “E perdeu pelo pé...” .

    As palavras ditas com determinação têm poder. Nas preces que fazemos ao Céu, com fé cristã, se não recebemos de imediato a resposta, a esperança nos alenta a alma. As orações, mantras, também são uma forma de atribuir força às palavras que tem poder para o bem. O que desejamos para alguém, como um bumerangue, volta para nós. Dai devemos desejar luz até para os inimigos.
    A cabala o braço místico do judaísmo, diz que 72 palavras são “mágicas”. Basta pronunciá-las para que algo se realize. Creio que nesses casos vale a fé, porque a prece, segundo Machado de Assis “ é a escada misteriosa de Jacó. Por elas sobem aos céus as nossas preces por ela descem as divinas consolações.”
    Praga para fazer o mal não têm força junto a quem traz Jesus no coração. 


  • 03/12/2016

    O presidente do Senado


    É entristecedora a situação do Senador Presidente do Senado. É lamentável se constatar que um cidadão brasileiro, após ter alcançado posição politica, desde jovem, através de cargos públicos bem remunerados, suje seu currículo, com manchas de corrupção.

     

    A simples aproximação do Poder insinua influência nas áreas de votos e chegar à culminâncias relevantes se sucedem, sem grandes esforços. Qualquer Casa do Congresso é um banco que oferece condições ao seu Presidente de ajudar os que recorrem à sua benevolência. Em especial quando esse homem é inteligente, forte nas atitudes e bem quisto entre seus pares.

    Cada vez mais a Nação perde elementos de valor e inteligência, embriagados pelo poderio oscilante da perversão. Já se foi Eduardo Cunha, o finório Presidente da Câmara Federal.

    Quantos brasileiros vivem vida simples e até de intenso sacrifício e conservam-se fieis aos princípios éticos impostos pela moral e os bons costumes. A sociedade exige punição para os de comportamento fora da lei. Repito é deplorável o que acontece com Renan Calheiros, mas deve ser penalizado para que não só a arraia miúda pague por seus erros.


  • 24/11/2016

    Nome na história


     É natural que o Presidente do PL Adriano Galdino, que não teve, nos últimos tempos, sua lua cheia na politica, queira deixar seu nome na historia da Assembléia Legislativa.

    Com a verba que amealhou acrescida com a economia no corte de medicamentos que o Poder fornecia, anos seguidos, a seus funcionários, é normal o desejo do deputado de deixar seu nome nos Anais da Casa.

    O Poder Legislativo é dono de acomodações excelentes na Duque de Caxias, de onde foram retirados os serviços para casas alugadas a altos preços. O Serviço Social tem a dependência inicial para um processo na rua Dom Pedro I (Centro) e sua continuidade, obrigatória, está na rua Capitão José Pessoa, em Jaguaribe.

    A dificuldade de estacionamento obriga o servidor a chegar às 6 horas e aguardar o horário das 10 horas para começar seu processo, desde que o expediente é exíguo em dias e horários.

    Recupere Presidente o imóvel arruinado da Epitácio Pessoa e junte as atividades funcionais dispersas, que prestará um grande bem a quem precisa visitar esses endereços.

    Porém deixe onde está a sede do Poder Legislativo, construído por Ernani Sátiro para fazer a Praça dos Três Poderes, no local onde o Presidente areense João Lopes Machado ergueu a sede e as oficinas do jornal A União, considerado por José Américo como a primeira Escola de Jornalismo da Paraíba.

    Resta-me desejar-lhe êxito em sua caminhada.


  • 09/10/2016

    Os lembrados de ontem


    O advogado João Dantas e Ulisses Guimarães foram lembrados em data de 6.10.2016. O 1º trucidado covardemente na penitenciaria do Recife, em regozijo pela vitoria da revolução de 1930, acontecida no dia 3 de outubro.

    O segundo o SENHOR DIRETAS JÁ, além de outros títulos, com que em vida fora reverenciado, atendia pelo onomástico de batismo ULISSES GUIMARÃES, um politico e caçador de sonhos. Deu ao pais a Constituição, que a crismou de "cidadã", em 1988.

    Assumiu o MDB que passou a PMDB e o dignificou, com a coragem dos heróis. Como agremiação oponente atraiu o respeito do Regime Militar em vigor.

    Apaixonado pela ideologia partidária, ia ao extremo de dizer: " quem não se interessasse por ela, também não se interessava pela vida." Fez da politica sua arma e sua barda.

    Vivo teria completado 100 anos. Tive a honra de apertar sua mão em São Paulo, ouvir o relato de sua luta, numa voz branda e sofrida e dei-lhe meu voto para Presidente da República. Será que o SENHOR CONSTITUINTE, de onde se contra, vê o seu amado PMDB afogado na lama da corrupção? É lamentável.


  • 04/10/2016

    Os vícios da eleição


    Por mais que a Justiça condene a COMPRA DE VOTOS não há quem segure o movimento de venda da consciência. E quando na comuna o magistrado é benevolente, não carece mais de discrição. Montam o comercio em qualquer esquina e o leilão abre o pregão: "quem dá mais...quem da mais..." A prudência está fora de moda em SOLÃNEA.

    Embora o município abrigue gente boa, sincera e amiga, existem os aproveitadores, os falsos, os traiçoeiros, que endeusam o Prefeito, ou o ex-Prefeito, com vistas às suas próprias vantagens funcionais e comodidades, nos veraneios em casa daqueles que vão trair... São os Judas da politica partidária.

    Lamento que meu sobrinho universitário, politico por vocação, de fé cristã, jovem, sem vícios e de bom comportamento, FRANCISCO DE ASSIS DE MELO JUNIOR, tenha se decidido disputar um cargo de Vereador em SOLÂNEA, sua terra natal. Contudo foi uma oportunidade para se conhecer a ação de amigos fies que rezam pela cartilha da amizade ou da gratidão.

    Ao apoiarem o filho digno e puro, do doutor CHIQUINHO, em sua pretensão, sabem que o candidato não comprou voto (uma exceção), ofereceu um programa que beneficiará todas as classes e por suas virtudes e conhecimento jurídico será um destaque na Câmara.

    Agradeço aqueles que não venderam SUA HONRADEZ, afago agradecida a todos os familiares, que preservam nossa origem, enfim aos sem medo de ser correto. Também abomino quem favorecido pelo ex-Prefeito doutor Chiquinho, de longe, descartou o nome de seu filho para a vitória, apoiando outro. Vitorioso e agradecido aos solanenses que sufragaram seu nome estão o sobrinho e a tia.


  • 09/09/2016

    Impeachment de Dilma


    Espantou-me a resiliência e autoridade de quem vem sendo bombardeada há dois anos, pelo que há de mais suspeito no Congresso Legislativo do pais. Na cova dos trânsfugas e ingratos não há mais lugar a preencher. Não sou petista e entendo que falta a Presidente, na atual conjuntura, condições para governar. No entanto, que sou capaz de, com isenção, comentar os fatos.

    ilma se defendeu e foi ouvida com atenção, em respeito a sua coragem e decisão de relatar os fatos., no Plenário do Senado Federal., ontem, 29.08.2016. Respondeu às perguntas maliciosas de seus inquisidores, com argumentos válidos e observações criteriosas que, pelas faces se notava o quanto repercutia em seus íntimos as revelações pertinentes que deram causa ao processo de inquisição.

    Quem acompanha, pela mídia e os debates nas Casas Legislativas, sabe que o motivo especial, de seu afastamento, diz respeito ao inconformismo do PSDB com a derrota, de 2014, que o distanciou do Poder. Desamparado, o Partido perdedor, aliado ao ex-denodado PMDB valeram-se do deputado EDUARDO CUNHA, que selecionou entre os vários pedidos de impeachment, um que não o envolvia e conseguiu apear DILMA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.

    Grave são as denuncias de corrupção contra o ex-Presidente da Câmara dos Deputados, porém, com a proteção do interino MICHEL TEMER, do PMDB e acolitado pelo PSDB e partidos menores, Cunha vai ser devolvido às suas atividades e só mais adiante, derrubará o amigo do peito,TEMER, porque ESSA VIDA É UM BUMERANGUE, A ARMA ATIRADA, RODOPIA E VOLTA AO ATIRADOR. Acautelem-se os que não gostariam de ver seus nomes citados na tramoia, pois em breve as livrarias estarão cheias de livros relatando a falsa que já entrou para a historia do século XXI do Brasil.


  • 14/08/2016

    Como entender?


    Quem visita Areia lê em sua entrada uma placa indicativa que chama a atenção: “Terra de Pedro Américo”. Ao deixar seu berço, aos 10 anos de idade, para integrar. como desenhista, a missão científica do naturalista Jacques Brunet, estudioso da flora e fauna do Nordeste brasileiro, nunca mais o menino prodígio voltou à sua serra, nem fez sobre ela um traço para contentar os areenses.

    Nem quando foi eleito deputado federal, por Areia, ele encontrou tempo para um afago àquela que o destacou no plano político. Ao criar em projeto constitucional três Escolas de Ensino Superior, beneficiou o Pará e outros Estados, nenhuma para a Paraíba. 
    O historiador Horácio de Almeida ao tentar repatriá-lo e sepultá-lo no Brejo de Areia valeu-se de artifícios ante a oposição de patrícios, magoados com o desprezo que dedicara às suas raízes. O defensor disse até que ele pedira para dormir o sono eterno na gleba de sua origem.

    O esquife de bronze chegou à Paraíba e a colônia areense, residente em João Pessoa, rendeu-se aos argumentos do Secretário de Justiça - Horácio de Almeida - e compareceu ao cemitério Senhor da Boa Sentença onde o ataúde aguardou secar o lamaçal da Serra da Onça, que permitiria seu acesso à cidade serrana. 
    Em contrapartida o filho Ministro, chefe do MVOP - José Américo - deu-lhe ascensão ao fazer de sua carroçável uma estrada moderna, em 1932. Levou o Presidente Getúlio Vargas para conhecer a urbe e o local onde seria implantada a Escola de Agronomia. Engrandeceu seu torrão na literatura. Governou o Estado democratizado desde que JÁ arredou a porteira da ditadura na entrevista a Carlos Lacerda. Abriu as portas do futuro para estudante pobre ao criar uma Universidade. Foi presente em Areia, até transferir-se para o reino espiritual onde descansa.


    Quem é merecedor de ter seu nome no acesso à cidade de Areia? Como fez Alagoa Grande com José Silva Gomes Filho (Jackson do Pandeiro).


  • 31/05/2016

    A agonia do Cabo Branco


    Convivi, na minha juventude, com o axioma: “quem sabe esperar não desespera”. Todavia, senti a fé arribar, no tocante à preservação da falésia do Cabo Branco, que a partir da colonização em 1585 é referência para navegadores de longo curso e de pequenas embarcações. 
    O promontório é formado por uma massa de pedra, que não impede sua ruína, em face do movimento brusco das marés, que desgastam sua barreira. O terreno é de origem terciária, com modelados de arenitos frágeis, o que ocorre com as formações do gênero, do Amapá ao Rio de Janeiro. Outra queixa recai no aquecimento global, uma lamúria nos ouvidos dos que aspiram a permanência do Cabo, como estampa benta de nossa praia. 
    Prevendo um mal maior ao hospedeiro da bússola que orienta os nautas, há apelos ao dever cívico e a compaixão de governadores e Prefeitos, em favor do nosso acidente geográfico, citado nas Cartas de Navegação do mundo. As promessas se repetem, mas a inexecução dos serviços de restauração apagou nos peticionários, a esperança de salvação “da ponta que avança pelo mar” e faz dela a proeminência da América do Sul, mais citada. 
    As ações em desfavor da natureza e da saliência rochosa, em ruina, são atribuídas à ação humana, que contribui para a degradação da península. Elemento negativo é a pista de rolamento, que recebe um transito constante, pesado e lesivo, pois a trepidação derruba partes da argileira. Sobre seu dorso reside o Farol, que orienta a entrada ao Porto de Cabedelo, e a Estação Ciência, que atrai turistas, pela visão do mar, com ondas gigantes que mudam de cor a cada instante. Pode-se, também, contemplar o nascer do sol e da lua que são imagens de beleza e espanto, para o descortino dos visitantes. Lutemos por nosso cartão postal, que não pode ser negado, a quem visita o agonizante.


  • 09/03/2016

    A vocação


     O Presidente do PODER LEGISLATIVO, homenageou a médica campinense ADRIANA MELO, pela descoberta da relação do ZIKA VIRUS com a MICROCEFALIA que tem sido diagnosticada em crianças nascida na Paraíba e em outros Estados da Federação brasileira.

    Alias o nome cientifico, segundo a médica Adriana, deve ser ZIKA CONGÊNITA, desde que há outras doenças como as transmitidas pela sífilis e rubéola, que fazem maleficio igual..

    Diz ela que a ZIKA CONGÊNITA não causa,. apenas, má formação no cérebro, mas a destruição do SISTEMA NERVOSO. No ato de veneração à cientista CAMPINENSE, o deputado ADRIANO GALDINO, disse que ela merece a indicação para o PRÊMIO NOBEL DE MEDICINA pela contribuição que oferece à sociedade mundial.

    Do meu recanto envio os parabéns para Campina Grande, a pioneira no Estado, dos grandes avanços materiais e culturais que tem demonstrado, o que me faz recordar JOSÉ AMÉRICO. Quando ele criou a Escola de Engenharia para Campina Grande, em 1955, o litoral apelou para que a Faculdade ficasse na capital. Com a visão e argucia que nortearam seus passos o governador do Estado expressou-se com a sentença: VAMOS PREMIAR A VOCAÇÃO DE CAMPINA GRANDE., PARA A TECNOLOGIA, E ela está na Rainha da Borborema, há mais de 60 anos, exportando técnicos para todo o país.

    NOTA: Lamento não poder invocar nessa hora, o testemunho de : NOJAIM HABIB, PLINIO LEMOS, RAIMUNDO ASFORA, AMAURY VASCONCELOS, e outros, sobre o gesto imortal do sábio JOSÉ AMÉRICO.Mas a amiga que ele tanto amava BETINHA MARINHEIRO pode subscrever minhas palavras.

     

     


  • 15/02/2016

    Professora Lúcia Giovana Duarte de Melo


    É com profundo pesar que comunico o falecimento da professora LUCIA GIOVANA DUARTE DE MELO. Filha por adoção,da cidade de Areia, por via de um titulo de cidadania e um trabalho educacional fecundo em prol da localidade escolar. é de sua autoria o Projeto - AMAR A AREIA - premiado pelo IPHAN (nacional). No município foi Secretária titular de Educação. Arquiteta formada na UFPE, fez carreira no Magistério, na UFPB, com planos de orientação educativa. Consta de seu currículo a ideia bem formada da - ESCOLA PÚBLICA UMA OPÇÃO DE QUALIDADE, premiado pela UNESCO. e implantado na Escola Sesquicentenário de João Pessoa-PB. Fora Secretaria Adjunta de Educação, do município de João Pessoa. São muitos os títulos de Lucia Giovana, que a mente não me favorece, no momento. Areia se empobrece com sua partida, e o céu se enriquece com sua chegada. É à vontade Deus que nos curvamos."

    E acrescenta o degas aqui, "en passant", que a competente professora, cronista e escritora Vitória Lima, referindo-se ao 14º Festival de Areia, realizado entre 29 de julho e 4 de agosto de 2013, com o tema central “Mulher é Arte”, escrevera na página 6 (segundo caderno) de "A União" da quarta-feira seguinte (7 de agosto):

    "Musicalmente, encantei-me com uma apresentação do grupo “Suave Metal”, de Areia, menina dos olhos da secretária de Educação da cidade, a professora Lúcia Giovana Duarte de Melo, e da secretária de Cultura Edilene Almeida Cardoso Félix, empenhadas em incentivar os talentos artísticos daquela cidade, que se orgulha de sua forte tradição musical. A apresentação deu-se na antiga Igreja do Rosário".


  • 02/02/2016

    Decadência do carnaval


     Estamos às vésperas do carnaval, que passará à historia, na Paraíba, como de triste memória. Agora mesmo passa em frente ao meu prédio o bloco das - VIRGENS DE TAMBAÚ - uma exibição tão caricata que dá pena.São homens que - nos requebros e vestuários deixam transparecer o desejo, fictício, de ser mulher.

    Lembra dos carnavais do Cabo Branco e do Astreia, uma amostra do bom gosto dos paraibanos, quanto às fantasias e às musicas tocadas. A Orquestra Tabajaras sob o comando de Severino Araujo dava um show. Entre os blocos de maior ostentação estava a dos Wanderley com dona Alba e sr.Olavo, dona Aliete e Margarida que escandalizou ao ter ido ao baile de resguardo de uma de suas meninas. Era a vida se manifestando de maneira sadia. O lança-perfume dava o tom do interesse dos rapazes ao cortejar uma garota, ao som o jato perfumado. As fantasias, confeccionadas por Nina Lima e Sindá Moreno eram a nota da elegância e da beleza estética. Tudo isso Celia é passado. Os clubes fecharam as portas para as celebrações populares. A rua é o palco para as amostras chulas.


  • 16/12/2015

    As manifestações


     Cada vez as manifestações politicas diminuem em número de pessoas. A que atribuir a subtração humana senão à falta de confiança do povo nos políticos.

    Qual o lider mais prestigiado por uma facção do malfadado PMDB? É o Presidente da Câmara - o ilustre deputado EDUARDO CUNHA, INVESTIGADO na LAVA-JATO. A seu lado figura o Vice-Presidente da República, MICHEL TEMER, com sua carta choraminga, como um amante sem brio.

    Nas conversas com José Américo inteirei-me da imensa onda de adeptos â REDEMOCRATIZAÇÃO DE 1945. .

    Em 1985 fui testemunhei, em BRASILIA, da luta de Tancredo Neves e do bravo Ulisses Guimarães pelas DIRETAS-JÁ.

    Se Dilma for vitoriosa na derrota do IMPEACHMENT será à falta de homens públicos que ao morreram não deixaram sementes... ou as que ficaram feneceram antes do tempo.

    Foram tão pálidas as expressões populares de opinião que, a tristeza de alguns ao falaram, suas palavras voaram com o vento. As TVs. só mostraram os grandes Estados. No semblante do povo não havia entusiasmo.


  • 07/12/2015

    Pode demorar mais chega


     Dentre de alguns anos o Brasil vai melhorar. Contida a corrupção, em todos os setores públicos da Nação, vai sobrar verba para os serviços indispensáveis ao bem-estar e vivência do povo brasileiro.

    O que deixou de fazer o Poder à falta de verba!... Estamos condenados a morrer de sede porque a transposição de água do São Francisco, o excedente que tem sua decantação no mar, não foi captada para minorar o sofrimento da população nordestina.

    Surpreende a decisão do STF, que flagrantemente aberta aos interesses do PT, no julgamento do MENSALÃO, hoje assume uma postura correta no combate à perversão.

    Figuras de destaque, social, politico e econômico, estão na mira da LAVA-JATO e quem oferecer indícios de prevaricação, vai ser interrogado e passar vexames. A limpeza moral nas Instituições se impõe.


  • 20/11/2015

    Repatriação do ilícito


     Até que enfim houve compreensão na terra e a Câmara Federal aprovou a Repatriação dos Recursos Ilegais depositados no Exterior, que pode alcançar a cifra de 100 bilhões de reais, na estimativa da Lava-Jato.

    A nação vem perdendo nos últimos 10 meses da gerência de Dilma Rousseff, quantia equivalente a equilibrar as contas públicas se tivesse havido captação de outras fontes para tirar o Brasil do buraco, que não cabe aos brasileiros dignos, a responsabilidade pela abertura do escandaloso fosso.

    Quem pensa que ao atrapalhar os planos da Presidente, estar fazendo mal à gestora, engana-se, porque quem paga pelos desacertos dos administradores políticos é a população que perdeu o emprego, estimada pelo IBGE, em 8,3%, até o 1º semestre de 2015. Na perspectiva do que estar por vir, o ano fechará no mesmo patamar da inflação, com a taxa avaliada em 10% ao ano, e em igual percentual, jogará na rua da amargura os dispensados do trabalho remunerado.

    A Câmara tem feito o impossível para procrastinar a restauração das finanças nacionais. Delonga os prazos de aprovação dos projetos de salvação financeira do país, e há quem proponha, para fechar o Ajuste Fiscal, a extinção do Bolsa Família, um programa social que favorece os mais carentes.

    No parecer do Relator ao Projeto de Lei de Repatriação de Recursos Ilegais, originário da Presidência da República, o deputado Manoel Junior (PMDB-PB) sugeriu o perdão do ônus criminal aos depositantes ilegítimos, por via da propina. 
    Seja qual a origem do dinheiro serão pagos os impostos e multas, devidos à Receita Federal, e o restante passará a ser legal, em qualquer Instituição bancária, como uma poupança, resultante do esforço, preservação e renuncia dos donos da “legalista bolada...” A que penúria moral chegou o Brasil, ao anistiar associações criminosas e Caixa 2.


  • 25/10/2015

    Herança maldita


     É fora de dúvida que Dilma Housseff combateu a ditadura militar. Lutou por um sistema de extrema esquerda de inspiração marxista-leninista, Sob às ordens do VAR-PALMARES, sua atuação está confirmada nos autos do processo da Justiça Militar.

    No instrumento juridico é acusada de subversão e prática de atentados terroristas. Atestam ex-gerrilheiros que eles não lutavam por uma DEMOCRACIA BURGUESA, mas, pela DITADURA DO PROLETARIADO, inspirada em Max, Lenin. Stalin, Mao e os Castros.

    O MENSALÃO deixou a descoberto que o PT sonhava com 20 ANOS DE PODER, tempo suficiente para se fortalecer com os apoios de países de regimes totalitários. Em troca verbas que deveriam melhorar a vida dos brasileiros, foram desviadas, por via de empréstimos, mas os contratos ninguém sabe, ninguém viu, porque correm em sigilo.nos bancos.

    É certo que ela recebeu uma herança maldita, em dívidas e corrupção, de seu padrinho LULA, o falsário, que deixou a bomba armada à espera de explodir em seu colo. Os brasileiros vão pagar pelo erro que não cometeram.


  • 10/10/2015

    A tragédia (06.10.1930)


     Vitoriosa, a Revolução de 1930, no dia 6 de outubro do mesmo ano, um grupo de bárbaros revoltosos, deram cabo da vida e dos sonhos do poeta e advogado criminalista - JOÃO DUARTE DANTAS, na penitenciaria do Recife. Chefiados pelo médico Luiz de Goes, os ensandecidos invadiram a penitenciaria e depois de uma luta corporal abateram JOÃO DANTAS e seu cunhado, que ocupavam a mesma cela.

    Na simulação do inquérito o facínora Antonio Silvino (comprado) confinado na mesma prisão, afirmara que nada ouvira e que o fim de João Dantas havia sido por suicídio.

    O médico legista LUIZ DE GOIS, dizia, no meio universitário recifense, sem pedir reservas: "eu sangrei João Dantas". Após a prisão do assassino de João Pessoa, o digno e austero Presidente que pretendeu mudar o estilo administrativo e o politico que se praticavam no Estado, o enclausurado assassino de João Pessoa, recebeu a visita do seu jovem amigo e acadêmico de Direito, Antonio Pereira Diniz, e informado,

    por ele, da morte do seu desafeto, dissera: "isto não me trouxe nenhuma satisfação..." Por essa declaração assino e dou fé, pois fui ouvinte da asserção, 40 anos depois, na Varanda do Cabo Branco. Dois dias depois (08-10.1930) ANAYDE BEIRIZ deixava a vida para entrar na historia. Ontem houve missa por eles como faço todos os anos em memoria de minha avó, de quem herdei a missão religiosa.

    Em consequência da fase de irracionalidade 4 paraibanos foram trucidados: JOÃO PESSOA, JOÃO DANTAS, JOÃO SUASSUNA, e ANAYDE BEIRIZ. No livro de minha autoria (esgotado em 3 semanas) intitulado - JOÃO DANTAS E ANAYDE BEIRIZ - estão explicitados os depoimentos que apanhei com pessoas que viveram aquela época: José Américo, Reynaldo Almeida, Severino Diniz, Antonio Pereira Diniz, Leomax Falcão, Amelinha Theorga, Hilda Netto Peixoto, Mª Luíza Targino e outros. REQUIEM para todos, culpados e inocentes.


  • 13/09/2015

    Vácuo de liderança


     Foi o tema da palestra do Ministro Joaquim Barbosa, no encontro de ontem com os paraibanos no Hotel Tambaú. Ante a taxa de inscrição muito alta, em uma fase de perspectiva de inflação elevada, privei-me de ouvir do corajoso jurista, sua palavra autorizada e sapiente, sobre o momento atual do Brasil. Faltam líderes ao pais, dai a sentença vigorosa e incontestável - A politica vive "VACUO DE LIDERANÇA".

    Na redemocratização de 1945, logo após a entrevista de José Américo a Carlos Lacerda, juntou-se a ele os que se decidiram em favor da mudança do governo. Eis os que o se agregaram para as conversações que dariam rumo ao ideal de vermos nosso pais retornar ao regime democrático: Prado Keller, Hermes Lima, Virgilio e Afonso Arinos de Mello Franco, Juracy Magalhães, Carlos de Lima Cavalcante, Lindolfo Collor, Arnon de Mello, José Lins do Rego e outros.

    Os Jornalistas Ascendino Leite, Carlos Lacerda, Victor do Espirito Santo e a juiza Maria Rita Soares de Andrade, tão participativa quanto os homens, Eram tantos, em poucos dias e o número foi aumentando que tiveram de alugar uma casa para os encontros. Em 1984, eleito Tancredo Neves por eleição indireta, faleceu antes da posse. O movimento de reintegração do regime democrático continuou e, em 1985, o maior destaque para seu êxito deve-se à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e à classe estudantil (os caras pintadas) ao movimento feminino e a massa humana, independente de partidos, embora o PT e o PCB estivessem criados e em ação.
    No momento presente não tem um nome que agregue seguidores. Políticos estão sendo investigados ou a espera. O Presidente (honorifico) do PT que foi a esperança do Brasil, no combate a corrupção, bandeira que lhe deu a vitória em 2002. sua fortuna está sob suspeita!...Portanto, os políticos se retraem de assumir o comando do movimento de moralização do pais. Quem talvez pudesse assumir o comando não se manifesta, como Joaquim Barbosa!... Provavelmente o povo ,como em 1985,, a CNBB e as crenças que tem origem no Cristianismo assumam o movimento, porque entre os políticos não há esperança. 


  • 08/09/2015

    Dilma e o osso maxilar


     Pela fisionomia de Dilma Rousseff exibida, ontem, no Jornal da Globonews vê-se o quanto emagreceu e está abatida.

    Seu semblante expõe à amostra os maxilares salientes, que até poucos dias eram menos ostensivos. Deu-me pena, porque entendo que a aflição que tem sido constante em sua gestão, nos últimos tempos,

    Seu padecimento físico e moral , têm origem na administração anterior.A obstinação do Presidente Lula em trazer a Copa do Mundo para o Brasil, forçou a presidência à construção dos 12 Estádios de futebol, uma despesa desnecessária e inutil, orçada em bilhões de reais.

    O torneio estendeu-se às capitais mais populosas do país. Outro óbice decorre do pagamento da Divida Externa, que cobrava 4% ao ano, mas foi liquidada com empréstimos a bancos brasileiros, com taxas de 17% anuais, o que elevou nossa dívida a trilhões.

    A fita foi aplaudida, como um grande feito do Presidente anterior, no entanto, doou à Nação um prejuízo financeiro além da conta, que o povo brasileiro tem de assumir. Dilma abstém-se de falar no desperdício das verbas e no desvio das obras de transposição de águas do São Francisco, que condenando os Nordestinos à sede permanente, porque a reação do PT seria pior para ela.

    Portanto vai passar à historia, como perdulária, incapaz, omissa. Quando o verdadeiro culpado tem a face oculta... 
    Em tempo: Não sou petista e estou dispensada de votar.


  • 02/09/2015

    O andar da carruagem


     Sem me filiar a partido politico, minha alma e coração foram do PSD e por extensão do MDB e PMDB. Depois que conheci Ulisses Guimarães e ouvi dele sua história, em uma fase de exceção da vida brasileira, minha devoção à Sociedade pessedistas solidificou-se.


    Fiz minha formação profissional, no Poder Legislativo e recordo a seriedade e o amor que os membros das Associações votavam às suas Legendas. Vi deputado chorar na tribuna, quando, força estranha, o obrigou a abjurar sua Agremiação. Resistiam a fugir dos deveres estatutários e honravam fidelidade às rubricas. A constância da lealdade, hoje, é voto vencido. Sem deixar o Partido, um prócer vota ostensivamente no adversário, em desrespeito ao Estatuto e a Lei da Fidelidade Partidária e continua na sigla. Fortificado, levará seu partido ao contumaz opositor!...

    Registrei, uma vez, a deserção do Regulamento. Como eu era jovem e de mente arejada, guardei a cena e os comentários sobre a licença concedida ao governador José Américo para assumir o MVOP, em 1953. A adversária UDN acolitada (na surdina) por alguns do PSD que desejavam a ascensão, desde que o Vice formava a chapa majoritária, optava pela renuncia do ocupante do cargo.

    O líder da UDN posicionou-se pela licença, desde que a abdicação era letra morta no script oficial. Em subsídio ao esboçado, rebateu o raciocínio contrário de um deputado da zona do Brejo. Oriundo de uma “região que desconhecia a seca, não podia avaliar o que era a fome, a mão estendida pedindo pão e o deputado sertanejo sem meios de atendê-la. O governador, no Ministério de Viação. iria acudir o Nordeste e em especial a Paraíba.”, disse o deputado Isaias Silva.

    E o fado se confirmou, pois todos os municípios foram, igualmente atendidos. Aos vigários das Freguesias coube as Presidências das Comissões Mistas de Socorro, às vitimas do estio prolongado.


  • 26/08/2015

    A fuga de Michel Temer


     O escape de Michel Temer da coordenação politica de Dilma Rousseff não se deu por motivo relevante, mas, tão somente, porque o governo federal enfraqueceu...Aludem ao temperamento de Dilma, mas só agora, no ostracismo politico.

     
    Se ela estivesse forte, jamais ele teria corrido com a sela... Para justificar meu juízo, informo que não sou petista e só votei no Partido dos Trabalhadores, na eleição para Prefeito de João Pessoa, gesto que pretendo repetir. Nem quando Lula, apoiou a reeleição de José Maranhão, e prometeu fazer a transposição de águas do São Francisco para a Paraíba, me dispus a sufragar seu nome.
     
    No fim das gestões públicas os apoios e os "amigos" se afugentam, para sobreviver ou por ingratidão... Poderia sitar casos que testemunhei, porém, o espaço não me permite delongas. Um governador na constância do Regime Militar, ao fim do seu mandato, queixou-se do abandono de correligionários. Eu, então, interferi ao pensar que lhe oferecia um contraponto feliz e disse: "ainda bem que o deputado ( ...) está a seu lado. ."

    Incontinente ele disse: "prá puxar a última tripa..." Hernani Sátyro foi um dos homens mais sagazes que conheci. Versado no ser humano, sem precisar comer um quilo de sal com ele, fazia avaliações pertinentes ao comportamento aético. No momento atual, em que se discute a posição do Vice-Presidente da República, membro do PMDB, nada é estranho, nem foge à regra. Conheci Ulisses Guimarães e guardo dele a impressão de coragem e dignidade. Guerreiro intimorato em favor de sua agremiação, num transe difícil da vida nacional, foi o bravo denodado espadachim. Na fase republicana ele está ao abrigo de ver o desmoronar da Instituição que comandou, com a maior coragem do mundo.


  • 07/08/2015

    Memória de João Pessoa


     Dos 30 Chefes de Estado que teve a Paraiba, a partir da morte do Presidente João Pessoa, contando com GOVERNADORES, VICES e INTERVENTORES, apenas 6 (até esta data) compareceram às homenagens ao pé do monumento, ao paraibano sacrificado em 26.07.1930.

    Minhas anotações podem ser falhas, mas se tiver de ser reparada, não será significativo o número para mais. A ausência da autoridade maior do Estado, às celebrações, não é desapreço à memória do falecido, mas medo do povo... No governo de José Américo o dia do luto era também de rememoração aos feitos do ex-Presidente (1928/30)..

    O fiel amigo de João Pessoa, o "Tenente da Gelada" era o 1º a chegar, de branco, gravata e lenço vermelhos e só se ausentava de sua sentinela, quando o logradouro ficava vazio, a altas horas da noite. Essa vigilia ele confessou a José Américo que fez por 3 dias, na Catedral Metropolitana, enquanto o corpo aguardava o navio para o embarque no Porto de Cabedelo, com destino ao Rio de Janeiro.

    O orador oficial, escolhido, por José Américo, por fidelidade ao grande chefe de Estado, era o deputado Antonio Nominando (senior) que emocionava a multidão (tantos eram) com sua emotiva oração.

    Em minhas notas o ultimo governante a prestigiar as solenidades em praça pública, fora Ernani Sátyro. Quebrando a ausência de algumas décadas, o governador em exercicio desembargador Marcos Cavalcanti compareceu ao evento religioso e o cívico e no uso da palavra afirmou que a designação - PALACIO DA REDENÇÃO, permanecerá como foi inaugurado pelo Interventor ANTENOR NAVARRO. O batismo atendeu ao desejo da professora Julia de Miranda Henriques, muito antes do luto legado à Paraiba e ao Brasil. Essa era a noticia que eu gostaria de dar aos que defendem a continuidade do nome original.


  • 29/07/2015

    Memória de João Pessoa


     Dos 30 Chefes de Estado que teve a Paraiba, a partir da morte do Presidente João Pessoa, contando com GOVERNADORES, VICES e INTERVENTORES, apenas 6 (até esta data) compareceram às homenagens ao pé do monumento, ao paraibano sacrificado em 26.07.1930.

    Minhas anotações podem ser falhas, mas se tiver de ser reparada, não será significativo o número para mais. A ausência da autoridade maior do Estado, às celebrações, não é desapreço à memória do falecido, mas medo do povo... No governo de José Américo o dia do luto era também de rememoração aos feitos do ex-Presidente (1928/30)..

    O fiel amigo de João Pessoa, o "Tenente da Gelada" era o 1º a chegar, de branco, gravata e lenço vermelhos e só se ausentava de sua sentinela, quando o logradouro ficava vazio, a altas horas da noite. Essa vigilia ele confessou a José Américo que fez por 3 dias, na Catedral Metropolitana, enquanto o corpo aguardava o navio para o embarque no Porto de Cabedelo, com destino ao Rio de Janeiro.

    O orador oficial, escolhido, por José Américo, por fidelidade ao grande chefe de Estado, era o deputado Antonio Nominando (senior) que emocionava a multidão (tantos eram) com sua emotiva oração.

    Em minhas notas o ultimo governante a prestigiar as solenidades em praça pública, fora Ernani Sátyro. Quebrando a ausência de algumas décadas, o governador em exercicio desembargador Marcos Cavalcanti compareceu ao evento religioso e o cívico e no uso da palavra afirmou que a designação - PALACIO DA REDENÇÃO, permanecerá como foi inaugurado pelo Interventor ANTENOR NAVARRO. O batismo atendeu ao desejo da professora Julia de Miranda Henriques, muito antes do luto legado à Paraiba e ao Brasil. Essa era a noticia que eu gostaria de dar aos que defendem a continuidade do nome original.


  • 13/07/2015

    Tempos avaros


     Quando uma situação sai do normal, a sociedade se manifesta. Grupos civis, militares e religiosos, unidos, evitaram que o Brasil fosse uma FARC. Nas DIRETAS-JÁ, o povo foi às ruas clamar por eleições livres para a Presidência da República. Os "CARAS PINTADAS" fizeram o seu papel, e o Presidente Collor renunciou. Vivemos uma situação atípica.

    Há motivos, mas não há entusiasmo. Por que? Simplesmente porque os candidatos ao Poder não emocionam. Nenhum resiste a uma análise criteriosa em suas vidas, ações e palavras. É um deserto de afirmações vigorosas.

    Ninguém se preocupa em manter a democracia, mas em acusar, denegrir, manchar a reputação alheia. Aviltar, humilhar, rebaixar é a palavra de ordem, como se ela tivesse o condão de num repente mudar o estabelecido. Ninguém pensa no sacrifício do povo.

    Os operários são despejados de seus empregos, uma ameaça para a estabilidade da família. A classe média sofre com os salários minguados pela inflação. Mas os potentados não perdem um centavo de suas vantagens. Muitos deles enriquecidos financeiramente, só têm olhos para ver e ouvidos para escutar o que lhes convêm. O país nunca foi tão pobre de crédito, de sonho, de paz.


  • 07/07/2015

    A palavra de Lula


     O Presidente Lula disse à revista ÉPOCA "QUE É CONTRA A PRISÃO DE UM MOLEQUE SÓ PORQUE ELE MATOU". Justamente ele que representou A ESPERANÇA DO POVO BRASILEIRO.

    A partir desse principio os menores delinquentes passarão a fazer justiça com as próprias mãos. Não há mais necessidade de Policia para prender nem de Judiciário para julgar o delito.

    O que será desse país se a doutrina defendida pelo petista maior, for adotada, sem a vigência da punição. Livramo-nos de ser uma FARC, e estivemos ameaçados de adotar doutrina exótica para nos governar. Nossa democracia ainda não alcançou a meia idade e querem expulsá-la de nós, por via da anarquia, dos crimes hediondos, da corrupção.

    Quem tem fé agarre-se no DIVINO PAI ETERNO e na SANTÍSSIMA MÃE DE DEUS. Só a ELES devemos pedir misericórdia, porque os nossos homens públicos, com poucas exceções, têm ouvidos moucos ou ocupam-se em trair seu partido. Pela nossa FÉ o Brasil pode se salvar.

    Façamos uma revisão das ideias e comportamentos dos democratas de 1945 e avaliemos os de 1985. O que salvou-se - ULISSES GUIMARÃES - está preso no fundo mar... Se houver outros, nessa linha, me apresentem.


  • 29/06/2015

    Humor à flor da pele


     Quem não vive estressado com a perspectiva do pior para a Nação brasileira!... Enquanto no Regime Militar (tão malsinado) foram criados 13 milhões de empregos e o PIB cresceu 14% a dispensa de operários, no pais, é uma calamidade insuportável. Não há humilhação maior , para um chefe de familia, como não ter como sustentá-la. A Previdência falida, castra os direitos trabalhistas!... De 1964/85 , houve a construção no Brasil, de 4 portos e das Usinas ANGRA I E II; das HIDRELÉTRICAS , ITAIPU, TUCURUÍ, ILHA SOLTEIRA e JUPIÁ. Criação da ELETROBRAS, EMBRATEL, NUCLEBRÁS e subsidiárias; Desenvolvimento das Industrias AERONÁUTICAS e NAVAL.Incremento nas Exportações que passaram de 1,5 bilhões, para 37 bilhões. Redes de Rodovias e implantação de CONJUNTOS RESIDENCIAIS. Aumento dos cursos de MESTRADO e DOUTORADO. Adoção da MERENDA ESCOLAR, CREDITO ESTUDANTIL. Computadas pela FGV, 65 grandes obras foram implantadas no território nacional que, à falta de espaço, deixo de enumerá-las. Contudo o maior feito da Revolução de 1964 foi ter interrompido o pais de ser uma FARC. O governo do PT (2003/15) tem acudido as repúblicas sul-americanas ditatoriais, com recursos financeiros que fazem falta aos brasileiros. Inconveniente é temos de pagar uma dívida que não contraímos. Só a MISERICÓRDIA DE DEUS poderá acudir os que têm fome e sede de pão, água e de JUSTIÇA. 


  • 11/06/2015

    Leite e mel


     Dizia Pe. Manoel Otaviano, membro fundador da APL. que "dores que não cabem no coração tbem não passam pelos olhos." Se houvesse equivoco na sentença não haveria estoque de lenços para enxugar o pranto dos que rezam na cartilha da honradez. Quando a TRANSPARENCIA BRASIL anunciou que 85 bilhões de dólares, eram surrupiados pela perversão brasileira, a cada ano, pensei que havia engano para mais. Infelizmente a cada dia constatamos que o blog estava certo. A corja é acossada, porém, os milhões guardados dá-lhes condição de conseguir bons escritórios e a defesa de suas causas é eloquente porque faz seus advogados decretar a própria independência financeira.

    A terra em que devia correr LEITE E MEL em seus riachos, aos que deviam ser beneficiados, só resta a vergonha, o repúdio, pelo que nos doa a corrupção, a força maior da Nação brasileira, com raríssimas exceções. Não há como se manter a esperança do retorno ao desviado em moeda corrente, pelas astucias dos delinquentes. Pela lassidão de nossas leis, elásticas e cheias de brecha para quem pode pagar aos bons causídicos, procrastinam a decisão final até a absolvição pelo tempo!....


  • 04/05/2015

    1º Grupamento de Engenharia


     O 1º Grupamento de Engenharia celebrou há alguns dias os 60 anos de residência em João Pessoa, porém nenhuma referência a quem lhe permitiu a situação. Até o final da 2ª guerra 1939/45 funcionava num galpão na Av. Epitácio Pessoa, o 8º RAM. Era um batalhão de tração animal, que patrulhava as ruas da cidade, em cavalos de raça, com vistas à segurança dos moradores.

    Com sua transferência, para o sul do país, instalou-se em sua antiga dependência o 1º Grupamento de Engenharia do Nordeste. O Presidente da República João Café Filho, tratava de transferi-lo para Natal, uma forma de valorizar seu estado natal, o RN.

    O governador da Paraíba – José Américo de Almeida – havia iniciado a permanência do 1º Grupamento em João Pessoa, com a desapropriação do terreno, com preço justo, pago à vista, em favor do agrupamento militar e em reconhecimento pela ajuda que dera a seu governo na seca de 1952. Uma mensagem foi enviada ao Poder Legislativo, que tramitou na Comissão de Constituição e Justiça, com parecer favorável de todos os membros.

    Em 1955 o Chefe de Estado sacramentou o sonho dos paraibanos, em especial do Sertão, Cariri e Curimatau, useiros dos benefícios em serviços públicos, que os batalhões doaram às zonas conflagradas. Em reconhecimento pela atitude governamental, no século passado fora José Américo homenageado com um monumento no jardim da Organização militar, que ainda é venerado pelas chefias que por lá passaram. Não teve seu nome como o patrono da Instituição em face de uma lei em vigor que designava um militar da terra como o homenageado. 
    Enquanto vivo José Américo, estivemos em várias ocasiões, a convite, do Comando Militar, em solenidades do 1º Grupamento, em rememoração e eventos do passado ou do presente. Em 1964, com honra para mim, Secretariei, por determinação do governador Pedro Gondim, e do major Raimundo Saraiva do 1º Grupamento, a Comissão das Enchentes, que funcionou no Palácio da Redenção, quando a fúria das águas de maio, quase arrasa o território da Paraíba.


  • 27/04/2015

    Eu não entendo


    Quando um governo é inoperante,o clamor porque não produz o esperado pela sociedade, rompe as fronteiras da tolerância. Por todos os meios disponíveis, os reclamantes protestam e ameaçam com uma COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO e chegam a alcançar maioria entre os parlamentares, para satisfação do seu sonho que, às mais das vezes, nasce malogrado.

    A vitima dessa vez, na Paraiba, é o governador RICARDO COUTINHO que mostra serviço e tenta continuar com o programa EMPREENDER que ajuda a uma classe sem renda, a se manter com dignidade. Geralmente quem deseja a providência castradora de melhoria coletiva é a facção que nada fez, quando no Poder, em favor dos paraibanos.

    Eles não percebem que a cada ato restritivo aumenta a confiança no seu opositor... Andem pelo interior e tomem o pulso da população, em especial a dos carentes de uma atividade remunerada e verifiquem a pressão da realidade.

    Assusta conferir que essa gente não sai da beira-mar, onde a brisa é refrescante, e a vida é fagueira!... Que viva o EMPREENDER; que dará condições a quem deseja soçobrar à crise financeira que já se instalou entre nós.


  • 16/04/2015

    Fotobiografia de José Américo


     A FOTOBIOGRAFIA é um registro novo na literatura brasileira. É um relato sobre atos e flagrantes de uma vida, captados através de uma câmara fotográfica e descritos a partir do revelado pela objetiva. Na sinopse informativa são inseridos discursos, notas, depoimentos, críticas literárias, estudos da obra e correspondência pública e particular do Autor. Não é um texto laudatório ou romanceado, mas uma contribuição da pesquisa e do que jazia em cárcere privado, em face da reserva pessoal do agente da ação. É também uma forma de perpetuar o que viveu o personagem, em lutas, decepções, quedas e ascensões, nesse controverso vale de lagrimas.

    Aponta-se o escolhido para a distinção, pelo relevo intelectual, científico, politico, artístico. Desconheço o inicio desse serviço de escrita elaborada, na preservação da história do laureado, quase sempre após “transpor a fronteira...”

    Como o estilo é recente no Brasil, sete tiveram suas biografias analisadas, a partir de fotos. Com a exposição metódica sobre José Américo, sobem a oito, os de intelecto inclinado às coisas do espirito e da inteligência, com a explicitação de seus feitos e pensamentos, nas áreas em que atuaram com relevância.

    Entre nós, podemos citar como fotobiografados - Antonio Calado, Clarice Lispector, Candido Portinari, Jorge Amado, Graciliano Ramos e Patrícia Galvão (Pagu), que teve como coautor, seu filho Geraldo Pagu. O português Eça de Queiroz valoriza a lista brasileira, por sua indiscutível proeminência.

    A professora Socorro Aragão, ex-Presidente da FCJA, entusiasmada com a narrativa rica em incidentes de valor, do patrono da Instituição, e com a cooperação da escritora Neide Medeiros e da Arquivista Ana Isabel de Souza Leão, deram-se à lide e ofereceram à sociedade paraibana um livro primoroso, quanto à privacidade e o que era do domínio público, sobre o gigante Contra as Secas do Nordeste e o inolvidável criador da UFPB.

    Depois da partida de José Américo foi criada a FCJA, para ser a guardiã de seu patrimônio cultural e defensora de seu nome e honra, se algum iconoclasta, por revanche e covardia, tentar desfigura-lo. Com a divulgação de sua Fotobiografia Ele tem mais um elemento a seu serviço.

    _______________________________________________________________________

    Lourdinha Luna é membro da Academia Feminina de Letras e Artes da Paraíba.


  • 21/03/2015

    Dia da Mulher


     A partir da década de 1950, quando já se iniciavam as mudanças comportamentais, que foram o divisor de águas entre o antigo e moderno, as comemorações entraram em vigor. Em 1954, no Rio de Janeiro, a Prefeitura Municipal disponibilizava cartões para serem enviados às MÃES,e franqueado o transporte pelos Correios. Foram criados o dia do FUNCIONÁRIO PÚBLICO, dos COMERCIÁRIOS, dos BANCARIOS, dos NAMORADOS, etc.

    As festividades tomaram um rumo diferente dos usados nos primeiros anos, com a interferência do comércio varejista. A data passou a ser reverenciada com presentes, muitas vezes sem valor referencial. Faltava, no entanto, uma indicação generalizada que atendesse ao grupo dedicado ao bem comum, como o das avós, tias, babás... A ONU oficializou o dia 8 de março de 1975, como o DIA INTERNACIONAL DA MULHER., que abrange todas as categorias femininas, De um modo geral elas representam a classe das generosas, desprendidas, anônimas. Por mais que se dediquem e cheguem em todas as horas, nem sempre são consideradas, como o devido!....

    Finalizando transcrevo o pensamento de José Américo, num deses momentos históricos. "As mulheres nem sempre merecem destaque pela benemerência das tarefas domésticas. Como financistas, a ela a família deve o equilíbrio do orçamento. Como afeiçoada às Belas Artes doam encanto do lar. Como professora, a ela os filhos devem a educação. A casa cheia tem momentos celestiais, como um pedaço de terra povoado por arcanjos."

    Para documentar o sentimento de alto apreço pelo sexo feminino, levou para seu governo as cidadães de maior destaque cultural na Paraíba e arrematava: "As mulheres são fiéis na amizade..."


  • 05/03/2015

    Academia Feminina de Letras


     Entramos no século XXI, sem existir na Paraíba, um Centro Literário dedicado às mulheres com vocação para as letras e as artes. Na década de 20, para bisbilhotar mexericos e revelações dos subscritores de um Album de Confidência, Anayde Beiriz, clamara por um Grêmio Cultural para o sexo feminino, segundo sua amiga e confidente Amelinha Theorga.

    Em 2004 foi tomado como modelo o Regimento das Academias Femininas do RN, Goiás, Paraná, São Paulo, Espirito Santo, Ceará, Jundiai, e Santos-SP, para a criação da nossa AFLAP. À frente do sonho esteve a professora Balila Palmeira.

    Quando cessam as atividades funcionais e a família independe de nós, os dias ficam vazios. É aconselhável, na adulta consciência, para as que têm aptidão para as letras e as artes, preencherem o vácuo, com uma ocupação intelectual e lúdica.

    Somos um colegiado eclético quanto à genuína vocação, porém, uno no valor pessoal. Integram nossa Instituição, escritoras, memorialistas, poetas, musicistas e artistas dedicadas às belas-artes e ao trabalho de cultura social. Há opções pela História que informa e esclarece e pelo romance que enreda e prende a atenção. Outras se dedicam à poesia que embala e faz sonhar e a exibição teatral, que encanta pela beleza estética. No conjunto, todas as confreiras são dotadas de intelecto ativo, e o usam no seu campo de ação, saudável e construtivo.

    A maturidade não é o meio do dia, nem da tarde, nem da noite. Eu diria que é o tempo impreciso, que chega misterioso nas horas do amanhecer, após momentos de nevoeiros voláteis que se dissolvem, quando tocados pela luz do sol. A Academia é o nosso espaço humano e luminoso. É no convívio com as colegas que descobrimos um novo interesse pelas conquistas do quotidiano.

    Dizia frei Leonardo Boff: “Importante é saber, mais importante é saber e fazer.” Adotando a sentença temos nos esforçado para criar com acerto.

    Em dia recente ocorreu no Auditório da FCJA a posse da 4ª Diretoria da AFLAP, que ainda não tem sobrenome. A escolha recaiu na confreira que dispensa apresentação – Bernardina Juvenal Freire de Oliveira – professora erudita, de distinta formação universitária e inteligência e conhecimentos além da média. Perita em tudo que planeja, esperamos dela o “selo da perpetuidade”, para nossa Academia, que carece de tudo, inclusive de uma sede própria.

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    Lourdinha Luna é Diretora de Comunicação da AFLAP.


  • 25/02/2015

    Os males do Brasil


     As cenas de corrupção se repetem e são citadas, como os males que bloqueam o desenvolvimento do Brasil. Em qualquer parte do mundo, a perversão é prejudicia à sociedade, que deixa de receber os benefícios, assegurados nas Leis dos paises atingidos pelos desvios financeiros. Entre nós onde as carencias são grandes, e o ponto “fora da curva” afeta o bem-estar nacional, com a ausência ou diminuição dos investimentos na educação, saude, segurança, previdência, habitação. Sofremos com a falta de chuvas regulares, que faz minguar a produção de gêneros alimenticios, em uma nação essencialmente agrícola.

    A transposição de águas do São Francisco, iniciada com equivoco, ao dispensar a ajuda aquatica do caudaloso Tocantins, para não encarecer o projeto, não tem data para chegar à Paraiba. O plano de sua execução anunciado para 2012, foi adiado para 2016 e termina em Campina Grande. Portanto, nega ao Curimatau a adição da agua de beber, que receberá o Sertão e o Cariri. O responsável pelo atraso e desacerto no transporte do líquido precioso para o Nordeste, com seu preço reajustado em bilhões de reais, é a decomposição moral que se acentua no território brasileiro, com ênfase nas últimas décadas. A permissibilidade do ilicito e a seca desfalcam a conta arrecadadora de tributos e amplia-se a exclusão social e a desiguadade economica.

    Nos periodos de I970/ 80/ 90, registram-se 26 casos antiéticos, sendo o Lutfalla o mais rumoroso. Trata de denuncias contra Paulo Maluff por via de emprestimos fraudulentos do BNDES, para a Empresa falimentar da familia do governador de São Paulo. Para se precaver da transação fadada ao fracasso, o Presidente da Instituição Financeira, exigiu autorização superior, por escrito, do Ministro Reis Veloso, para anuir ao pedido do Executivo do Estado de São Paulo.

    Entre 2000 e 2009 houve 36 casos de contravenção grave, sendo que apenas o Mensalão teve prosseguimento na Justiça, graças à coragem e decisão do Ministro Joaquim Barbosa, o “gigante” como o apelidou a Revista VEJA. O exame e julgamento dos processos terminaram com alguns penalizados, mas de forma tão suave que os privilegiados com a leniência das normas juridicas, já cumprem pena em carcere privado. O do Prefeito Celso Daniel culminou com sua morte, como vítima de “sequestro”, apesar das evidências em contrário...

    O caso da SUDAM E DA SUDENE mereceu a fácil solução do Presidente da República FHC. Sumariamente fechadas, colocou na rua, uma equipe de funcionários. No decênio iniciado em 2010 estão anotados 8 fatos de má gerência do dinheiro público. Desses só o Lava-Jato está sendo investigado, pelo juiz Sergio Moro, a quem pedimos a Deus por sua vida. Os demais dormem em berço esplendido. Até quando?

    ________________________________________________________________________

    Lourdinha Luna é membro da AFLAP.


  • 11/02/2015

    É a esperança


     A expressão acima fora pronunciada por José Américo, há 30 dias “de transpor a fronteira”, como ele se referia à sua viajem definitiva. A 10 de fevereiro de 1980, lhe comuniquei a criação do Partido dos Trabalhadores, com um viés socialista-democrático, por dirigentes sindicais, cientistas, intelectuais de esquerda, professores universitários, cientistas, estudantes, operários e católicos plugados à Teologia da Libertação. Ao citar os primeiros a assinarem a ficha de filiação ao PT: Apolônio de Carvalho, Mário Pedrosa (seu fraterno amigo) e o jornalista Sergio Buarque de Holanda, o ouvinte abriu-se em conceito favorável à nova agremiação. e arrematou: É A ESPERANÇA.

    O TSE reconheceu o PT, como oriundo do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). Nesse episódio de sucesso incomum, ainda se vivia sob o Regime Militar, embora, em fase de abertura, pelo Presidente João Figueiredo. Tomamos conhecimento de sua organização interna. Integraram o Campo Majoritário os petebistas: Luiz Inácio da Silva, José Dirceu, José Genuíno, Luiz Dulci, Marco Aurélio Garcia e Ricardo Berzoini. Para nós, apenas, o Lula era um renome, que ocupava todos os dias às páginas dos matutinos. A agremiação foi crescendo e disputou a presidência algumas vezes, porém, insuficiente em votos para eleger um Presidente da República, o que só aconteceu em 2002, quando da coalizão com Partidos Conservadores!...Na Nação decepcionara-se com o governo de FHC, com o fechamento da SUDENE, sem investigar a causa e de mais 46 denuncias de corrupção, todas impunes.


    Com sua ascensão o PT colocou o interesse pelo Poder, acima de quaisquer outros, e começaram a pipocar os escândalos, numa seqüência que mal surgia, o seguinte, mais grave ainda, está à espera para abalar a opinião pública. As lideranças que julgavam o PT invicto e durador foram enfraquecendo, esvaziando o sindicalismo puro , que se afastava do Comando partidário, porém, sem reagir à desordem moral. O que dizer do que se ler nos jornais e revistas do mundo inteiro, sobre a administração do PT, com seu condão de decepcionar a Nação brasileira!...


  • 03/02/2015

    Opinião equivocada


     Um ex-governador, num instante de locução estereotipada, disse que a eleição da mesa do Poder Legislativo, com a interferência do governador, era um atentado à democracia. No estágio que induz a uma convivência harmoniosa com as classes sociais, a democracia, em certa época, no regime totalitário, como de 1964/85, o Executivo exerceu influência, na escolha dos Presidentes do Poder Legislativo. Raros os pleitos em que o governo foi perdedor.

    Passo a citar essa interferência a partir da redemocratização de 1945, quando as Casas Legislativas se abriram para viver, por 19 anos, o regime baseado na soberania popular.

    Na eleição da 1ª Mesa do Poder Legislativo coube ao eleito para o biênio 1947/49, o usineiro Flávio Ribeiro Coutinho (UDN, dar posse ao governador do Estado,Osvaldo Trigueiro de Albuquerque Melo, seu correligionário da União Democrática Paraibana (UDN).

    A escolha para o período de 1950/51 recaiu, também, em um empresário da cana-de-açucar, da Várzea do Paraíba, João Fernandes de Lima, do Partido Social Democrático (PSD), já em clima de campanha, em favor de José Américo de Almeida. Ao assumir o Areense o governo do Estado, com o apoio da Coligação Democrática e dos partidos pequenos: Partido Socialista Brasileiro (PDB) Brasileiro (PSB) e Partido Social Progressista (PSP) ofereceram condições de sobra, para consagrar Ivan Bichara Sobreira candidato à presidência do Legislativo, de 1952/53.

    O próximo seria Tertuliano Correia da Costa Brito (1953/54) amigo fraterno de José Américo, desde 1930, quando da ascensão de João Pessoa, à Presidência da Paraíba. O deputado de São João do Cariri, como 2º Vice Presidente empossara, em 1951 José Américo, no cargo maior do Estado, em face do impedimento do Presidente do Poder Legislativo, João Fernandes de Lima, que tomava posse naquela solenidade, como Vice Governador e a morte do deputado Pedro Augusto de Almeida, 1º Vice-Presidente do Poder Legislativo.

    Os pleitos seguintes tiveram a chancela dos Chefes do Executivo, assim discriminados: De 1955/58, ainda no governo de José Américo, o preferido fora Ramiro Fernandes de Carvalho, da Coligação Democrática. Em 1959/60, com o PSD no governo o visado para a Chefia do Legislativo fora o deputado José Fernandes de Lima, indicado pelo governador, em exercício, Pedro Moreno Gondim. Em 1960 houve a renuncia do Chefe de Estado e seu rompimento com o PSD, quando candidatou-se ao governo da Paraíba, na legenda do Partido Democrata Cristão (PDC).

    No retorno ao Poder Executivo o escolhido para o Comando do Legislativo caíra no deputado Inácio José Feitosa, do PSD Ortodoxo, no período de 1961/62, mas não criou dificuldades ao ex-companheiro de legenda.

    Em 1963/64, esteve à frente do PL o deputado Clovis Bezerra, da UDN, aliado do governador Pedro Gondim, desde 1960, No ultimo ano de 1964, ante as dificuldades que passava o governo, o bananeirense se esquivou, sem romper, da convivência que tanto beneficiou sua base eleitoral. Para a legislatura 1965/66 fora eleito o deputado Waldir dos Santos Lima, no limiar do governo de João Agripino, no regime militar, em que o novo governador dava as cartas. O Legislativo não tinha força para contestar as decisões do Executivo!... De 1967/69 deu-se o retorno

    do deputado Clovis Bezerra ao cargo supremo no Legislativo. Quem ganhou a eleição foi José Targino Maranhão, do MDB, mas manobras da ARENA, consagrou o perdedor, o deputado de Bananeiras. Essa foi a mais tumultuada das eleições, no regime ditatorial, quando os poderes viviam de cabeça baixa, para o período de exceção.

    As pugnas seguintes continuaram com o mesmo estilo, ganhando sempre a ARENA. Até que para a Mesa, de 1981/82 o governador Tarcísio Burity perdeu para Fernando Milanez, da ARENA, mas na legislatura 1983/84 o vencido na eleição anterior fez seu dileto amigo José Soares Madruga, compensando-se da frustração do biênio passsado.

    A ultima decisão, do século XXI, a vitória pendeu para a oposição, ou por falta de entendimento ou por pirraça de alguns deputados, com o Chefe do Estado... O deputado Ricardo Marcelo que se revelaria um ferrenho opositor de Ricardo Coutinho, elegeu-se e reelegeu-se em poucos dias para o 2º mandato, Presidente do Poder Legislativo. No mandato de quatro anos adotou uma postura de oposição sistemática ao governador.

    A Carta constitucional de 1934 separa os três poderes atribuindo a independência a cada um. No entanto o Judiciário e o Legislativo, na prática, jamais deixaram de ser caudatários do Executivo, mesmo que às vezes tivessem atitudes de altivez.

    Portanto, rara a eleição de mesa do Poder Legislativo que não tenha havido a colher do governador do Estado, a mexer no caldeirão político. Mas só neste momento, a circunstância é vista como um atentado à essência do ato eleitoral baseado nos princípios da distribuição eqüitativa dos poderes.


  • 19/01/2015

    10 DE JANEIRO DE 1887


     O calendário que anuncia as datas, inseriu na lista das memoráveis, o 10.01.1887, com o registro do nascimento de José Américo de Almeida, na manhã daquele dia. Sob a regência da Constelação do zodíaco do Capricórnio, há 128 anos chegou ao Engenho Olho d’Agua, em Areia o bebê predestinado a grandes feitos.

    Excessivamente míope ganhara (em criança), o apelido de “cego”, que não o impediu de sendo deficiente visual, ter sido o maior vidente da Paraíba. Na constância de uma vida plena e abençoada, em decorrência do “regime alimentar e da dieta moral”, defrontara-se com missões impactantes que lhe conferiram destaque nacional.

    Momentos especiais figuram no currículo de JA. O 1º relaciona-se com o lançamento de A PARAIBA E SEUS PROBLEMAS, em 1922, considerada um tratado de sociologia regional. A BAGACEIRA, em 1928, que assinala o início do processo de conscientização das desigualdades sociais, esquecidas ou ignoradas até então pelos escritores brasileiros. O 2º tem por tema o governo do Presidente João Pessoa e a guerra de Princesa. O 3º é inerente à chefia civil da Revolução de 1930, no Norte e Nordeste, quando escolheu e nomeou interventores. O 4º está ligado ao MVOP do governo Provisório, em que enfrentou uma seca e dois anos e feriu a face da terra para fazer reservatórios e armazenar água das chuvas. O 5º e de maior destaque político diz respeito à sua candidatura à Presidência da República, em 1937, vitória abortada pelo golpe do mesmo ano. O seu mais consagrado papel, atribui-se à redemocratização de 1945, quando de sua entrevista a Carlos Lacerda, que enfraqueceu a ditadura e dai para a redemocratização foi um passo. Porém, na lista das benemerências o que o comovia era ter sido governador da Paraíba e com sacrifício, ao lado de amigos leais, ter criado Escolas de Ensino Superior para que estudantes pobres tivessem um futuro promissor!...

    Podia-se citar outras situações, como a ABL, APL, medalhas e condecorações, Nada suplantava a criação da Escola de Agronomia do Nordeste (1936) e a Universidade Federal da Paraiba (1956), que foram ao encontro de interesses da sociedade paraibana. Ter saído da política de mãos limpas, de conduta inatacável, é motivo de orgulho para os paraibanos de mente sã. Feliz do Estado que tem um homem público com o passado de José Américo. Foi esse pretérito preservado, que mereceu de Tristão de Athayde a imaculada sentença: “José Américo representou em nossa História a primazia do caráter, da honradez e da bravura que marcam a presença do homem carismático.” Deus o tenha na sua gloria.
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    Lourdinha Luna é membro da Academia de Letras de Areia


  • 16/12/2014

    Carências da sociedade


     Leva-nos à revolta saber que doentes internados em hospitais públicos, passam dias à espera de vaga na Unidade de Terapia Intensiva, para ocupá-la após o paciente se submeter a uma cirurgia, de urgência. O cirurgião, humano e antenado com seu dever, esforça-se, em vão, para atender seu cliente. A espera deixa doente e familiares estressados.

    A quem culpar pela demora? Simplesmente à corrupção que se implantou no Serviço Público, tirando da sociedade carente os benefícios que merece.

    Li em um site sobre a perversão brasileira, o mesmo raciocínio expressado por dois cientistas políticos num programa da globonews. Eles informaram que há no Brasil, 200 denuncias de perversão e só três estavam sendo analisadas. As 197 estão no aguardo da investigação e quando os processos forem examinados, os pervertidos talvez estejam mortos, ou em idade avançada que os livrará da reclusão carcerária. 
    A Transparência Brasil informa que no nosso país 85 bilhões de reais são surrupiados dos cofres públicos, anualmente. Que benfeitorias seriam levadas para a saúde, educação, segurança!...

    Outro item de suma importância seria o traslado de águas do Tocantins para o São Francisco e dai para os Estados secos do Nordeste. Sem condições de enfrentar o problema em sua completude, está sendo usada, apenas, águas do rio da Integração Nacional, o excedente que tem sua decantação no mar.

    Num ano de fraca invernia, a caudal dadivosa não subvencionará os sedentos do liquido que não tem sucedâneo.

    À sociedade cabe fiscalizar o andamento dos casos e não ter tolerância com os larápios até vê-los trancafiados. Embora nossas leis sejam “elásticas”, porém a norma muito esticada pode quebrar sua resistência.

    O sistema usado pelos delinqüentes é diabólico e eficaz. Um acusado reduz sua pena ao delatar outros e o caso se ramifica ao infinito. É a maneira que o juiz Sergio Moro dispõe para encontrar o rastro do bilionário desvio praticado na maior empresa pública da América Latina, a Petrobrás. O assunto indigna o país, com os contratos superfaturados quanto ao valor das obras para a construção de refinarias. Contas bancarias são repentinamente esvaziadas para evitar o congelamento. Outro faz acordo para devolver 100 milhões de reais. E os juros que rendeu esse dinheiro, ficam com o malfeitor?

    Espera-se que os defensores dos vendilhões não façam com o juiz Sergio Moro, o que fizeram com o ministro Joaquim Barbosa que, ameaçado de morte, aposentou-se, antes do tempo, enquanto os mensaleiros estão, em casa ou passeando...

    Lourdinha Luna uma é membro da Academia F. de Letras e Artes da Paraíba.


  • 13/12/2014

    Os desafios de Cartaxo


     No início de sua gestão Luciano Cartaxo, mesmo tendo maioria mais do que folgada na Câmara Municipal, teve um início de gestão muito difícil, em razão do sucesso dos seus antecessores Ricardo Coutinho e Luciano Agra, mas principalmente por não ter até então nenhuma experiência como gestor, já que foi parlamentar durante toda a sua vida pública, pesando ainda a falta de experiência dos seus secretários, fato que o obrigou a realizar várias mudanças na sua equipe, até que a gestão finalmente empinou e começou a mostrar resultados positivos., tanto que o mesmo conseguiu fruto desse trabalho lançar seu irmão Lucélio Cartaxo como candidato a senador, obtendo o mesmo meio milhão de votos.

     

    OS DESAFIOS DE CARTAXO PARA 2015 II

     

    Nesses dois anos que faltam e se preparando para o embate de 2016, Luciano Cartaxo necessita atacar obras de peso, como a do Parque Sólon de Lucena, a barreira do Cabo Branco, o novo Bairro São José, o viaduto de acesso ao Altiplano, a questão dos alagamentos da ladeira que IGA Mangabeira ao Geisel, a revitalização do Bairro do Varadouro, inclusive com a construção de um espaço para eventos, a contenção da Barreira do Cabo Branco, evitando assim o seu desmoronamento total, a continuação da Avenida João Mauricio até as proximidades do iate Clube e finalmente o esperado Parque Municipal Parahyba, aproveitando os canais do Rio Jaguaribe de propriedade da Prefeitura e que cortam todo Bairro do Bessa e o terreno do Aeroclube, caso este último já esteja liberada e autorizada sua desapropriação pela Justiça.

     

    AS CONTAS DE RICARDO COUTINHO

     

    As contas de Ricardo Coutinho, referente aos exercícios de 2011 e 2012, foram devidamente aprovadas pelo Tribunal de Contas da Paraíba. No ano passado, em pleno período eleitoral a Assembleia Legislativa onde RC não tinha maioria, já que contava apenas com cinco ou seis deputados, tentou apreciar as referidas contas - quem sabe para assim atingir em cheio a candidatura do governador que Buscava a reeleição. O fato é que tal apreciação e votação não aconteceram e agora tais contas entram na pauta e podem ser julgadas nos próximos dias. Mesmo tendo elegido uma boa bancada no último pleito e conquistado alguns aliados que antes lhe faziam oposição cerrada, RC ainda não conta com maioria folgada e para o mesmo seria bom que tais contas fossem apreciadas apenas em 2015, quando a sua situação no Parlamento já seria bem mais tranqüila. Tudo isso sem esquecer que neste momento o governador não conta com a liderança de Hervázio Bezerra, que sempre foi um verdadeiro guerreiro na sua defesa

     

    A DEVIDA HOMENAGEM A TARCÍSIO BURiTY

     

    Esta semana dona Glauce viúva do ex-governador Tarcísio Burity, em entrevista ao jornalista Tião Gomes, na TV-Master, lamentou que seu falecido marido não tenha ainda recebido o devido reconhecimento de nossas autoridades com relação a colocação do nome do mesmo num local de destaque. Até mesmo o seu valioso acervo com mais de oito mil livros Dona Glauce teve muito trabalho para doar ao Espaço Cultural José Lins do Rego na gestão de José Maranhão, pois teve que arcar com toda despesa de transporte e contratar um especialista para fazer o trabalho de separação e catalogar todo acervo para compor o memorial a ser instalado na biblioteca do Espaço. Há poucos dias, tal espaço iria ser inaugurado para então ser estudado e pesquisado pelos amantes dos livros e estudantes de modo geral, mas foi adiado e nunca mais se determinou uma nova data para tal inauguração. Como conheço bem o trabalho do poeta Lau Siqueira, tenho certeza de que o mesmo logo estará inaugurando aquele espaço para assim pudermos desfrutar desse grande Acervo do ex-governador Tarcísio Burity. Mas fica aqui a cobrança para que sue nome seja imortalizado num grande empreendimento, principalmente em algo ligado a cultura.

     

    ESTAÇÃO DAS ARTES LUCIANO AGRA

     

    Por falar em homenagem, todo mundo sabe o extraordinário legado deixado pelo ex-prefeito Luciano Agra, que colaborou muito na infraestrutura da nossa capital, primeiro como secretário do Planejamento, depois vice-prefeito e finalmente prefeito por dois anos, com a renúncia de Ricardo Coutinho. Dentre outras obras, Luciano Agra teve papel fundamental na construção e inauguração da Estação das Artes, aquele prédio anexo a Estação Ciência, onde, aliás, o seu corpo foi velado. Ontem mesmo durante o velório o prefeito Luciano Cartaxo, revelou que aquele prédio, passará a se chamar Estação das Artes Prefeito Luciano Agra. Bem merecida tal homenagem.

     

    A VOLTA DE WASHINGTON ESPÍNOLA E A BANDA MOLHO INGLÊS

     

    O músico e cantor Washington Espínola, reside e trabalha na Suíça e que todo final de ano vem rever familiares e amigos aqui em João Pessoa. Washington no passado fez muito sucesso na Banda Molho Inglês e tinha dentre outros companheiros o jornalista Abelardo Jurema dublê de profissional de imprensa e cantor de muito boas qualidades e ainda Marcelo Jurema (bateria), José Crisólogo (baixo). Há alguns anos, os mesmos se reuniram na Boate do Cabo Branco e deram ali um verdadeiro show com as imortais músicas dos Beatles, Este ano Washington está de volta e Abelardo já planeja reunir o extinto grupo que tanto sucesso fez aqui na Paraíba e estados vizinhos. Vamos ficar na torcida que tal aconteça para deleite de todos.

     

    ALBERGIO GOMES MEDEIROS E A CPÍ DA PETROBRAS

    Albergio Gomes Medeiros é com certeza um dos mais lúcidos participantes das redes sociais e sempre se posiciona sobre os mais diversos assuntos, mesmo aqueles que eventualmente não agrade os poderosos de plantão. Albergio a partir deste ponto: “Mais uma CPMI que teve enorme alarde a alarido; grande repercussão na mídia; fechada com chave de "ouro" pelo relator; Dep. Marcos Maia (PT-RS). Tomara que ele trate as próprias finanças como tratou a tal Comissão e o Relatório. Considerou a compra da refinaria norte americana Passadina; de bastante razoável; embora a Pres. Dilma tenha com muita relutância admitido que não teria aconselhado a compra se tivesse obtido todos as informações; e o TCU (que; diga-se; não tem sido nenhum exemplo de eficiência para o desiderato de existência) proclamado um prejuízo em torno de 1;6 Bilhão de Reais.
    Pensando melhor; talvez o ilustre Deputado tenha razão. Pode ter sido um negócio "bastante razoável"; mas para quem né?Pior que não boto fé no resto; pois haverá um feito para "ZAVASCKI" apreciar; e não duvido que novas teorias aflorem na mesma senda da CPMI.Nesse país de tantos celerados; já não duvido de nada”. Caro Albergio, sem falar que o presidente das duas comissões, Vital do Rego, que em tese deveria ser visto como inimigo dos investigados ganhou da presidente Dilma Rousseff (PT), um cargo vitalício de ministro do Tribunal de Contas da União. O negócio ficou tão esquisito que os partidos de oposição já prometem apresentar um relatório paralelo e o senador Aécio Neves deseja a instauração de nova CPI, para apurar com rigor os crimes que levaram bilhões de nós pobres contribuintes.


    LAVA–JATO, POR CIMA DE QUEDA COICE

    Por falar em escândalo, de repente esse ai denominado Lava Jato, tomou conta do nosso país e colocou contra a parede dezenas de políticos, servidores públicos, grandes empreiteiros e doleiros. Agora chega a informação de que a Polícia Federal descobriu que a ex-mulher de um determinado empreiteiro, vem exigindo altas somas em dinheiro para não revelar outros segredos bem cabeludos e comprometedores. Se a moda pega, vai rolar muito dinheiro ou muita cadeia se os outros envolvidos não aceitarem a inusitada extorsão.

     

    GAROTINHO O BB E A RAPOSA CUIDANDO DAS GALINHAS

     

    Desde que o PT assumiu o comando do País foram criadas várias e desnecessárias vice-presidências do Banco do Brasil que são verdadeiros cabides de empregos para acomodarem os mais diversos aliados políticos. A bola da vez para ocupar uma dessas poderosas vagas agora é o ex-governador e ex-deputado Antony Garotinho que é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal que apuram os crimes de peculato, lavagem de dinheiro, ameaça e crime eleitoral. Também é alvo de ações de improbidade na Justiça fluminense. Em agosto de 2010 foi condenado pela Justiça Federal a dois anos e meio de prisão por formação de quadrilha. A pena foi revertida em prestação de serviço à comunidade, e proibição de exercer cargo público e mandato eletivo, com a possibilidade de recorrer em liberdade. Como o Banco do Brasil cuida de dinheiro, é a mesma coisa que entregar um galinheiro para uma raposa cuidar. Ou não?


    Esta coluna é publicada no http:/www.blogdopedromarinho.com e em quatro portais.


  • 10/12/2014

    Carências da sociedade


     Leva-nos à revolta saber que doentes internados em hospitais públicos, passam dias à espera de vaga na Unidade de Terapia Intensiva, para ocupá-la após o paciente se submeter a uma cirurgia, de urgência. O cirurgião, humano e antenado com seu dever, esforça-se, em vão, para atender seu cliente. A espera deixa doente e familiares estressados.

    A quem culpar pela demora? Simplesmente à corrupção que se implantou no Serviço Público, tirando da sociedade carente os benefícios que merece.

    Li em um site sobre a perversão brasileira, o mesmo raciocínio expressado por dois cientistas políticos num programa da globonews. Eles informaram que há no Brasil, 200 denuncias de perversão e só três estavam sendo analisadas. As 197 estão no aguardo da investigação e quando os processos forem examinados, os pervertidos talvez estejam mortos, ou em idade avançada que os livrará da reclusão carcerária. 
    A Transparência Brasil informa que no nosso país 85 bilhões de reais são surrupiados dos cofres públicos, anualmente. Que benfeitorias seriam levadas para a saúde, educação, segurança!...

    Outro item de suma importância seria o traslado de águas do Tocantins para o São Francisco e dai para os Estados secos do Nordeste. Sem condições de enfrentar o problema em sua completude, está sendo usada, apenas, águas do rio da Integração Nacional, o excedente que tem sua decantação no mar.

    Num ano de fraca invernia, a caudal dadivosa não subvencionará os sedentos do liquido que não tem sucedâneo.

    À sociedade cabe fiscalizar o andamento dos casos e não ter tolerância com os larápios até vê-los trancafiados. Embora nossas leis sejam “elásticas”, porém a norma muito esticada pode quebrar sua resistência.

    O sistema usado pelos delinqüentes é diabólico e eficaz. Um acusado reduz sua pena ao delatar outros e o caso se ramifica ao infinito. É a maneira que o juiz Sergio Moro dispõe para encontrar o rastro do bilionário desvio praticado na maior empresa pública da América Latina, a Petrobrás. O assunto indigna o país, com os contratos superfaturados quanto ao valor das obras para a construção de refinarias. Contas bancarias são repentinamente esvaziadas para evitar o congelamento. Outro faz acordo para devolver 100 milhões de reais. E os juros que rendeu esse dinheiro, ficam com o malfeitor?

    Espera-se que os defensores dos vendilhões não façam com o juiz Sergio Moro, o que fizeram com o ministro Joaquim Barbosa que, ameaçado de morte, aposentou-se, antes do tempo, enquanto os mensaleiros estão, em casa ou passeando...

    Lourdinha Luna uma é membro da Academia F. de Letras e Artes da Paraíba.


  • 28/11/2014

    Bodas de Diamante da Petrobras


     Dentre os amigos mais próximos de José Américo figurava o uno e múltiplo cearense, Juracy Magalhães. O afeto entre eles surgiu ao chegar o militar à Paraíba, para servir no 22 BC, quando o ideal revolucionário de 1930 estava no ar e nos corações.

    No falecimento de José Américo, com Lavinia enviou-me uma carta com a sugestão de não interrompermos a amizade, o que sensibilizada acatei. Nas minhas viagens ao Rio o casal era visita da 1ª hora. Ele era um capitulo valioso e fecundo da história do Brasil que ajudou a escrever. Juracy Magalhães foi o 1º Presidente da Petrobrás, no Estado da Bahia, e cuidou do patrimônio nacional, com denodo e eficiência. Dele ouvi o que passo a narrar, com minhas palavras, que não têm o sortilégio das dele.

    A Petróleo Brasil S/A foi criada, pelo presidente Getúlio Vargas, com o principal objetivo da exploração petrolífera. Impulsionado pela campanha popular iniciada em 1946, sob o slogan “o petróleo é nosso” que andava nas bocas, nos escritos e nos sonhos da sociedade brasileira. A 3 de outubro de 1953, por decreto-lei, nascia a Sociedade de capital Aberto, na Avenida Rio Branco, 81, no Rio de Janeiro, então, capital da República, como Empresa de Economia Mista.

    O governo federativo era o acionista majoritário. Para fortalecer a recém-criada, surgiram os embriões das 3 grandes estatais: O Conselho Nacional do Petróleo; a Companhia Siderúrgica Nacional e a Mineradora Vale do Rio Doce, privatizada no governo de Fernando H.Cardoso.

    O Estado foi o grande empresário na proteção às indústrias de base e na garantia da nacionalização dos recursos minerais. A administração geral atuava nos segmentos: exploração, produção, refino, petroquímica, biocombustíveis, comercialização, transporte de petróleo e gás natural, distribuição de derivados, energia elétrica, além de outras fontes energéticas renováveis.

    A maior Empresa brasileira do gênero sagrou-se como a oitava (8ª) maior do mundo, e teve dias gloriosos. Em pouco tempo produzia 2 mil barris do “ouro negro”. Suas ações se valorizaram e eram disputadas nas bolsas de valores. Ela era o orgulho de todos nós.

    Quando a Petrobrás completa seis décadas de existência é covil de malfeitores. Agridem a memória do seu fundador, que industrializou o pais, e por sua ação gerou riquezas e o respeito das congêneres internacionais.

    Louvores para o Ministério Público e a Policia Federal, pela vedação da sangria do Brasil. Pela ação moralizadora merecem os aplausos dos brasileiros conscientes. ______________________________________________________________________

    Lourdinha Luna é membro da Academia de Letras de Areia.


  • 18/11/2014

    Hino da Campanha


     A cidade de Souza recepcionou o candidato ao governo do Estado, em 1950, com uma canção emocionante, que se tornou o hino oficial da campanha, Por toda a vida José Américo tentou saber quem era o autor da letra e a cantante, sem obter uma informação que reveladora da verdade. Houve indicados, aleatoriamente, e consultados, descartaram a autoria. Dai em diante, gravado, em disco, abria e fechava os comícios, acompanhados por todos os presentes aos encontros cívicos. Os tempos passaram e eu não deixei de pesquisar, em especial, depois que Flávio Sátyro, Presidente da FCJA, conseguiu a carcaça de rádio antigo e o disco que passou a ser tocado, quando das visitas ao Museu. "Como o que tem ser tem muita força" como dizia Zeamérico, certa vez numa festa, um casal iniciou uma conversação como me conhecesse. E fez a revelação: "a letra foi escritQa por sua irmã que era professora em Nazarezinho e a melodia de nosso pai que era músico. O informante era cel. PM e professor Universitário. Como eu não dispunha de condições de anotar seu endereço, pedi-lhe que me acessasse na FCJA , porque eu gostaria de apresenta-lo à direção da Casa. Ele nunca me procurou e permanece o anonimato. Esse comentário vem a calhar com o envio para mim, desse disco há poucos dias, por parte do cardiologista José Mário Espínola, gesto que se repete, hoje, por via da amiga e confreira da AFLAP, Mª Nazareth Xavier. A esperança de ainda encontrar esse par continua viva, para que se faça justiça, aos idealizadores dessa notável produção artística - musical..


  • 25/10/2014

    Dia fatal


     Com a prisão de João Dantas, sua noiva Anayde Beiriz fora para o Recife a fim de assisti-lo no seu sofrimento. Visitava-o todos os dias na penitenciária. A efervescência a partir do dia 4 de outubro com a vitoria da revolução de 1930, João Dantas fora sacrificado. Compraram o silêncio dos apenados, inclusive o bandido Antonio Silvino que só falou a verdade às portas de sua morte.

    Recolhida Anayde ao Albergue Bom Pastor, por motivo de segurança, faleceu a 22-10-1930, por determinação própria. A diretora do albergue Madre Maria Nazaré de Jesus Breve comunicou o fato à sua genitora e destacou -lhe a formação religiosa, a dedicação à família, a seriedade e amor por João Dantas.

    No curto período de 3 semanas, a partir do assassinato do prisioneiro, Anayde viveu biologicamente, pois seu coração seguira com o amado. Nesse infeliz entrevero 4 ilustres paraibanos perderam a vida - João Pessoa, João Dantas, João Suassuna e Anayde Beiriz, quando muito podiam oferecer à empobrecida Paraíba. Cometido o crime fatal, João Dantas confidenciou a seu amigo e colega Antonio Pereira Diniz: "isto não me trouxe nenhuma satisfação..." Na capital do Estado fora negado aos mortos a missa de 7º dia, celebrada 30 dias depois pelo insubordinado homem de Deus, o beatificado Padre José Coutinho.Tem a vida muitos mistérios! Requiem por eles.


  • 13/10/2014

    Dom Alexandre Ximenes


     Recebi um e-mail do pastor evangélico dom Alexandre Ximenes, da Igreja Anglicana do Recife, um dos pastores mais credenciados do Nordeste, por seus ensinamentos, fé e palavras, com que explicita os temas da missão evangelizadora, a seu encargo. Por concordar com o pensamento do mentor espiritual, transcrevo o texto, depois de revelar como conheci o autor.

    Celebrava-se na granja Paulo Henrique, em “Monsenhor Magno” ou “Muçu Mago”, como querem alguns historiadores, as bodas de Ouro dos proprietários, o juiz de Direito Hermilio Ximenes e sua esposa Vilma Farias, em maio de 2008.

    A parte religiosa da solenidade comemorativa dos 50 anos de casamento do par, ficara a cargo do guardião espiritual, o primo Alexandre Ximenes. O louvor proclamado emocionou os ouvintes, pelas sentenças cristãs que permearam a homilia, com a experiência humana de sua vida dedicada às causas do Senhor.

    Diz ele: “Nunca fui de participar, ativamente, de política, tampouco, causar polêmica com discussões acerca de bandeiras ou cores partidárias. Porém, nessa eleição, em particular, quero me manifestar, por entender que a questão não é só de corrupção, a qual existe, intensamente, no nosso povo, em maior ou menor grau.

    O juízo, agora é espiritual! Existe uma potestade reinando sobre o governo federal, que se Deus não tiver misericórdia de nós, nosso pais naufragará na escuridão.

    Por que estou dizendo isso? Pelo menos por cinco motivos:

    1º - Há a aliança que o Brasil fez com o então presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad, um conhecido traficante de armas e anti-semita. A bíblia diz que Deus fez uma aliança com Israel, postulando que benditos seriam aqueles que o abençoassem e malditos os que o amaldiçoassem. O Iran um país maldito que fez aliança com o Brasil.

    2º - As alianças que o Brasil fez com os presidentes traficantes internacionais de drogas da Bolívia e Venezuela, além de Cuba, cujos ditadores são assassinos e anticristãos, que têm repercussão espiritual sobre o nosso povo. A bíblia diz que quando os lideres pecam todo o povo padece.

    3º - A declaração feita pela diplomacia brasileira a favor do Hamas, facção terrorista e anti-semita, que possui no seu programa de governo a aniquilação do povo de Deus.

    4º - A desconstrução da família, através de leis que relativizam o casamento de um homem com uma mulher e trazem novas formas de família que aviltam os princípios e propósitos de Deus para a humanidade.

    5º - Uma silenciosa perseguição à igreja pela classe intelectual midiática, sobre o manto da sutileza que não se consegue detectar os fundamentos específicos, para uma possível estratégia de defesa.” (fecho o parêntese.) (

    É prudente se meditar sobre as palavras do pastor Alexandre Ximenes e no que diz o Juiz Federal Odilon de Oliveira, do Mato Grosso, que o PCC vai investir no terrorismo para expandir seus domínios com o tráfico de drogas e armas, em razão no declínio da FARC. Recebidos pelo governo Lula, há 400 ex-guerrilheiros paraguaios, asilados no Brasil. A esposa de um dos maiores lideres da FARC , Odilon de Olivério Medina trabalha no Ministério da Pesca, no governo da presidente Dilma Roussef.

    Consta de um artigo do jornalista destemeroso Reinaldo Azevedo que nos computadores do terrorista morto por soldados colombianos, Raul Reyes fora encontrada uma mensagem de Oliveiro Medina em que ele dizia poder contar com o apoio da cúpula do governo brasileiro, em particular com o ministro Celso Amorim.

    Ao mesmo tempo que se tenta instalar o terror no Brasil, há a intenção de advogados de defesa de criminosos políticos de só aplicar prisão com perda da liberdade para “crimes de sangue”. Nos casos de desvio de verba pública o castigo se resume à imposição de penas pecuniárias. Se a moda pegar as penitenciárias se esvaziarão... porque há no nosso país mais de 100 escândalos, dormindo nas gavetas que não deviam abrigar delitos. Seja qual tenha sido o indecoroso assalto.

    São esses os conceitos dos que chamam a atenção para as mazelas que espreitam os brasileiros. E Deus nos livre delas.

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    Lourdinha Luna é membro da Academia de Letras de Areia.


  • 01/10/2014

    E agora, Migué?


     Em meio a denúncias de compra de votos por candidatos a governador e deputados, um ato corriqueiro na política partidária, e há quem afirme não ser uma prática de hoje. O jornal Contraponto, desta semana, trás em sua pagina – Politica - um poema do inspirado Marcos William, que conheço através de sua colaboração no semanal. Nos seus textos literários, revela-se excelente e também um versejador judicioso e moderno.

    Poderia, se o autor fosse idoso, com o tema metrificado - “E Agora Migué ??” - ter sido o abre-alas da Semana de Arte de 1922, realizada em São Paulo, que conferiu ao pernambucano Manuel Bandeira, a láurea de inovador do movimento cultural, com a poesia – “Os Sapos”. Uma estrofe reza: “...Em ronco que aterra/ Berra o sapo-boi/ Meu pai foi à guerra/ Não foi...foi... não foi”.

    O escritor paraibano citado brindou seus leitores com um tema metrificado, em que faz o gênero narrativo, épico e dramático de uma categoria de votantes. No lírico explora a musicalidade das palavras e trabalha na exploração dos sentimentos e emoções. A realidade se faz presente no dramático ao citar um mundo onde, coerentemente, ocorrem os lances que compõem o enredo da historia dos eleitores carentes das atenções do Poder Público.

    Como é longa a exposição em que o poeta paraibano, comenta a situação do eleitor obrigado a votar, sem ter consciência de seu ato, transcrevo, um verso, a que não falta ou sobra uma silaba na musicalidade. “...Se você votasse/ Se você ganhasse/ Um trabalho de gente/ Saúde de classe/ Você saberia/ Dizer com seu voto/ O seu muito obrigado/ E seria feliz/ Você burro é Mingué!/ Ficou sem emprego/ Sem educação/ Seu país só aparece/ Nas mazelas do mundo/ Até o futebol/ Que enganava sua fome/ Virou empresa/ De gente sem nome.” E finaliza numa assertiva que não tem variante, na interrogação: “Não tens opção?/ Todos calçam 40/ Então vota no doido/ No feio, no besta/ No surdo, no mudo/ No hétero, no homo/ Na quenga/ No vesgo/ E vai pela dica/ do teu coração/ Só não vote naquele/ que é mala, maleta/ Stellio e furão/ Que jura que é Cristo/ Mas é o Dimas ladrão!

    A democracia no Brasil é jovem. Após 20 anos de Ditadura, em 1984 teve começo o processo de transição democrática, com a eleição do 1º Presidente civil, Tancredo Neves. Desde então, o PMDB enfatizou que só existiria governo democrático, quando a liberdade política convivesse com a igualdade social. Contudo, vamos fortificar o sistema, para que a democracia sobreviva. ______________________________________________________________________

    Lourdinha Luna é membro da Academia de Letras de Areia.


  • 25/08/2014

    O Brasil está de luto


     Mais uma vez, no século XXI, o Brasil perdeu a oportunidade de ver, abalado o domínio da corrupção, no meio político. Alquebrou-se o poder de agir contra a impunidade. Exorcizar o desvio de uma função anormal, seria contrariar uma tendência inata de alguns homens públicos, mas Eduardo Campos se propunha a fazê-lo.

    Quando de seu acento no STF, o conspícuo presidente Joaquim Barbosa, tentou impor um regime de seriedade à Nação. Foram tantas as ameaças à sua própria existência que não teve outro meio para conservar a vida, senão pelo caminho da renuncia de suas funções de magistrado. Registre-se a abdicação do Ministro Joaquim Barbosa, como a 1ª derrota de caráter permanente, na máxima Organização Social da Nação.

    A prova que seu afastamento foi salutar para a perversão, que pretendia continuar instalada, em nossa pátria, está na concessão ao mensaleiro José Genuino, para deixar a prisão da Papuda e cumprir sua sentença em cárcere privado...

    Os companheiros do Mensalão, aguardam a liberdade irrestrita para o próximo governo, se o PT for vitorioso.

    A morte inesperada do candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, fora um acontecimento funesto para o aglomerado humano, que via nele as mudanças reclamadas para melhor, pela sociedade brasileira.

    Quem vê Televisão deve se lembrar do flagrante registrado com o ex-governador José Roberto Arruda (PR), ao receber propina. Pelo ato foi compelido a afastar-se do cargo de governador do Distrito Federal. Retorna, como candidato ao mesmo posto, e está à frente nas pesquisas. O TRE (DF) negou-lhe o registro, mas há recurso para o TSE e ele aguarda confiante uma decisão satisfatória.

    A fé e a esperança dos brasileiros se concentravam em Eduardo Campos. Na última entrevista, ao arcebispo do Rio de Janeiro dom Orani Tempesta, na véspera do desastre que o vitimou, nas respostas que ofereceu sobre assuntos pertinentes à moral e aos bons costumes, mostrou que conhecia os problemas e estava decidido a resolvê-los. Falando, no mesmo dia, ao Jornal Nacional na TV Globo e Globo News, indagado por vários jornalistas, para uma informação em 7 minutos, limitou-se a dizer “não desistam do Brasil”. E, aguardou-se para revelar suas idéias, quando houvesse tempo favorável.

    Perdeu “a pátria amada, desvalida” um arauto, que se não pudesse fazer o muito, exigiria respeito ao que é do povo e em sua valia, ser aplicado. Expressou satisfação, quando lhe informaram que no debate dos presidenciáveis ganhara status, quanto às indagações respondidas por Aécio Neves. Com a morte que ceifou a vida de Eduardo Campos, nos despedimos do quinhão de sonho de vermos a moralidade se impondo na Nação chamada Brasil.

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    Lourdinha Luna é membro da Academia de Letras de Areia.


  • 06/08/2014

    O movimento Armorial


     De caráter regionalista, a iniciativa do Movimento Armorial deve sua criação ao imortal da Academia de Letras, Machado de Assis, Ariano Suassuna. Dentro do seu vasto programa com vistas a todas as manifestações populares, surgiu a Orquestra Armorial de Câmera, organizada por Ele e o compositor Cussy de Almeida, com a colaboração de artistas e escritores da região Nordeste. Teve seu começo no âmbito universitário mas, para crescer, ganhou apoio oficial, da Secretaria de Cultura de Pernambuco e da Prefeitura Municipal do Recife.

    O Movimento se revela no interesse pela literatura, música, pintura, dança, escultura, heráldica e tudo que se relacione com a capacidade do ser humano, de por em prática uma idéia ou vocação. O andamento propõe-se a realizar uma arte brasileira erudita a partir das raízes populares, usando instrumentos típicos da nossa ancestralidade musical que remontam ao barroco do século XVIII.

    Com um repertório rico no folclore em que se destacam Cussy de Almeida, com o estilo identificado como Nordestinados: o “Aboio” e o “Kirie”. O maestro Guerra Peixe compareceu no projeto com “Galope” e “Mourão”. Capiba contribuiu com “Sem Lei e sem Rei”.

    Antes de lançada oficialmente, no Recife a Orquestra Armorial (pífano, rabeca, clavicórdio e viola de arco, etc) apresentou-se no Auditório da Universidade Federal da Paraíba, sob os auspícios do governo da Paraíba, na década de sessenta.

    O governador João Agripino foi portador de um convite de Ariano, para José Américo, em que ele expressava, em letra de forma, a satisfação de tê-lo, na representação teatral. como observador.

    Pela primeira vez pus meus olhos em Ariano. Vestia um modelo indiano de tecido azul. Indagado, por Juarez Batista, qual o alfaiate responsável pela indumentária, disse que uma amiga no Recife a cosia para ele. E adiantou que não usava palitó, peça que no futuro, passou a adotar, porém, sem mudar o estilo despojado e a costureira...

    Antes e depois da exibição do conjunto instrumental as pessoas acorriam para ele. Eram autoridades, professores, estudantes, admiradores e Ariano não parava de falar. A certa altura formou-se uma roda e alguém tocou no ombro de José Américo que se virou para conferir de quem se tratava. Ao documentar o gesto disse Ariano: “Ministro o senhor é muito corajoso, dá às costas a João Agripino”(sic).

    Indaguei o porquê da barda. E José Américo me disse que no passado as famílias Suassuna e Maia se desentenderam e houve conflitos entre os clãs. Esta semana ele partiu e deixou as “aulas-espetáculo” sem seu mestre e apresentador.

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    Lourdinha Luna é membro da Academia de Letras de AREIA.


  • 27/07/2014

    A palavra do juiz


     Na terça-feira 15 de julho, o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, por seu Presidente, desembargador Saulo Benevides, acolheu na sala-recinto das sessões, o juiz eleitoral do Maranhão, Marlon Jacinto Reis, para uma conferência sobre delitos, o que a Lei Eleitoral não admite.

    Antes de ouvirmos o convidado, o Presidente do TRE, deteve-se numa detalhada exposição sobre o programa “Voto Vendido, Voto Vencido” que, na tradução livre, é um atentado à democracia, pois tira do eleitor o direito de escolher o seu candidato. A prática errada consolida o crime eleitoral. O sufrágio não pode ser uma moeda de crédito. Ele é um instrumento para melhorar a serventia pública, no município e no estado que, por norma, se consegue pelo voto independente.

    Credenciados para informar, quatro funcionários do TRE, com habilitação em ensinamentos do Superior Tribunal Eleitoral, explicitaram os meios usados pelos criminosos para chegarem à vitória da perfídia. Na lavagem do dinheiro ilícito, os caminhos percorridos por eles é assombroso, quanto à maquinação para o exercício do condenável.

    O magistrado Márlon Reis não era um desconhecido na Paraíba. Aqui estivera quando da coleta de assinaturas, para a Lei da Ficha Limpa. A cota da Paraíba, de próprio punho, foi a maior, entre as demais, salvadas as diferencias, em face do tamanho territorial, em relação a outros Estados. O dito prova o interesse dos paraibanos pela lisura do pleito.

    O resultado auspicioso do movimento é a Lei Complementar nº 135/2010, mais conhecida como lei da Ficha Limpa. O juiz Márlon é responsável pela idéia, êxito, e seu principal relator. É Presidente da Associação Brasileira dos Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais. Em seu currículo valoroso surge como o vencedor do prêmio - “Innovare” – concedido pela fundação Getúlio Vargas pelo trabalho - O Judiciário no século XXI -. Defensor da participação popular no processo eleitoral coordenou, em 2008 a Campanha Eleições Limpas do TSE.

    Pelo esforço na moralidade do sufrágio fora considerado pela Revista Época, um dos 100 mais influentes brasileiros ao orientar o programa de pós graduação à distância. Possui diploma de Estudos Avançados em Sociologia Jurídica e Instituições Políticas, na Universidade de Zaragoza (Espanha). É vasto o currículo do jovem juiz (42 anos) Márlon Jacinto Reis, que esteve sempre, na linha de frente contra a corrupção. É de sua autoria o Movimento de Combate à Ficha Suja, que pretendemos expulsá-la do nosso calendário.

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    Lourdinha Luna é membro da Academia de Letras de Areia.


  • 22/07/2014

    A palavra do juiz


     Na terça-feira 15 de julho, o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, por seu Presidente, desembargador Saulo Benevides, acolheu na sala-recinto das sessões, o juiz eleitoral do Maranhão, Marlon Jacinto Reis, para uma conferência sobre delitos, o que a Lei Eleitoral não admite.

    Antes de ouvirmos o convidado, o Presidente do TRE, deteve-se numa detalhada exposição sobre o programa “Voto Vendido, Voto Vencido” que, na tradução livre, é um atentado à democracia, pois tira do eleitor o direito de escolher o seu candidato. A prática errada consolida o crime eleitoral. O sufrágio não pode ser uma moeda de crédito. Ele é um instrumento para melhorar a serventia pública, no município e no estado que, por norma, se consegue pelo voto independente.

    Credenciados para informar, quatro funcionários do TRE, com habilitação em ensinamentos do Superior Tribunal Eleitoral, explicitaram os meios usados pelos criminosos para chegarem à vitória da perfídia. Na lavagem do dinheiro ilícito, os caminhos percorridos por eles é assombroso, quanto à maquinação para o exercício do condenável.

    O magistrado Márlon Reis não era um desconhecido na Paraíba. Aqui estivera quando da coleta de assinaturas, para a Lei da Ficha Limpa. A cota da Paraíba, de próprio punho, foi a maior, entre as demais, salvadas as diferencias, em face do tamanho territorial, em relação a outros Estados. O dito prova o interesse dos paraibanos pela lisura do pleito.

    O resultado auspicioso do movimento é a Lei Complementar nº 135/2010, mais conhecida como lei da Ficha Limpa. O juiz Márlon é responsável pela idéia, êxito, e seu principal relator. É Presidente da Associação Brasileira dos Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais. Em seu currículo valoroso surge como o vencedor do prêmio - “Innovare” – concedido pela fundação Getúlio Vargas pelo trabalho - O Judiciário no século XXI -. Defensor da participação popular no processo eleitoral coordenou, em 2008 a Campanha Eleições Limpas do TSE.

    Pelo esforço na moralidade do sufrágio fora considerado pela Revista Época, um dos 100 mais influentes brasileiros ao orientar o programa de pós graduação à distância. Possui diploma de Estudos Avançados em Sociologia Jurídica e Instituições Políticas, na Universidade de Zaragoza (Espanha). É vasto o currículo do jovem juiz (42 anos) Márlon Jacinto Reis, que esteve sempre, na linha de frente contra a corrupção. É de sua autoria o Movimento de Combate à Ficha Suja, que pretendemos expulsá-la do nosso calendário.

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    Lourdinha Luna é membro da Academia de Letras de Areia.


  • 18/07/2014

    Ele faz falta


     Os governantes oriundos da Revolução de 1964, João Agripino, Ernani Sátyro e Ivan Bichara, com maior ou menor freqüência, acatavam as sugestões de José Américo, quando solicitado a se pronunciar. Ser útil era seu desejo, mas ser justo foi seu maior titulo. Pelas sensatas opiniões recebera a alcunha de “Conselheiro”, pelos que careciam de um parecer isento de paixão...

    João Agripino, no inicio da Presidência do Estado entrou em conflito com a Justiça Estadual, em razão dos baixos salários atribuídos aos magistrados. O desembargador e jornalista areense Aurélio de Albuquerque, assumiu a defesa da classe e levava ao conterrâneo às reivindicações da Corte de Justiça da Paraíba.

    Farpas foram trocadas de público. Travou-se entre os Poderes uma contenda preocupante, a exemplo da vivida em 1930, quando o desembargador Heráclito Cavalcanti, a “alma danada” que, em vão, tentou impor aos paraibanos a política de seu Partido para desestabilizar o Presidente João Pessoa, que fazia um governo de moralidade e desenvolvimento, com o apoio do povo, que o amava.

    Ciente, do que se passava nas hostes administrativas dos Poderes em litígio, José Américo, com uma sugestão criteriosa dirimiu o que poderia ter se agravado, por via de caprichos que levam ao desastre.

    A querela do governador Ernani Sátyro com o Tribunal de Contas, relatado pelo Conselheiro Octacílio Silveira, advertiu José Américo, a não esperar a visita domingueira do “amigo velho”. Fomos à Granja Santana e problemas e soluções foram postos na mesa, e o que se prenunciava um desentendimento de proporção avantajada e prejudicial para o TC e o próprio governo, teve desfecho satisfatório com a cessão das partes aos propósitos comuns.

    Quanto às divergências de ordem política ou administrativa a orientação de José Américo, algumas vezes, não teve acatamento. Quando o governador Ernani Sátyro decidiu derrubar o prédio de A União, para construir o do Poder Legislativo, José Américo, Celso Mariz, Osias Gomes e Leonardo Smith, velho jornalista paraibano, que passava um fim de semana conosco, contestaram a demolição. Eles não só pediram, como imploraram pela preservação da primeira Escola de Letras do Estado. Mas, o pleito fora indeferido.

    Ivan Bichara, também, não considerou o aconselhamento para acatar o nome de Antonio Mariz, iludido pelos que queriam Milton Cabral, e apresentavam como cláusula restritiva, a decisão dos convencionais que, em número maior de votantes, sufragaram o nome do campinense.

    Talvez se o governador Ricardo Coutinho tivesse ouvido pessoas sensatas, teria dirimido situações conflitantes e ninguém lhe faria sombra, nem ameaçaria interromper seu programa administrativo.

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    Lourdinha Luna e membro da Academia de Letras de Areia.


  • 12/07/2014

    Reinaugurado o Almeidão


     Construído e aparelhado no governo Ernani Sátyro, o estádio moderno e suntuoso, dirigido aos aficionados do futebol, porém, à falta de conservação, o colosso esportivo estava em ruínas. Passados quarenta anos o governador Ricardo Coutinho, cumprindo seu programa de restauração de obras públicas, voltou-se para o Almeidão. O intuito era oferecer aos entusiastas do jogo, com bola no pé, instantes de emoção, com segurança e conforto. O momento escolhido para sua reinauguração não poderia ser mais adequado. Vivemos uma Copa do Mundo em que olhos e corações estão antenados no que se passa nos campos, transmitidos pelas telas das TVs e os comentários elucidativos.

    Dar o nome de José Américo de Almeida Filho ao Estádio de Futebol, no ano de 1975, foi um ato que teve o apoio, não apenas da sociedade futebolista, como de toda a comunidade paraibana. Américo Filho fora de extremado devotamento ao esporte bretão, por quem fez sacrifícios ingentes, desde sua fase no Botafogo Futebol de Regatas (RJ) onde se iniciou como amador.

    Residindo em João Pessoa, fora eleito Presidente do Botafogo Futebol Clube. Para dinamizá-lo contratou na Bahia os jogadores, já famosos, Arquimedes, Beto e Tita, e os fez funcionários do IPASE, porque o grêmio, sem patrimônio financeiro, não tinha como pagar os salários dos desportistas.

    Diz o professor Arael Costa que, sem desmerecer outros dirigentes, Américo Filho levou a equipe do Botafogo a vitórias jamais imaginadas. Na presidência do Clube, numa competição na arena do Esporte Clube Cabo Branco (Jaguaribe) a seleção local impôs ao Flamengo, do Rio de Janeiro, uma derrota espetacular. Nesse embate empenharam-se os irmãos Zearmando e Kleber Bonates, Antonio Berto, Vavá, Galego, Noca, Elcio que fizeram do Estrela Vermelha, mais uma grandeza da Paraíba. Outra vitória ocorreu no Pacaembu, em que o Bota da Paraíba superou as seleções da região.

    Para reforçar minhas lembranças e as de Arael, juntei as recordações do Auditor Fiscal Gilvandro Sales, de saudosa memória, que foi testemunha de uma longa fase do Botafogo. Ele relembrava a atuação de Eurivaldo Guerra (Vavá), como servidor da Fazenda Estadual que, com amor à camisa, levou a sucessos inesquecíveis, o time que defendia.

    De Zearmando Bonates, Américo o fez Vereador da Câmara de João Pessoa e Kleber servidor público pelo mesmo motivo dos anteriores, vindos de Salvador-BA.

    Américo reportava-se à maior aventura de sua vida futebolística: ter tido a corajosa atitude de contratar o Vélez Sarsfield, de Buenos Ayres, para partidas com o nosso Botafogo e o Treze de Campina Grande, com as despesas pagas por ele, o sonhador das quimeras impossíveis. .Muitas vezes teve de se amparar na generosidade dos amigos, para ajudá-lo a pagar as despesas ordinárias da Associação.

    O Botafogo exibia-se em espaços cedidos, por empréstimo, até seu gestor (Américo Filho) conseguir um terreno no bairro dos Estados, em João Pessoa, onde, anos à frente se abrigou o DEDE. Foi nesse local que os expectadores esperaram o milésimo gol de Pelé, frustração que ainda dói no coração paraibano.

    Os dirigentes do Santos e o do Botafogo da Paraíba haviam acertado um amistoso entre as equipes, para enfaixar o bicampeão paraibano. Pelé o maior astro do futebol mundial, participaria da competição. O desportista já havia chegado 998 vezes às redes adversárias. O milésimo gol, no entanto, “não deveria

    ser marcado num Estado pobre e inexpressivo, contra uma equipe sem tradição nacional.” Essa era a recomendação do cartola Mazzei, do Santos.

    O governador João Agripino chutou a bola, para o inicio da competição. José Américo impôs àquele que seria o desportista do século XX, a condecoração de honra ao mérito.

    Na exibição das equipes (Botafogo x Santos) Pelé fez o gol 999. Todos os jornalistas da capital e de Campina Grande e Estados vizinhos marcaram presença no estádio. Dizem que veio representação dos grandes Estados e até da América do Sul.

    Após o gol inevitável, o Rei foi jogar como goleiro, no lugar de Agnaldo, desde que, de caso pensado, não levaram outro golquíper. A trapaça se registrou depois que o arqueiro simulou uma contusão para afastar a possibilidade de Edson Arantes do Nascimento fazer outra jogada vitoriosa, fora do Rio de Janeiro.

    No conclave, em João Pessoa, o campo não cabia mais ninguém. Os que ficaram fora gritavam pedindo para entrar. No intervalo para o segundo tempo, Américo abriu o portão e a algazarra assustou o governador João Agripino que viu no seu gesto, uma revanche contra o time visitante. .

    No entreato para o milésimo gol houve, apenas, um jogo contra o Bahia. Quando o zagueiro Nildo tirou a bola em cima da linha, para impedir o feito espetacular do Rei, foi vaiado pela própria torcida.

    A “tragédia” está explicitada numa ajuizada matéria do jornalista Biu Ramos, que conta, com detalhes, a frustração que viveram os sofridos espectadores da farsa exibida na capital da Paraíba.

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    Lourdinha Luna é membro da Academia de Letras de Areia.


  • 02/07/2014

    O PMDB sem garra


     Após a redemocratização de 1945 e sob os auspícios de um bom augúrio, nascera o Partido Social Democrático (PSD), de caráter liberal-conservador.

    Compareceram à reunião preparatória, ex-Interventores de Estado e nesse grupo se integraram como seus fundadores: Negrão de Lima (MG), Auro de Moura Andrade (SP) Ernani do Amaral Peixoto (RJ) Etelvino Lins (PE), Luiz Vianna Filho (BA)_Ildo Meghetti (RGS), Nereu Ramos (SC), Benedito Valadares, Carlos Luz, Fernando de Souza Costa e Augusto do Amaral Peixoto. Incorporaram-se, ainda, no plano federal, ao recém-criado, próceres como Armando Falcão, Ruy Vieira Carneiro e Ulisses Guimarães, no plano federal..

    Na Paraíba, Ruy Vieira Carneiro, Severino Lucena, João Fernandes de Lima e os deputados Odon Bezerra, João Lelis de Luna Freire, Pedro Gondim, Djalma Leite, Balduino Minervino de Carvalho, Otacílio de Queiroz, José Fernandes de Lima, Severino Ismael, Inácio Feitosa, Osvaldo Pessoa, Tertuliano Brito, Aggeu de Castro, Lindolfo Pires e Bernardino Soares, foram os protagonistas de sua criação. Cito, apenas, os que compuseram a 1ª legislatura, no alvorecer do regime democrático. Foram eles os valorosos pessedistas que conduziram o processo de sua formação como Partido Social Democrático (PSD) no Estado altaneiro que desconhecia traição, infidelidade, perfídia...

    O PSD, que ressuscitava das cinzas da ditadura civil de Getúlio Vargas, era tão aguerrido e forte que elegeu dois Presidentes da República, Eurico Gaspar Dutra e Juscelino Kubitschek, ambos pelo PSD/PDT. Ao mineiro (JK), se atribui a gloria de ter levado o Brasil ao progresso, de olhos e mentes dirigidos para o futuro.

    Mas, “havia no seu caminho uma pedra”. A tentativa de exorcizar o regime do povo pelo povo e introduzir o marxismo no país, forçou o Exercito brasileiro a tomar uma medida arbitrária, para evitar o pior. Quando se registram os fatos lamentáveis do período militar se olvidam os antecedentes!...

    Fundado o PSD, em 17/07/1945, fora extinto pelo Ato Institucional nº 2, de 27/10/1965, quando o sistema militar se impôs no país. O PSD teve vida curta, no entanto nos 19 anos de sua atuação, empenhou-se para assegurar a perpetuidade da democracia brasileira.

    A estrutura organizada em 1964, permitiu a instituição, apenas, de dois Grêmios - Aliança Renovadora Nacional (ARENA), que defendia o governo e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), oponente aos objetivos definidos, inaugurados na política de forma programática e realista.

    Com o fim do bipartidarismo brasileiro, em 1980 (um sistema de governo que nasceu com a Revolução Francesa), a sigla passou a Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Contrária a situação dominante, a legenda enfrentou apuros, mas, em nenhum momento esmoreceu ou dividiu-se... É, ainda, o maior Partido político nacional, com 2.352.472 filiados (Censo 2010). Com tal pujança, no entanto, tende a esfacelar-se e perder o carisma especial de liderança.

    Tive a honra de, em 1975, quando em São Paulo, José Américo recebeu o prêmio Juca Pato, de documentar a conversação entre ele e o Presidente do Congresso, Ulisses Guimarães, de voz mansa e olhar enigmático. Na exposição, mostrou as limitações quanto a idéias e pensamentos pessedistas. Porém, como revelou, causava surpresa a presença dos associados nas reuniões. E havia os que

    se achegavam para participar dos encontros com a proposta de se aliar ao Partido!...

    Eu que, por dever de oficio, escutava silenciosa, pois não me competia dar opinião, mas ouvir, para comentar com José Américo se ele desejasse refrescar sua prodigiosa memória.

    Sem me conter disse-lhe: Presidente Ulisses: voltamos aos primeiros séculos, quando os perseguidos porque seguiam Cristo, surgiu o slogan: “sangue de mártires, sementeiras de cristãos.”

    Numa situação atípica, o MDB era vigoroso, unido, valente e respeitado. Chegou a ser a maior sociedade política da Nação, com superior representação partidária. Falta à agremiação reinvestir-se nas qualidades que formaram o seu caráter como Partido Político. A lei da Fidelidade Partidária é letra morta. Em moda estão os conchavos, a maquinação, a trama.

    Humberto Lucena é sempre citado nos momentos difíceis da sociedade pessedista. Enquanto vivo manteve o PMDB unido. Podia haver divergência, porém não resistia às considerações que emanavam de sua autoridade.

    Há nos associados, entre maiores e menores, ressentimentos e mágoas. Dai a corrida para outras facções que se fortaleceram com o enfraquecimento do glorioso e dinâmico ex-PSD, de Ruy Vieira Carneiro, líder que faz falta na composição do entendimento e da paz no regaço peemedebista.

    Loas para Ulisses Guimarães ao mostrar que o PMDB vivia, apesar dos insucessos.

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    Lourdinha Luna é membro da Academia de Letras de Areia.


  • 11/06/2014

    Ano desastroso e fecundo


      O ano de 1914 foi desastroso para a comunidade européia, ao ouviu o toque das trombetas, no anúncio da primeira grande guerra, que se iniciou na Europa e durou de 28 de julho de 1914 a 11 de novembro de 1918. O conflito global centrou-se na Europa, mas seus efeitos nefastos, estenderam-se a toda humanidade, que sofreu com as conseqüências do litígio. No embate envolveram-se grandes potencias que se organizaram em duas alianças opostas. Os aliados, com base na tríplice Entente (acordo entre o Reino Unido, França e Império Russo).Em oposição juntaram-se a Alemanha, Áustria-Hungria e Itália, com o intento de fazer oposição aos Impérios Centrais.

    Mais de 70 milhões de europeus foram mobilizados em um dos maiores confrontos militares da historia universal. Nove milhões de soldados foram abatidos, em face dos avanços tecnológicos, já usados na época, com o influente crescimento de armas letais. Os combatentes não tiveram a proteção correspondente das forças armadas, dos paises em luta, e seu círculo vital fora interrompido...

    Enquanto a Europa se digladiava, o Brasil preparava-se, de modo especial, a Paraíba, para receber seus bebês que nasceriam, nesse ano da graça, e no futuro iriam enaltecer a cultura paraibana, com posições de destaque nas Letras, na Jurisdição, na Ciência Médica, na Política, nas Artes e nas Carreiras Religiosas e das Armas. Um século depois estamos rememorando os homens que ilustraram e perlustraram os caminhos da pátria, com dignidade, lhaneza, independência e amor.

    Em 2014, completaram 100 anos: Abelardo Jurema, João Agripino Filho, José Joffily e Pedro Gondim, que se dedicaram ao proselitismo partidário. Dos quatro muito já se disse: do seu caráter, do trabalho, das ações, sem esquecer os tropeços nas descidas e as glorias nas ascensões. À exceção de João Agripino os demais foram vítimas do regime totalitário que se implantou no país em 1964. Dois governaram a Paraíba – Pedro Gondim e João Agripino.

    O que nos contenta é que poucos os acusam de atos falhos, por simples maldade. A Pedro Gondim, há quem lhe faça injustiça, num jogo dúbio, acusando-o e elogiando-o, dependendo da assistência, o que prova a falta de caráter do usuário do expediente bizarrro....

    No documentário de autoria do cineasta Lucio Vilar, sobre Pedro Gondim, nas homenagens do seu centenário, pessoas que conviveram com o aniversariante resgataram sua memória, destacando a ética de seus atos, as lutas memoráveis de um homem público, dos mais sérios que na Paraíba ocupou os escalões superiores da administração estadual.

    O Tribunal de Justiça da Paraíba não esqueceu seus juristas. O primeiro, de saudosa memória, fora o desembargador Emilio Farias. Ao rememorar seu discurso de posse no alto cargo, enterneceu-me ao afirmar que iria dirigir a Corte, na fé inabalável de que, se não pudesse exaltá-la, jamais seria diminuída no seu comando.

    No julgamento de seu neto Bruno Farias, que herdou do avô a inteligência e a percepção para uma correta apreciação de suas decisões, disse, o Vereador em sua oração, ter sido Emilio Farias “um magistrado por vocação, humanista por inspiração, e democrata por essência”.

    Fora lembrado em outra sessão solene no TJ o desembargador Francisco Floriano da Nóbrega Espínola, que saudado pelo que ia substituí-lo, em 1966, des. Moacir Montenegro, afirmou ter sido o juiz Espínola um colaborador solícito e eficaz, um dos mais íntegros e talentosos da Justiça paraibana.

    O desembargador Francisco Espínola transferiu ao cargo que ocupou o brilho da sua inteligência e o dinamismo da sua cultura jurídica na movimentação dos feitos sobre sua supervisão. Com segurança e acentuado senso administrativo, na direção dos serviços burocráticos dos órgãos que constituem o Judiciário paraibano, revelou sua capacidade de direção. Resumindo o apreço de José Américo pelo juiz Francisco Espinola, faço minhas suas palavras, na ocasião festiva. “A Corte de Justiça da Paraíba é um luxo...”

    A Associação de Medicina da Paraiba prepara-se para rememorar os cem anos do médico e professor Antonio Dias que, originário de outro Estado se fez paraibano, pela dedicação à terra que o adotou. O homenageado merece de minha parte um comentário, que deveria ser de seu cliente e amigo José Américo. Em sua ausência tentarei, com minhas palavras, que não têm o sortilégio das dele, falar de seu afeto e gratidão para com o doutor Antonio Dias, na criação e implantação da Escola de Medicina, na Paraíba.

    Outro que teve sua origem em 2014 e que não posso esquecer é Reynaldo Almeida que, por simplicidade ou temperamento, não falava de si, mas me confiou alguma coisa, que mostra o quanto fora correto, em sua vida particular e nas missões que lhe foram confiadas, pelo Exercito brasileiro..

    Quantos paraibanos, que se firmaram em outras áreas, mas, por modéstia de suas famílias, não são lembrados, para nas reverências das gerações subseqüentes também serem recordados.

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    Lourdinha Luna é membro da Academia de Letras de Areia.


  • 30/04/2014

    As memórias e a Petrobras


     Para o comentário complementar dessa crônica – As Memórias e a Petrobrás - faço uma digressão para rememorar cenas do passado remoto, até chegar ao apogeu da Empresa de sociedade mista, ciente de que os dois assuntos referem-se a palpitantes vestígios da vida paraibana.

    Com a mudança de dona Antonina, da rua general Osório, (João Pessoa –centro), para a rua da República, seu endereço deixou de ser familiar. A troca do estilo domestico, forçou seu hospede, tenente Juracy Magalhães, esposa e filho menor, a residir na praia de Tambaú, um lugar só movimentado no verão. Nos outros meses era um deserto, sujeito à “maleita” (impaludismo) e doenças sazonais. Naquela época a efervescência dos preparativos para a Revolução de 1930, era o prato do dia.

    Na cidade-baixa, continuaram os encontros dos que não desejavam se expor, antes da hora. No local as reuniões pré-revolução, não davam pista ou desconfiança sobre o que o grupo de homens maquinava. Sobre Antonina a patrona da pensão de diversões, pairava a certeza de ser de extrema conveniência pois, foi testemunha do que se passara, porém, jamais comentou as ocorrências políticas, naquele recinto.

    Quando José Américo assumiu o governo do Estado, adotou o hábito, de no fim do expediente se reunir com alguns auxiliares e era estimulado a contar passagens que antecederam ao fatídico 4 de outubro de 1930, no 22º Batalhão de Caçadores, quando perdeu a vida, o brioso general Lavanère.

    O governador havia se cercado de um “Jardim de Infância”, que o ajudou a administrar o Estado. Destacou os jovens Antonio Lucena e Dirceu Arnaud para, numa tratativa “arrancar” de Antonina, se as fardas dos combatentes foram guardadas, debaixo de sua cama, como era corrente. E, se de sua residência saíram fardados, os que se envolveram no assalto ao Quartel de Cruz das Armas e outras curiosidades nessa linha. A informação era de interesse do escritor.

    Os enviados nada conseguiram. Antonina fazia valer a fama de segura quanto as suas reservas e de seus clientes. Ela, jamais revelara que era “protegida” de Antenor Navarro, por quem chorou pelo resto da vida...

    O governador não se deu por vencido e tentou outro caminho, talvez mais persuasivo, o desembargador Julio Rique, um boêmio declarado. Falou de sua intenção de ter uma conversa com Antonina e citou o assunto. Acertado o lugar disse o Chefe de Estado. “Recebo-a, no próximo sábado às 8 horas da manhã, no Palácio da Redenção.” Até então, as Repartições do Estado, adotavam expediente no último dia da semana, até às 12 horas.

    Pensando, no desconforto que a visita pudesse lhe trazer, reformulou o local: “no mesmo dia, porém, em minha morada no Cabo Branco”. Avisou a dona Alice da visita que ia receber e aguardou a hora, tão esperada...

    No horário combinado chegou Julio Rique, não com dona Antonina, mas com sua dileta amiga Hosana que lhe trouxe um pedido e foi direta a ele: “não desejava para as filhas de suas ‘meninas’ um destino igual ao de suas mães e punha mãos governamentais o futuro delas.” A suplica emocionou o ouvinte, ao analisar que Hosana alienava um produto que, quanto mais novo, mais rendoso...

    Despedindo-se, a visitante recebeu de dona Alice uma cesta de frutos do seu pomar e um jarrinho com um pé de “rosedá”, uma planta brejeira, extinta, que a receptora exibia como presente da primeira dama da Paraíba.

    Eu creio que houve um equivoco, nos nomes, pois o desejo de José Américo, que se preparava para escrever o segundo livro de Memórias, que se iniciava com sua freqüência à Faculdade de Direito no Recife e terminava com a Revolução de 1930, seja qual fosse o depoimento de dona Antonina era elucidativo e inédito.

    O governador determinou à Secretaria do Interior e Justiça fazer um levantamento das crianças, de ambos os sexos, que se enquadrassem na recomendação e foi confirmado que 300 infantes careciam de assistência patronal.

    O Orfanato dom Ulrico foi aumentado em mais uma ala, o Abrigo Jesus de Nazaré, também recebeu ampliação e o Instituto Presidente João Pessoa, em Pindobal, ficou maior. A verba de manutenção teve majoração, para acudir aos encargos que surgiam.

    Quem me leu até este ponto há de perguntar aos seus botões: “O que tem a ver um lance da revolução de 1930 com a Petrobrás.” Eu respondo: se o desviado dos cofres da Empresa que Getulio Vargas criou em 3 de outubro de 1953 e seu desempenho encheu de orgulho os brasileiros, se houvesse probidade em sua destinação, o Brasil seria outro.

    No governo militar a Petrobras chegou ao 4º lugar na classificação entre as maiores petrolíferas do mundo, e a 2ª no continente americano. Se não fosse a corrupção, uma parte do lucro da Petrobras poderia custear escolas publicas e estaríamos livres dos desatinos, que põem em perigo o destino democrático da pátria brasileira.

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    Lourdinha Luna é membro da Academia de Letras de Areia.


  • 09/04/2014

    A Paraíba altaneira


     Há uma premissa que serve de base ao raciocínio mais exigente, a de que “a Paraíba é rica em homens de letras.” Esse juízo racional ouvi muitas vezes de José Américo, em conversas com Juarez Batista, Virgínio da Gama e Melo, José Urquiza, nas visitas constantes que lhe faziam. Estimaria que, no presente, ele estivesse vivo, lúcido, e como sempre incontestável, nos seus sábios julgamentos, para subscrever sua própria sentença.

    Diante do evidente, exemplificamos com a posse do doutor Itapuan Bôtto Targino que realizou o sonho de pertencer ao quadro da Academia Paraibana de Letras. E realizou a quimera, por seu valor e os títulos literários que oferece sua fecunda vida de escritor. É autor de 16 livros entre eles, “Anísio Teixeira – Educador do Século XX” e “Patrimônio Histórico da Paraíba”. Por esse dois já merecia o trono e a coroa da APL.

    Em sua oração de regozijo pela conquista, não faltaram os elementos que a tornara moderna: inteligência, conhecimento e o domínio sobre a pessoa e a obra literária do patrono, Manuel Tavares Cavalcanti, e dos que o antecederam na cadeira 36.

    O currículo do padroeiro registra que se formou em Direito, e exerceu a magistratura. Fora jornalista de A União e cronista da Era Nova, a revista que divulgou, na Paraíba, o pensamento da Semana de Arte de 1922. Por 20 anos Manuel Tavares disputou cargos eletivos. Por coincidência destacou-se, como professor e pedagogo, na defesa da educação e do ensino, como o seu apadrinhado Itapuan Botto. Elegeu-se, em 1930, Senador da República, mas, como José Américo fora “depurado”, (na linguagem política de então) em favor de adversários, com menor número de votos... São os desvios da politicagem...

    Itapuan não esqueceu os que lhe antecederam na cátedra literária: Mauricio Furtado, e Monsenhor Eurivaldo Caldas Tavares, o acadêmico que tudo o que fez foi plural, da referência bibliográfica aos ensinamentos do catolicismo.

    Louve-se o discurso de Astênio César, que viu o amigo com a lente humana da sua visão. Na arte de escrever, vai da sublimação ao objetivo, como era habitual, no escritor José Américo de Almeida, seu tio.

    Para o Presidente Damião Ramos, um revolucionário do ambiente físico da Academia, diz que “Itapuan Botto na APL, é ganho, desde que é intelectual, homem dedicado às letras, professor e educador de méritos.”A Presidente do STJ, sua confreira des. Maria de Fátima Bezerra “declarou ser uma honra participar de mais um momento histórico da APL.” Se grande presença e alegria for reverência, a festa de Itapuan, regida pelo desvelo de sua amada Regina, será inesquecível.

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    Lourdinha Luna é Membro da Academia de Letras de Areia.


  • 30/01/2014

    Um apelido depreciativo


     Um diário do Rio de Janeiro e seu diretor cujos nomes Ascendino Leite me revelou e anotei, porém, sem tempo de procurar em meus guardados, deixo de citá-los nominalmente nesta crônica. Esse jornal foi um baluarte na vitória da Aliança Liberal, em 1930. Em face do seu ostensivo apoio à Revolução tenentista pensou que seria fácil locupletar-se do que era público, através do Ministério da Viação e Obras Públicas, e deu-se mal.

    Aqui faço um parêntese para citar a composição dos auxiliares do 1º escalão do Governo Provisório, sob a chefia de Getulio Vargas.

    Ao assumir em 30 de outubro de 1930, a 16 de novembro o Presidente assinara os atos de criação de dois novos Ministérios: o do Trabalho, Indústria e Comércio, chamado de “Ministério da Revolução”, entregue ao gaúcho Lindolfo Collor, que impôs uma radical ampliação nas leis trabalhistas do país.

    Desmembrada da Saúde, a Educação, caiu nas mãos de Francisco Luiz da Silva Campos. O professor e jurista mineiro empreender uma reforma do Ensino, elaborada por uma equipe de notáveis mestres. Como escolha pessoal de Getúlio, o gaúcho Osvaldo Aranha, um dos principais articuladores da Revolução de 1930, coube a pasta da Justiça. A de Relações Exteriores foi consignada a Afrânio de Mello Franco, que em pouco tempo fez o governo revolucionário ser reconhecido por todas as Nações. Para a Fazenda foi convidado o banqueiro paulista José Maria Whitaker que tentou voltar aos rumos clássicos do Senador Joaquim Murtinho, que, como ministro de Campos Sales, organizou as finanças públicas e administrou os desequilíbrios do governo anterior. A Agricultura ganhou o nome prestigioso de Assis Brasil. Para a Viação e Obras Públicas, o indicado Juarez Távora relegou a missão para voltar ao Exercito, onde pretendia fazer carreira. Teve como substituto José Américo de Almeida, o chefe civil da Revolução no Norte e Nordeste, o único desconhecido, pessoalmente pelo Presidente. Os cargos militares foram ocupados pelos generais José Fernandes Leite de Castro (Guerra) e Conrado Heck (Marinha). Este era o corpo ministerial do governo Provisório, em 1930.

    Todos os citados eram conhecidos no Rio de Janeiro. Não admira que a curiosidade em torno do paraibano fosse grande, embora tenha sido precedido pelo lançamento de A BAGACEIRA, e a luta de Princesa ao lado de João Pessoa, de quem foi fiel e dedicado Secretário.

    O Ministério de Viação e Obras Públicas, só tinha problemas. Seu Orçamento mal chegava para pagar aos funcionários e ao número incalculável dos que, ilegalmente, viviam pendurados em sua folha de pagamento. O Ministro teve de tomar medidas drásticas para equilibrar seus recursos.

    Rubens Rosa, ministro do Tribunal de Contas da União, disse-me que: “vistas e ouvidos do país se voltaram para o nordestino que assumia, uma pasta de tanta importância, no Governo Provisório de Getulio Vargas.” Agregou-se ao seu currículo a fama de corajoso, na discrição do jornalista Victor do Espírito Santo, que fora ao campo da guerra de Princesa investigar o que ocorria nos confins do Estado. O homem de imprensa escandalizou-se com o que viu patrocinado pelas forças federais e dos Estados limítrofes com a Paraíba.

    Estava José Américo ainda na arrumação da casa, quando o dono ou diretor do matutino registrado acima, sugeriu comprar papel para o seu jornal na cota do

    MVOP, como fazia no governo anterior. Foi informado que a situação vigente da Instituição, com dívidas astronômicas a saldar, não poderia atendê-lo. Mas, de certa forma o ajudaria com a prioridade para divulgar as ações do MVOP. Na hora ele entendeu. Despediu-se e as notas eram enviadas a seu gabinete e publicadas...

    Quando José Américo se candidatou à Presidência da República, o frustrado, percorreu o Nordeste, e procurou, em especial, os perrepistas, em busca de um ato falho na vida pública ou privada de José Américo. Chegou à Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e novamente à Bahia. Desesperançado, visitou jornais, pessoas, instituições e nada conseguiu de desabonador contra sua vítima. À indagação à resposta era a mesma. “Seu esforço é inútil. Esse homem é íntegro.”

    Um dos médicos que atendeu José Américo no acidente em Salvador, em 26 abril de 1932, relatou a queda do avião que quase lhe ceifou a vida e a preocupação constante com os feridos. O insatisfeito tomou o acidente como mote para alimentar seu instinto perverso.

    Aguardou a campanha e tudo que acontecia no país era culpa de Zeamerico. Na boca maldita ele era o azarento. Se o remoque o incomodava o ofendido eu não posso afirmar, pois a ele nunca se referiu. Eu mesma só vi até hoje uma pessoa dar 3 pancadas na mesa, quando da referência de um orador aos benefícios que como governador, prodigalizou à Paraíba. Reagi, numa crônica, a forma descortês do ofensor que, do alto de sua importância me escreveu pedindo desculpas.

    Desconheço pessoa mais portadora de sorte para outrem do que Zeamérico. Nem precisava ser íntimo. Bastava se acostar a ele. A começar pelos Secretários de seu governo. Nenhum se perdeu. Os deputados que o apoiaram seguiram a mesma linha de sorte.

    Ainda na meia idade o jornalista agressor faleceu com um câncer na língua, o que não levou a José Américo nenhuma satisfação.

    Encerro minhas considerações com sentenças do professor Dimas Lucena: “Quando a Inveja e a Ingratidão unificam-se em uma pessoa, tornam-na desumana, hipócrita e perigosamente capaz de qualquer atrocidade. Digno de ser feliz é aquele que contempla o sucesso dos outros sem o ácido venenoso da inveja.”


  • 24/01/2014

    Hotel Luso-Brasileiro


     Prometi que na crônica de hoje me acostaria à pretensão do Vereador Fernando Milanez no “grito” pela salvação de nossos prédios antigos, que guardam histórias de uma épocas distantes, e no presente são ruínas, em vias de desmaterialização completa.

    O assunto atual refere-se ao HOTEL LUSO BRASILEIRO, que antes de ser hospedaria abrigou de 1892 a 1906, no governo de Álvaro Machado, a Escola de Aprendizes Marinheiro. Esse estabelecimento de ensino tinha por finalidade o preparo intelectual, psicológico, moral, físico, e militar-naval para jovens nordestinos. Com as atribuições indispensáveis fornecidas pelo educandário, os alunos estavam aptos a pertencerem ao Quadro de Praças da Armada. Muitos nessa arma do Exercito Brasileiro, fizeram carreira até posto maior: Almirante. .

    Construído o edifício das Trincheiras, a Escola de Grumetes mudou-se para o novo endereço e o espaço no Varadouro passou a ser ocupado pelo HOTEL LUSO BRASILEIRO, de tantas tradições.

    Para o segundo livro de Memórias– ANTES QUE ME ESQUEÇA – José Américo e eu fomos ao prédio da remota pousada no Largo da Gameleira, que até 1895 teve esse cognome. Mais adiante fora batizado como 7 de Setembro e depois Praça Álvaro Machado (que ainda perdura), em homenagem ao areense que, na Paraíba, por duas vezes, foi governador.

    Havia, também, na cidade baixa o HOTEL UNIVERSAL, do século XIX e seu primeiro proprietário foi Vicente Montenegro. Porém a hospedaria não teve a projeção de seu co-irmão o LUSO, talvez. pela preferência dos intelectuais paraibanos, solteiros, para ali residir.

    Nas proximidades do Porto, conhecido como “trapiche dos franceses” porque alguns imigrantes possuíam terras anexas àquele ancoradouro, ficava a conceituada pensão de dona Sérvula Ribeiro, mãe do professor do Liceu Paraibana, Mateus Ribeiro.

    Walfredo Rodrigues em suas rememorações escritas refere-se a dois albergues o CENTRAL, no Varadouro e o UNIÃO, na Estrada do Carro (Barão do Triunfo) no mesmo local onde, posteriormente situou-se a joalharia Mororó.

    O ex-governador e historiador José Fernandes de Lima, membro do IHGP, estranha a ausência no livro ROTEIRO SENTIMENTAL DE UMA CIDADE, de Walfredo Rodrigues, dos hotéis LUSO BRASILEIRO, e o GLOBO, construído, em 1928, no governo do Presidente João Pessoa.

    O LUSO era a pousada por opção dos fazendeiros do Sertão, que vinham à capital vender seu algodão a Kronke & Cia que ficava no final da rua da República, onde depois se instalou a Matarazzo. A hospedaria era, também a preferência, de comerciantes do interior, de políticos e dos caixeiros viajantes, emissários dos grandes magazines, das fábricas e industrias do sul do país, pois naqueles tempos os pedidos de mercadorias eram feitos através desses agentes.

    No inicio do século XX o Varadouro era o coração da cidade, pois ali se instalara os interesses financeiros do Estado por via do Porto do Sanhauá, onde atracavam embarcações e navios de pequeno porte. Era pujante o comercio de Secos e Molhados, na sua vizinhança.

    Havia no Luso Brasileiro os hóspedes fixos entre eles figuras das letras, intelectuais e juristas. O lugar era tão tranqüilo que os hospedes dormiam com as

    janelas dos quartos abertas e não sumia de seus patrimônios, nem uma pena escarrapachada...

    O silencio só era quebrado por um violão plangente e um seresteiro que entoava as canções da época como a célebre: “Ó palidez imácula, bendita/ Ó palidez serena de teu rosto/ Que tem sido, tanta vez,/ na vida o meu desgosto.”

    Da sacada do hotel os residentes podiam observar o movimento do trem da Great Western. A Maria Fumaça, considerada por Jorge de Lima como a mais pitoresca do universo, fazia duas viagens diárias de Santa Rita-Cabedelo, apitando na chegada e na saída, com parada obrigatória na capital. Também apelidada de “bacurau” era tão pontual que disputava com os relógios Pater Felippe.

    Da varanda do balcão podia-se observar o pôr do sol, espargindo seus raios sobre o Sanhauá, uma paisagem digna de Nicolas Taunay, Debret ou Almeida Junior, autores de pinturas realistas ao ar livre, das campinas coloridas.

    A vida noturna dos intelectuais de então se fazia na redação dos jornais ou nos clubes, contudo condicionada ao relógio, porque, a partir das 21 horas os lampiões eram apagados e poucos se aventuravam a enfrentar a escuridão.Os sem compromissos com o horário vagueavam pelos bares e cabarés, até o despontar do astro rei.

    O velho casarão que ainda conserva em seu frontispício – Hotel Luso Brasileiro, merece ser preservado.

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    Lourdinha Luna é membro da AFLAP e da Academia de Letras de Areia

     

     


  • 19/01/2014

    À espera do inverno


      O motivo mais harmônico para reverenciar José Américo na passagem do seu aniversário natalício (10 de janeiro pp.) é relembrar seu interesse pela estação chuvosa. À entrada do último mês do ano vinha o pedido: “Veja se os jornais registram chuva no Piauí, pois este é o inicio do caminho natural para chegar ao Nordeste, enxotada pelos ventos alíseos que vêm dos Açores”. Como, o ar em movimento, sopra com persistência, sobre extensas regiões subtropicais e equatoriais, a Paraíba não se isentaria da visita alvissareira da água correndo nas biqueiras, nos prognósticos daqueles tempos.

    Mal começava a precipitação dos vapores da atmosfera, aportavam no endereço do Ministro, os avisos animadores. O governador João Agripino mandava fornecer-lhe copias das mensagens que chegavam do interior do Estado, e de outros lugares beneficiados com a pluviometria. O sargento Pebinha (Serviço de Rádio, do Palácio) era aguardado, com ansiedade, com as noticias, auspiciosas ou não, sobre o inverno, para alegria ou desalento de quem as recebia.

    Juntavam-se à informação de além mar, que parecia cientifico, às experiências do dia de Santa Luzia (12-12). Uma rezava que se a barra, naquela madrugada, fosse densa podia esperar a safra opulenta de cereais. O curral cresceria em leite para as queijadas e as festas, em louvor dos santos juninos, seria de intenso fulgor. Sem nuvem carregada no horizonte, estava decretada a seca. Quando isso acontecia a angustia se instalava na mansão do Cabo Branco!...

    Nos estios prolongados, não havia nas cidades e nas fazendas, as comemorações festivas aos consagrados do mês de Junho. Apenas a fogueira lembrava a data. A tristeza cobria a face dos proprietários rurais, pois todos viviam do que a terra produzia. A mesa que ostentava as mais saborosas receitas com as especiarias da época, se apresentava com mungunzá, com os grãos da safra anterior. Assim foi o São João de 1909, em Souza, relatado pelo Promotor de Justiça da comarca – José Américo.

    Não me lembro de estio prolongado em Areia, mas me recordo de meu avô dizendo que a Era de quatro (4) era de abundância. Comecei a anotar sua profecia, em 1954, e até esta data nenhum decênio nos decepcionou. A descoberta do fenômeno El Niño e La Niña que tem seu habitat no Oceano Pacífico, na costa do Peru, quando em dezembro, a água do mar esquenta é sinal de seca e se esfria é inverno, aposentou as “experiências”.

    Os estudos atuais obedecem mais a orientação da ciência do que aos prognósticos. Eu creio que este ano (2014) o predomínio é da “menina” com o campo verde, água correndo para alimentar os açudes. A mesa sertaneja será farta e haverá alegria nos corações.


  • 23/12/2013

    Prece ao recém-nascido


     Todo poder pertence a Jesus. Ele é o Rei dos reis, Senhor dos senhores. Despiu-se da gloria e na terra habitou entre nós. Sendo verdade e luz veio para dar vida em abundância. Consumou o plano de amor concebido e da cruz jorrou seu sangue. Derrotou a morte, arrasou o inferno e ressuscitou. É Deus imortal.

    Minha prece, neste ano, ao poderoso menino recém nascido é para frear a corrupção, já que pedir seu extermínio seria muito!...

    O Nordestino, Senhor, está habituado a sofrer com as secas devastadoras, mas, renasceu em sua alma o sonho secular de ver perene os rios que matam a sede. Um intruso perverso desviou as verbas da transposição de águas do São Francisco, e animais deixaram de viver à falta do hídrico que sustenta a vivência humana e a dos irracionais. Sentir a falta de umidade no corpo, secura na boca e não ter o hídrico para saciá-la é tormento maior do que “não ter o comer na terra de Canaã”.

    Outro pedido é para que as pessoas deixem sua inteligência se abrir para a reverência aos que fizeram e fazem o bem a seu torrão, pela reconhecida moralidade e as ações em prol das classes menos abonadas. O achincalhe, o ridículo, a pretensa desmoralização dos que não podem se defender, pela imaterialidade que os separa, não lhes trará a perpetuidade do sucesso, porque o caminho escuso não leva à glorificação. Usem a pena no combate ao crime, a perversão, às drogas que transtornam a juventude. Pelo ato correto serão louvadas e acatadas pelo bem ao próximo.

    A terceira suplica à sua força sobrenatural é para que ilumine a mente dos brasileiros para votarem com espírito público e jamais pela via da moeda infame, que compra consciências. Para exercermos o voto não devemos ser coniventes com práticas delituosas. O dinheiro sujo corrompe a sociedade e se ele vem pela via da corrupção, releguemos o mensageiro.

    Como quarto apelo peço nos livrar de uma nova ditadura. Diz o escritor e sociólogo Marco Antonio Villa, autor do “Mensalão – O julgamento do Maior Caso de Corrupção da Historia Política Brasileira”, que a tirania no governo civil de Getulio Vargas, a partir de 1937, fora mais cruel do que a militar de 1964. A afirmação surgira no programa da globonews em que, com Boris Fausto revistaram a situação atual do Brasil. A desordem, o deboche, os prejuízos à economia privada, ocasionados pelos insurretos atuais, são insuperáveis em relação aos do passado. Que a democracia, o regime baseado na soberania popular, sobreviva, apesar dos percalços que vem enfrentando.

    Nesse Natal Senhor dos Exércitos livra-nos do mal que nos espreita.

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    Lourdinha Luna é membro da Academia de Letras de Areia e da AFLAP


  • 26/11/2013

    Na varanda do Cabo Branco


     Esboçado há mais de 20 anos, o livro-documentário – Na Varanda do Cabo Branco - ficou de quarentena, até que amadurecesse a decisão de publicá-lo. Não por temor de que pudesse ofender a alguém, pois repilo a maneira agressora em meus escritos. No relato dos fatos sou fiel ao que ocorreu na seleção dos candidatos ao governo da Paraíba, desde que as ocorrências citadas são históricas e comprováveis.

    Descartada a eleição direta, no regime militar, no entanto, para os políticos a única diferença se revelava na transferência do voto, atribuído a um Colegiado, desde que a escolha do candidato era da alçada do Comando instalado no país em 1964. Depois ia à homologação pelo Poder Legislativo Estadual. A restrição não tirou dos estadistas e do povo, o entusiasmo pela causa. Em alguns casos acirrou-se o interesse, como se o pleito fosse livre e direto. A corrida à Brasília amiudou-se sem ter, contudo, a menor influência...

    João Agripino Filho fora o último governador eleito pelo sistema democrático, em 1966, na sigla da UDN, em substituição a Pedro Gondim, no inicio do novo regime. Dir-se-ia que a situação oferecia aos brasileiros uma colher de chá, para não ser descartado de todo, os princípios da soberania popular, como fora na ditadura civil de Getulio Vargas de 1937/45, com o fechamento das Casas do Congresso.

    Em 1966, os resultados eleitorais do Rio de Janeiro e Minas Gerais, desfavoráveis à Chefia do Presidente Médice, levara o poder à instituir o AI-2, que extinguiu os 13 partidos vigentes, organizados à sombra da Constituição de 1946. Dai em diante passou a viger, apenas, a ARENA e o MDB, para abrigar os que desejassem continuar na militância partidária.

    A decisão por Ernani Sátyro não foi tranqüila. Os tupamaros (em alusão aos insurretos uruguaios), seguidores de João Agripino, não lhe deram trégua. Mas o “amigo velho” tirava de letra as ofensas dirigidas ao Estado, pois a ele não as atingia...

    Ivan Bichara, também, sofreu por parte de “amigos fraternos” de outras fases, e da atual. Aceitou a coroa de espinhos que os ingratos colocaram em sua cabeça. As verrinas contra o candidato a senador – Ivan Bichara – fora das mais rudes e nela se incluíram os sabujos que lhes beijavam as mãos todos os dias!...

    A batalha mais contundente diz respeito à deliberação pelo nome de Tarcisio Burity. Jogaram com o nome de José Américo, o que lhe trouxe dissabores e apressou seu fim biológico. Os detalhes das cruéis batalhas estão, em miúdos, na obra anunciada. Peço desculpas antecipadas, se ferir alguém.


  • 07/11/2013

    A Guerra de Princesa


     O Diário Carioca fundado, no Rio de Janeiro, em julho de 1928, por José Eduardo de Macedo Soares, foi dos mais influentes jornais do país. Como responsável pela modernização técnica da imprensa brasileira, introduziu o lead nas matérias, o copidesque e o manual de redação do jornalista. O matutino foi a voz da Aliança Liberal, em 1930. 

    A partir da redemocratização de 1945, paraibanos foram assíduos, em suas páginas, e citam-se o escritor, deputado federal e ex-governador da Paraíba, Ernani Sátyro, e o ex-ministro Ipojuca Pontes, como colaboradores. Figura como Chefe de Redação, por longos anos, o escritor Ascendino Leite, membro da APL. 
    Em fevereiro de 1930 olhos e ouvidos da Nação se voltaram para o pequeno Estado nordestino. O manifesto do coronel José Pereira Lima “Ao povo brasileiro”, em março do mesmo ano, assustou a Nação. Era o grito de guerra fratricida que já havia começado.


    O Diário Carioca informava sobre os combates em Princesa e o apoio em armas e munição ao chefe dos insurretos sertanejos, por determinação de Washington Luiz, governante da Nação. Outros matutinos arrimados com o Diário não poupavam o Presidente da República nem os Estados limítrofes com a Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, pela ajuda lojista à revolução intestina.


    Integrantes da Aliança Liberal e parlamentares nas Casas do Congresso não se davam trégua no duelo verbal, entre as facções com tendências opostas. No ano fatídico os prognósticos de inverno irregular, se estenderam a 1931, culminando com o terrível estio do ano seguinte, computando-se dois grandes revezes para a região nordestina – a revolta de Princesa e a seca de 1932.


    O Presidente da República se fazia de ouvidos moucos aos reclamos contra o auxilio armamentista aos insurretos de Princesa, para que irmão matasse irmão. Nada comovia aquele que ao assumir a Presidência da República, em 1926 se dizia “aberto ao diálogo com outras forças”. 
    Na capital o Presidente João Pessoa contava com a animosidade do desembargador Heráclito Cavalcanti, a “alma danada” que enviava ao Presidente da República, pedidos de demissão, remoção e outros castigos a simpatizantes da causa da Aliança Liberal (Arq. FCJA). 
    À Paraíba tudo era negado. Washington Luiz não permitiu a importação da França, de cartuchos com carga de projeção de boca-de-fogo, para os fuzis da Policia Militar paraibana, se defender dos ataques. Tudo o Presidente fez para incluir uma mancha negra na Historia da Paraíba. . 
    Para a verificação in-loco da conflitante situação, foi enviado à Princesa um jornalista do Diário Carioca, com a missão de ouvir os dois lados. A partir do ponto acima passo a narrar a repetição do que havia dito Victor do Espírito Santo, aos jornais brasileiros, em 1930, e repetidos, em 1975, no Rio de Janeiro, a José Américo, em minha presença.


    Com minhas palavras relato o que ouvi naquele dia, na rua Getulio das Neves, embora minhas palavras não tenha o sortilégio das do informante. Recebida a incumbência de ouvir o coronel José Pereira Lima, o repórter desembarcou em Recife no começo de abril do ano fatídico e de automóvel chegou a Rio Branco (Arcoverde) e de lá ao campo de lutas – Princesa Isabel.


    Depois de apresentar-se a José Pereira Lima, o chefe da rebelião, e falar de sua missão jornalística, o coronel mostrou-lhe o arsenal, com o timbre do Realengo, e o almoxarifado pejado de alimentos. Para a assistência aos feridos o Posto de Saúde estava abastecido de medicamentos. Dois mil homens à disposição do coronel tinham o soldo de 2 mil reis por dia, quando em combate, os demais apenas 1 mil reis.


    Surpreso com o que viu e ouviu o redator inspecionou a situação em Piancó, com dificuldades para o indispensável e mandou-se à capital para um encontro com o Presidente João Pessoa a quem relatou, a pujança de Princesa, em pessoas, material e finanças. Chocou o jornalista a diferença entre as duas facções e só a coragem e o denodo da Policia Militar justificavam as parcas vitórias alcançadas. 
    Foi nessa ocasião que o Presidente João Pessoa ditou a sentença que foi a expressão do seu sentimento humano: “Eu só desejo que essa lute termine, seja para qual lado penda a vitória.”


    Depois do noticiário jornalístico de quem tinha autoridade para denunciar, a Aliança Liberal representada nos jornais, na Câmara e no Senado voltaram-se , com mais energia e assiduidade contra o Presidente Washington Luiz, pelo favorecimento e incentivo à luta.


    Constatado que João Pessoa e José Pereira Lima eram autoridades intransferíveis e ceder era viver sem honra, por que o Presidente não resolveu o problema, interferindo pela paz do Estado?


    Por que enviou forças federais para proteger Princesa depois da morte de João Pessoa e não mandou antes para evitar o conflito, em que paraibanos, em plena maturidade bem sucedida, perderam a vida, como João Pessoa, João Dantas, João Suassuna. E a plêiade de inocentes que ficaram sem pais, esposas sem marido, numa peleja, que desconheciam o motivo.


    A Aliança Liberal, com tanto poderio foi fraca ao exilar Washington Luiz Pereira de Souza, antes do inquérito que apuraria sua responsabilidade no esfacelamento da Paraíba. 
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    Lourdinha Luna é membro da ALA-Horácio de Almeida


  • 29/10/2013

    A seca de três anos


     Registra-se como a última seca de 3 anos, no século XIX, a que se instalou no Nordeste de 1876/78. As dificuldades de comunicação da época concorreram para a morte de milhares de nordestinos: de sede, fome e endemias. Em face do fenômeno cruento, o Imperador Pedro II ameaçou vender a última jóia da coroa, contanto que nenhum brasileiro morresse à falta de socorro alimentar e de remédios para os males tropicais. No Ceará e adjacências, quando a população era, ainda, pequena faleceram 500 mil pessoas, por enfraquecimento, desnutrição e doenças oportunistas.

    Um grupo de Engenheiros foram remetidos pelo Império, para a zona conflagrada. Sob a supervisão dos técnicos foram cavados poços, construídos reservatórios, rodovias e estradas de ferro. O possível foi feito para aliviar o sofrimento dos moradores da região conflagrada. Porém, só em 1909 fora criada a Inspetoria de Obras Contra as Secas (IOCS) que cuidaria de minimizar os problemas oriundos das secas intermitentes.

    No governo de Epitácio Pessoa (1918/22) foi atacada a grande açudagem, para armazenar água de beber, por um período mais longo de estiagem. No século XX o Nordeste conviveu com a seca que começou em 1930 e teve seu ápice em 1932. No inicio do ano fatídico, a comitiva que regressava do Ceará, naufragou em águas de Salvador-BA, deixando no fundo mar o Interventor Antenor Navarro, uma promessa de futuro da Paraíba. Salvou-se José Américo, por intercessão de sua madrinha Nossa Senhora da Conceição, que lhe poupou a vida para que continuasse em sua trajetória em prol dos desvalidos sertanejos.

    As causas das secas são conhecidas e naturais, com proporções planetárias, quando se prolonga com enormes prejuízos para os humanos e a agropecuária. O que assusta é que a escassez da invernia não isenta regiões, e o Brejo é tão sedento quanto o Sertão, o Cariri e o Curimataú.

    O que a Nação tem despendido com o Serviço de Emergência, a cada flagelo, seria suficiente para trazer o socorro hídrico do Tocantins-São Francisco, para todo o Nordeste, sem deixar de fora do auxilio hídrico nenhum reservatório ou lugar. São passados 136 anos da proclamação real e o cenário é o mesmo, nada mudou. Estamos ameaçados de convivermos com mais um período de 3 anos (2012/14),sem chuva, o que será uma hecatombe, por via do alto número de vítimas


  • 04/10/2013

    Américo Filho X Botafogo


     O futebol foi introduzido no Brasil, em 184l, pelo paulistano Charles William Muller que, no retorno do seu recreio pela Inglaterra, trouxe para a paulicéia dois

    Artefatos de borracha e tentou convencer os britânicos que, em São Paulo, implantavam o sistema de transporte por linhas férreas, a aderir ao folguedo com bola no pé.

     


    Em 1904, no Rio de Janeiro, amigos juvenis, juntaram-se no Largo dos Leões para oficializar a fundação do Eletro Clube, nome primitivo da associação futebolística da cidade de São Sebastião. Para oferecer confiabilidade à criação convidaram um cidadão respeitável para presidi-lo, cuja primeira providência foi rebatizar a agremiação como Botafogo Footebol Clube, desde que seus mirins idealizadores (com 14 e 15 anos), moravam no bairro homônimo.

    A aristocracia entusiasmou-me com o exercício bretão e formaram-se equipes de amadores, com métodos e regras adotados no Reino Unido. Campos foram construídos, no mesmo estilo, e com a técnica adotada, além mar, para a exibição do esporte.

    No inicio apenas a elite branca praticava o entretenimento, porém, a partir de 1920, negros passaram a ser aceitos, diferente do começo quando só a fina flor da sociedade era admitida no jogo. A partir da miscigenação o futebol popularizou-se, por via da comunicação de massa.

    Atualmente o país registra 800 clubes profissionais, 13 mil times amadores e 11 mil atletas federados. Quem tem talento, vocação e perseverança, faz dele profissão e meio de vida rendoso, independente de casta, credo ou posição social.

    No governo Vargas foi empreendido um grande esforço para alavancar o futebol no país. A construção do Maracanã para a copa de 1950, que preferimos não relembrar a derrota do Brasil. No entanto, registramos a desforra em 1958, quando nossos craques se destacaram como elementos de identificação nacional com jogadores com força física, pulso e vigor, que em tradução livre era “amor à camisa...”

    Na condição de Secretária do Ministro José Américo, anotei a extremada dedicação de José Américo Filho, pelo Auto-Esporte Botafogo. Dai ter me

    congratulado com o deputado Janduhy Carneiro que, numa propositura de sua autoria convocara uma sessão especial para comemorar os 82 anos de fundação, na Paraíba, do sodalício Estrela Solitária.

    Américo cursava a Escola Militar no Realengo, porém, sem interesse porque seu coração estava no Botafogo de Regatas, no Rio de Janeiro onde, como amador, foi presente em vários jogos. Observado que tinha aptidão, foi contratado como profissional, o que durou, apenas, meses.

    Bafejado pelo prestígio do pai Ministro de Viação e Obras Públicas, no entanto, a situação paterna não o atraia a permanecer na capital da Republica, porque seu sonho era voltar à Paraíba, se entrosar e vitalizar o time do seu coração.

    Em 1934 arribou em João Pessoa, tentando fugir dos estudos didáticos que não o seduziam. Porém o tio e padrinho Augusto de Almeida, seu hospedeiro, condicionou-lhe a vivência em sua casa, à continuação dos estudos secundários.

    Américo aceitou a proposta, porém, a freqüência foi mínima ao Liceu Pernambucano onde foi matriculado, em face da dispensa de assistir às aulas, e apenas fazer provas a cada semestre, porque seus dias e horas estavam dedicados ao Estrela Solitária...

    Permaneceu pouco tempo em seus pagos, porque teve de voltar ao Rio para assumir um emprego público no IPASE, presidido por seu cunhado Alcides Carneiro. Dez anos depois esbarrou em João Pessoa, novamente, e nunca mais deixou seu berço...

    Como “o que tem de acontecer tem muita força”, Américo Fº alcançou a Presidência do Botafogo estadual. Sem sede própria, o time apresentava-se no campo do Esporte Clube Cabo Branco, em Jaguaribe, um lugar de encontro festivo da sociedade paraibana. A circunstância o fez conseguir do governador José Américo, um terreno no bairro dos Estados, onde funcionou o DEDE para dar condições satisfatórias ao Botafogo de se apresentar, com bilheteria paga.

    Nas exibições mais importantes o governador comparecia, quase sempre em companhia do Prefeito de Guarabira, Augusto de Ameida, seu irmão, que como ele nada entendia das regras do jogo. Suas presenças era para prestigiar o filho e o afilhado.

    Para dinamizá-lo contratou na Bahia os afamados Arquimedes, Beto e Tita, sem contar com um centavo em caixa, para ressarci-los pelo dinamismo do trabalho, o que fazia de seu próprio bolso. E não ficou só nos citados. Conseguiu para o Estrela Vermelha (outro nome) José Armando e Kleber Bonates, Antonio Berto, Galego, Vavá, Noca e Elcio que fizeram a grandeza do esporte futebolístico na Filipéia de Nossa Senhora das Neves.

    A maior façanha de Américo foi trazer para um amistoso, o Vélez Sarsfield, de Buenos Aires para partidas com o Botafogo e o Treze de Campina Grande, com as despesas pagas pelo sonhador das quimeras impossíveis.

    Lamenta-se que o divertimento alegre e emocionante, tenha passado a oferecer perigo pela exacerbação das torcidas organizadas, onde há agressões e até mortes.

    Muito eu teria a contar sobre o esporte das multidões, se houvesse espaço. 


  • 29/08/2013

    A fábrica de aviões


    O jornal CP noticiou dia 21 do corrente mês que, a Paradise Indústria Aeronáutica Ltda, com instalação em Feira de Santana-BA, terá uma sede em Campina Grande. O governador Ricardo Coutinho e o Prefeito Romero Rodrigues assinaram o Protocolo de Intenção, com o Diretor-Presidente da empresa, Noé Oliveira.
    A Paradise fabrica aviões ultraleves, dotados dos requisitos seguros para alçar o vôo e se manter no ar sem percalços. O motor de pequena potência carece um pouco mais de 50 metros de extensão para a decolagem. As aeronaves dos modelos P-1,P-2,P-4, atendem ao mercado brasileiro, ao dos EEUU, Austrália e África do Sul. Em breve será breve será um veículo acessível para os paraibanos. Com o congestionamento constante nas rodovias, esse tipo de transporte é um achado. Quanto tempo economizará quem tiver um compromisso com hora marcada! Ou um político nas visitas ao eleitorado!
    A boa nova é que o empreendimento oferecerá 200 empregos diretos. Por essa bem-aventurança, num Estado onde a iniciativa privada é escassa, o prometido deve ser bem visto, por que “quem dá um emprego dá a vida.”
    Mais uma vez é destacada a vocação de Campina para os macros empreendimentos. Seu destino é criar ou acatar empresas de grande porte e presenteá-las com a mão de obra especializada, abundante em seu terreiro. Para valorizar a aptidão campinense, José Américo, ao instituir Escolas Superiores, destinou para os campinenses a de Engenharia Mecânica, descartando a pressão para fixá-la, na capital. O governador entendia que lá estava o seu espaço.
    A Paradise não encontrará dificuldades em recrutar para a montagem de seus dirigíveis, o Engenheiro Mecânico, e o operador para a manutenção das máquinas e equipamentos. Contará, também, com profissionais aptos para o planejamento dos projetos. Terá a sua disposição os analistas e os técnicos em designer industrial e os operários para o conjunto operacional.
    Até meados do século XX a indústria local limitava-se ao beneficiamento do algodão, a produção de couros e peles, alimentos e têxtil. Com o advento da SUDENE (1959), e a fundação do Distrito Industrial de Campina Grande, no governo de Pedro Gondim, o cenário econômico mudou. Esse período é lembrado como o do “Milagre Brasileiro”. Campina Grande pode ter tido quedas no seu sistema produtivo e de lucro, mas deu a volta por cima e se firmou. Salve a Rainha da Borborema, pela dádiva de seus homens públicos que a faz crescer cada vez mais.
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    Lourdinha Luna é membro da Academia de Letras de Areia.
     


  • 20/08/2013

    Visita à Basílica


    O empresário de Turismo Luciano Lapa se repetiu na oferta de passeios de louvor místico, para os de “fé, um tesouro de almas eleitas” e que aceitam os dogmas da Igreja Católica. O escolhido fora o Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, mais atraente após a visita do papa Francisco. No grupo se integraram magistrados e esposas: Genésio Gomes (Rosana, Presidente da AEMP), Julio A. Coutinho (Elisabete), Leôncio Câmara (Salene), Arnobio Viana (Valdíria), Manoel Monteiro (Izabel), Nestor A. de Melo (Mª José), João Machado (Maria Íris). Incorporaram-se à comitiva, funcionários, pensionistas da Justiça e amigos, que aceitaram o convite para a excursão de cunho religioso.
    A Basílica Nova fora construída no Morro das Pitas, no município de Aparecida, com inicio e final da obra entre 1952/80. É o 2º maior templo católico do mundo, menor apenas que a Basílica de São Pedro, no Vaticano. Na construção da “Torre Brasília” uma estrutura metálica, com 100 metros de altura, fora doada pelo então Presidente Juscelino Kubitschek. Quatro anos depois de inaugurada (1984), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil elevou-a a Santuário.
    A igreja antiga liga-se à atual pela “Passarela da Fé”, por via das visitas dos romeiros, em resguardo da tradição. Nas celebrações dos fins de semana a Nave central enche-se de fies brasileiros e de outros países, e não há acomodação sentada para todos. Há as capelas para os ofícios semanais quando a freqüência diminui.O acervo é rico, suntuoso e histórico, como atestam as peças dos museus.
    O turismo religioso internacional é mais intenso na Europa. Na Ásia os monumentos sagrados são visitados pelos que crêem ou não, na saga do catolicismo primitivo. No Brasil os santuários do Divino Pai Eterno, N.S. Aparecida, Santa Paulina, e outros de simplicidade reconhecida, recebem as preces e pedidos de seus devotos.
    No Senhor da Boa Sentença, os mausoléus do Pe Zecoutinho, o santo dos pobres, e o da menina Mª de Lourdes, patrona dos injustiçados, são procuras diárias, a despeito do desprezo e insegurança que oferece o Campo Santo de João Pessoa.
    Admira a indiferença da Paraíba quanto à beatificação, por João Paulo II, do Frei Ibiapina, em face dos milagres, por sua intercessão. Lá esteve o Núncio Apostólico de Roma, para comunicar o fato ao governador Cássio C. Lima. É tão flagrante o desinteresse pelo lugar sagrado. que o município de Solânea onde se encontra seu ossuário, não figura na rota do Frio, por ter o local sido restaurado, há 12 anos, pelo governador José Maranhão, que lhe conferiu a dignidade que merecia.
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    Lourdinha Luna é membro da Academia de Letras de Areia.
     


  • 07/08/2013

    Francisco o Papa


    Os ângulos perversos da vida, como diria o ex-governador Pedro Gondim, alcançaram o Vaticano. Jamais se admitiria que a corrupção, um deslize comum na classe política, se infiltrasse na mais alta corte da religião católica. No entanto ele estava lá, deslustrando a estirpe que deveria ser exemplo de decência e lisura para o universo.

    Surpreendeu a renuncia de Bento XVI, o apostolo escolhido para bem governar a igreja que o Cristo confiou ao discípulo Pedro, o pescador de almas.

    Eleito o cardeal e jesuíta argentino Jorge Mario Bergoglio, tomou o nome de Francisco, e como Papa assumiu o lema de mostrar a beleza e a simplicidade do Cristianismo. É de seu dever como Chefe da Igreja Católica continuar a obra de sua reforma moral voltada à essência da mensagem de Cristo e ser o seu modelo.

    Voltar o olhar para os pobres e sofredores, tornando-se igual a eles. Reconhecer para as mulheres um papel central na Igreja e na sociedade civil. Reiniciar nova evangelização através da mídia. Potencializar o diálogo inter-religioso na direção definitiva em busca da paz, foram os temas anunciados pelo papa Francisco, ao iniciar sua missão pontifícia.

    Anunciado em março deste ano (2013), realiza o Papa Francisco, neste mês, durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro, sua primeira viagem internacional. Em visita ao Brasil, o Sumo Pontífice pões à prova sua popularidade, conquistada em pouco mais de quatro meses de exercício na liderança da Cúria Romana.

    Em sua missão evangélica aportou no Brasil, num clima de insurreição. Como Ministro de Deus não temeu o que encontraria e se deu ao apostolado que se propôs trazer para os brasileiros, como representante de um bilhão e duzentos mil (1.200) fies da igreja de Cristo. Pelo carisma compara-se a João Paulo II, já beatificado, que arrastou multidões da América Latina quando de suas visita ao torrão de clima tropical. Até 1980 fora considerado o pais mais católico entre as nações, mas tem declinado dessa posição nos últimos anos.

    No conclave da Jornada Mundial da Juventude, todos os continentes estão representados. Um exemplo edificante está com o grupo de 10 descendentes de portugueses da antiga colônia de Macau, hoje parte integrante da China que, com sacrifício financeiro, e 33 horas de viagem chegaram às celebrações no Rio de Janeiro, confirmando o axioma de que: “a fé um tesouro de almas eleitas.”

    Sente-se que há confiança no Papa Francisco para o soerguimento da Igreja Católica. Ele é um cristão de qualidades supremas, desprendido, alegre e que confia no seu rebanho. Não tem medo do povo e dele se aproxima como igual, desde que parte do principio de que todos somos irmãos, pois filhos do Deus todo poderoso, criador do céu e da terra. Amável com as crianças, não se dispensando de abençoá-las e beija-las.

    Criativo, doou aos brasileiros as mais sábias e oportunas sentenças: Colhi em seus discursos: “a juventude é a janela pela qual o futuro entrará no mundo”. Aos desanimados aconselhou: “Não deixem que lhe roubem a esperança”. Aos acomodados: “A igreja não pode se restringir aos ritos religiosos, tem de ir à ação.” Aos indiferentes: “Cuidem dessas duas pontas da vida: os idosos e os jovens.” E sugeriu aos moços: “Não percam a sensibilidade e enfrentem a injustiça e a corrupção.” E na fala à juventude, em Copacabana: “O jovem pode ser

    testemunha corajosa do Evangelho.” E mais: “Nos seus projetos bote fé, esperança e amor.” E encerrando sua homilia na tarde chuvosa e de vento constante na praia de “encantos mil”: “A fé realiza em nossa vida uma revolução. Jesus espera por nos e conta conosco.”

    Ele mesmo se propõe “a fazer uma política endereçada aos pobres, não como elemento de estatística, mas com vista à pessoa humana.” Um governador da Paraíba de antigamente, emitiu frase semelhante: “vamos fazer a política dos pobres, porque a dois ricos já está feita.”

    Abençoado Papa Francisco, que preside e destaca a Santa Sé, com coragem e ensinamentos, aenfrentar a adversidade e dar sentido e direção a Chefia da Igreja Católica. Amem.

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    Lourdinha Luna é membro da AFLAP e da Academia de Letras de Areia.


  • 24/07/2013

    A mudança na medicina


    Quando a 20 de julho de 1969 os astronautas americanos, chefiados por Neil Armstrong, desceram no mar da Tranqüilidade, no planeta Lua, o chefe da expedição, pronunciou a frase que entrou para a historia universal: “Este é um pequeno passo para o homem e um passo gigantesco para a humanidade.”
    A partir da excelsa aventura, que beneficiou a sabedoria humana e às causas sumas da ciência, deve-se à conquista lunar, da caneta esferográfica à Medicina Nuclear, e a sofisticada tecnologia para a segurança do diagnóstico.
    É estranho um professor universitário entender que “os médicos estão viciados na tecnologia.” Estamos no século XXI e o que é oferecido, em assistência médica a um enfermo abonado, o mesmo merece o carente, pois todos são iguais perante a Lei. Vai longe a época dos exames pela ponta dos dedos prescientes ou com base na experiência. Com os aportes oferecidos pelos princípios científicos, a vida se prolonga...
    Causou-me surpresa ler na relação do programa “Mais Médicos” a inclusão do município de Solânea. Tentei saber o que acontecera com sua Policlínica, criada pelo Prefeito, médico-cirurgião Francisco de Assis de Melo, do quadro da FSESP que, depois de um estágio profissional aplaudido em Juazeiro (BA), em Guarabira, Areia e Solânea (sua terra natal) pretendeu tira-la do atraso e candidatou-se a Prefeito. Vitorioso, não esperava encontrar em seu caminho não uma pedra, mas um rochedo, a serviço da corrupção...
    Lutando, restaurou os PSFs, implantou o NASF e a Gestão Plena da Saúde. Criou o SAMU avançado, e uma Policlínica com 10 médicos especializados. Com recursos próprios adquiriu uma ambulância. Reformou e ampliou o CEO e introduziu 3 consultórios odontológicos. Reorganizou o Centro de Saúde “Djair da Silva Pinto.” Instalou o setor de Fisioterapia com equipamentos adequados. Aparelhou a Secretaria de Saúde, com vários computadores, e iniciou a construção da USF. Os munícipes e circunvizinhos, se abstiveram de buscar o socorro para a saúde, na capital ou em Campina Grande. Sua aceitação crescia para a reeleição!
    Se mais não fez, credita-se a amortização das contas do ex-Prefeito que, após 8 anos de governo, não deixou uma obra para ser citada, senão o desvio de verbas federais. O doutor Chiquinho encerrou sua gestão com probidade e trabalho. Saiu pobre, pois, médicos-funcionários ou de consultório, só tem o indispensável para viver. São os sacerdotes do bem comum, merecem respeito e acatamento e não perseguição política por via de uma Justiça bipolar. Foi punido por ter rejeitado a perversão. Quem perdeu foi o povo. Ele voltou para onde nunca deveria ter saído – o exercício da medicina, sua vocação
     


  • 16/07/2013

    A mudança na Medicina


    Quando a 20 de julho de 1969 os astronautas americanos, chefiados por Neil Armstrong, desceram no mar da Tranqüilidade, no planeta Lua, o chefe da expedição, pronunciou a frase que entrou para a historia universal: “Este é um pequeno passo para o homem e um passo gigantesco para a humanidade.”


    A partir da excelsa aventura, que beneficiou a sabedoria humana e às causas sumas da ciência, deve-se à conquista lunar, da caneta esferográfica à Medicina Nuclear, e a sofisticada tecnologia para a segurança do diagnóstico.


    É estranho um professor universitário entender que “os médicos estão viciados na tecnologia.” Estamos no século XXI e o que é oferecido, em assistência médica a um enfermo abonado, o mesmo merece o carente, pois todos são iguais perante a Lei. Vai longe a época dos exames pela ponta dos dedos prescientes ou com base na experiência. Com os aportes oferecidos pelos princípios científicos, a vida se prolonga...


    Causou-me surpresa ler na relação do programa “Mais Médicos” a inclusão do município de Solânea. Tentei saber o que acontecera com sua Policlínica, criada pelo Prefeito, médico-cirurgião Francisco de Assis de Melo, do quadro da FSESP que, depois de um estágio profissional aplaudido em Juazeiro (BA), em Guarabira, Areia e Solânea (sua terra natal) pretendeu tira-la do atraso e candidatou-se a Prefeito. Vitorioso, não esperava encontrar em seu caminho não uma pedra, mas um rochedo, a serviço da corrupção...


    Lutando, restaurou os PSFs, implantouo NASF e a Gestão Plena da Saúde. Criou o SAMU avançado, e uma Policlínica com 10 médicos especializados. Com recursos próprios adquiriu uma ambulância. Reformou e ampliou o CEO e introduziu 3 consultórios odontológicos. Reorganizou o Centro de Saúde “Djair da Silva Pinto.” Instalou o setor de Fisioterapia com equipamentos adequados. Aparelhou a Secretaria de Saúde, com vários computadores, e iniciou a construção da USF. Os munícipes e circunvizinhos, se abstiveram de buscar o socorro para a saúde, na capital ou em Campina Grande. Sua aceitação crescia para a reeleição!


    Se mais não fez, credita-se a amortização das contas do ex-Prefeito que, após 8 anos de governo, não deixou uma obra para ser citada, senão o desvio de verbas federais. O doutor Chiquinho encerrou sua gestão com probidade e trabalho. Saiu pobre, pois, médicos-funcionários ou de consultório, só tem o indispensável para viver. São os sacerdotes do bem comum, merecem respeito e acatamento e não perseguição política por via de uma Justiça bipolar. Foi punido por ter rejeitado a perversão. Quem perdeu foi o povo. Ele voltou para onde nunca deveria ter saído – o exercício da medicina, sua vocação
     


  • 28/06/2013

    A Copa de 2014


    Seis meses após a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, de quem a sociedade nativa esperava mudanças no país, para melhor, ele não esquentava a poltrona presidencial. Comprou o “aerolula”, fez dele sua morada e viajava, com freqüência, ao exterior. No Brasil, para cuidar da administração, deixava seu lugar-tenente, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, que dispensa apresentação.
    Intrigava os meios de comunicação de Brasília, as prolongadas ausências do Presidente. Daí desconhecer o que se passava na constância do seu mandato.
    Lula não havia ainda iniciado as doações aos paises da América do Sul e da África, quando em junho de 2003 a Confederação Sul-Americana de Futebol anunciou que Argentina, Brasil e Colômbia se candidataram a sediar a copa de 2014. A Argentina já havia sido sede de um torneio desportivo desse porte (1978). O Brasil, então, não deveria perder o passe para a Colômbia, e Lula se fez o caixeiro viajante de seu próprio sonho... Participou de encontros relativos ao futebol e convenceu Joseph Blatter a referendar sua pretensão de ver um campeonato mundial, em terras brasileiras. Em julho de 2006, viu sacramentada pela FIFA sua quimera e aguarda ver a bola rolar em nosso território.
    Como candidato, prometera ao povo uma vivência digna, porém, o compromisso ficou para um segundo plano. Em primeiro estava o programa bolsa-família que instituiu a mandriice, responsável pelo esvaziamento do campo que se acomodou na periferia das cidades. Projetos para a educação e a saúde foram desativados ou adiados. A segurança que se esperava aparelhada fora atemorizada pelos crimes de toda espécie. A corrupção assumiu um teto estratosférico e grassou nos três poderes da República. A Transparência Brasil avalia seu alcance em 85 bilhões de dólares anuais.
    A transposição de águas do São Francisco para os sedentos de todas as regiões nordestinas, foi suspenso e registra enorme prejuízo, em face da ruína do plano já executado. As verbas foram desviadas para os 12 estádios de futebol.
    Sem condições de suportar o “ponto fora da curva” a sociedade despertou. Juízos de avaliação referentes à conduta humana estão sendo analisados pela juventude que se organizou e de repente reagiu.
    Repetem-se as cena das Diretas-Já (1983/84), e dos “caras pintadas” de 1992. É lamentável que haja excessos prejudiciais ao patrimônio público e privado. Que o regime democrata e a imprensa livre sejam preservados é o desejo dos que amam a sua pátria.
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    Lourdinha Luna é membro da AFLAP e da Academia de Letras de Areia.